Rosie and Me é a resposta brasileira para um mundo que hoje é dominado por violões ou samples, vindos da internet e seus filhos online, como o Myspace e blogs. A doce voz e os simples acordes de violão contrastam com a determinada mulher que empresta seus dotes em favor de um folk pouco abrasileirado. O evidente foco no mercado internacional e letras corriqueiras – todas em inglês – funcionam como um charme nas leves canções desenhadas para se degustar a qualquer momento do dia.
Rosanne Machado, a vocalista, empurrada pelo frescor e sentimento que sua música trás, começou a mostrar seus dotes no Last.Fm, alcançando a incrível marca de 60.000 audições somente naquele site (hoje já tem mais de 77 mil). Embalada, juntou os amigos Ivan Camargo (violão), Guilherme Miranda (baixo) e Tiago Barbosa (bateria), e os deixou responsáveis por lapidar e detalhar o som em sua primeira empreitada, floreando as belezas sonoras propostas em cima da simplicidade e sinceridade.
Clipe da canção “Old Folks”
Enquanto você ouve detalhes do violão e percussão de “Come Back” e o ukelele, as flautas e assobios de “Bonfires“, a prensagem de Bird And Whale, o primeiro ep e também nome da última e animada faixa, chega as mãos de mais alguém que adquiriu a bolacha na pré-venda internacional. Para quem conheceu o lado artesanal da banda, assistindo o belíssimo clipe da simpática e viciante “Old Folks (New Years)” (vídeo logo acima), já deve imaginar que todos os desenhos que vemos no álbum e myspace da banda são de autoria de Rosanne, a mesma que nos surpreende com “Darkest House”, numa levada folk diferente, onde até quebra de tempo temos.
Não só aqui no Brasil como em várias partes do mundo, Rosie and Me já é dado como uma das grandes promessas musicais do ano. Esse ep consolida as expectativas e redesenha um caminho folk que começa no Brasil, e não tem lugar para parar de ressoar. Do Brasil para mundo, do Last.Fm para a sua casa.
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Quem se interessou ou já é fã, a bolacha está sendo vendida a 5 dólares (pouco mais de 10 reais) no site oficial do grupo. O show de lançamento acontece nessa sexta (19/03), na terra natal do quarteto, Curitiba, no Wonka Bar (Trajano Reis, 326, Centro), e lá também você poderá adquirir sua bolachinha e mais goodies direto da mão da pequena artesã Rosanne. Em breve, sortearemos uma edição do ep em nosso site, é só ficar ligado. Tenha uma boa degustação musical!
Semana passada, me deparei com o mais novo e brilhante álbum do Black Rebel Motorcycle Club. Envolvidos num misto de folk e muito blues os caras fizeram um CD de colocar muito vanguardista de queixo caído, exalando rock por todas as pontas e nos arrebatando com a melodia imprimida em seu som. É ouvir dessas raridades de vez em quando que nos faz lembrar que ainda se ouve real rock por essas bandas.
Sem cair na mesmice e no clichê os garotos de São Francisco dão um tom muito intenso e uniforme no disco, com uma guitarra distorcida que acompanha-nos durante todas as músicas. Com letras passionais e profundas BRMC nos entrega uma ode ao pessimismo e aos corações partidos nos mostrando a verdadeira alma do artista e o que o inspira mais, o amor e seus desastres.
O CD é aberto pelo single homônimo do álbum Beat The Devil’s Tattoo que de cara nos transporta para uma atmosfera totalmente anos 60, com direito a pandeiros e uns back vocals super zens que caem muito bem a música. O som é uma verdadeira obra de arte, dedicada a todos os medos mais profundos da alma, todos os desastres da vida e a atração da poesia por eles, propondo a total libertação de nossos demônios internos.
Na seqüência ainda no clima sessentista, a música “Conscience Killer” tem um ar de Janis Joplin e cia, muitos rifs, ótimas batidas e um ritmo que realmente contagia a quem ouve. “A música é seguida pelas também intensas “Bad Blood” e” War Machine” a primeira com um refrão grudento e muito agradável, e a outra com ótimos solos de guitarras e vozes com efeitos de distorção, dando uma cara muito rock ao CD.
Para quebrar um pouco a pegada do álbum e não deixar o mesmo ficar chato, temos na seqüência a lenta “Sweet Feeling”, cantada com maestria pela voz calma de Peter Hayes e acompanhada ao fundo por uma maravilhosa gaita e os back vocals de Robert Levon. Por algumas vezes na música somos surpreendidos por alguns agudos formando um clima maravilhosamente folk.
Em seguida temos a ótima “Evol” com uma letra super clichê, onde o autor fala sobre a perda do amor, e o sentimento de liberdade que sente a seguir. Porém todo o clima piegas é derrubado por uma pegada super-rock estrada, nos levando a cantar toda vez que a música é tocada, tornando-a realmente empolgante.
Porém os elogios ficam ao álbum ficam por aí, o que segue é uma seqüência de mais do mesmo, sem inovação, deixando o álbum chato e repetitivo. “Mama Taught Me Better”, “River Styx” e “The Toll” são apenas espelhos das outras músicas até então tocadas no álbum. “Shadow’s Keeper” vem pra complementar o desastre em que se torna o álbum, salvo pela “Aya” que realmente imprime um refrão muito “scream” e gostoso de ouvir.
Já terminando temos a sem graça “Long Way Down” que é muito pacifica e destoa completamente da proposta do resto do álbum. E para acabar temos os insuportáveis 10 minutos de “Half-State”, onde o ouvinte já se encontra num estado de tédio pelo álbum e a música só vem para complementar este sentimento. Mas no pacote como disse no início, o álbum é bem audível e muito uniforme, dando uma nostalgia e densa satisfação de valer a pena ouvi-lo.
Muitas vezes um álbum nos cativa pelo nome que o assina; outras vezes um nome nos cativa pelo resultado do álbum que assinou. Este é o caso de Oito Mãos, quarteto campineiro formado em 2005 por Leandro Publio (guitarra e vocal), Felipe Bier (baixo e vocal), André Leonardo (guitarra e vocal) e Adhemar Della Torre (bateria). Depois de um disco de demos lançado no mesmo ano e alguns singles no decorrer dos quatro anos seguintes, a banda lançou em fevereiro deste ano seu primeiro álbum de estúdio, liberado primeiramente em versão virtual e disponível no site oficial da banda.
Vejo Cores Nas Coisas foi gravado ao longo de um ano em home studio próprio, o que proporcionou detalhes e peculiaridades que os diferenciam, garantindo uma marca própria. São esses detalhes, como a gravação de rádio em “Ninguém” e o som da chuva em “Marina”, que expressam certa dose de experimentalismo e personalidade e nos aproximam do universo de cada música.
Mas não é só em experimentalismo que é baseado o som da banda. Oito Mãos é uma banda de rock com tudo o que vem agregado ao título, mas passeia entre o britpop, com influências confessas como Travis e Coldplay, e esbarra na MPB, além dos vocais simultâneos que soam como uma bela ode aos garotos de Liverpool. Com três compositores e cada um com suas influências, o álbum possui diversidade criativa e dinamismo, ao mesmo tempo em que a sintonia entre eles garante unidade ao conjunto.
A tríade guitarras + bateria + baixo cumpre muito bem seu papel, com momentos de riffs leves que se aproximam ainda mais do rock sessentista. Os vocais arrastados trazem ares quase britânicos, enquanto as letras simplistas e líricas imprimem uma atmosfera singela que remete à MPB.
Em “Ninguém” pode-se notar o máximo de experimentalismo do disco, com vocais quase ininteligíveis e a inserção de trechos de gravações aleatórias, como de um programa político de rádio. Todo esse experimentalismo é contrabalanceado pela sonoridade pop e o refrão fácil de “Alguém”.
“Encontro de Almas”
“Encontro de Almas” ganha destaque pelos riffs repetitivos à ‘60s e pelos vocais simultâneos, aqui em sua melhor forma, aliados ao lirismo dos versos. Esse lirismo é mantido em “Passarinho” e acentuado pelos acordes suaves e os vocais quase preguiçosos, que dão à música uma atmosfera de sonho e nostalgia. “Claire” “Café” e “Verniz” chamam a atenção pela quebra de ritmo, enquanto “Marina” ganha destaque pela atmosfera simplista, com seu violão, gaita e ruído da chuva. “Quando eu for pro mar” carrega em seus versos poéticos uma melancolia que encerra o disco com saldo positivo.
A doçura de Vejo Cores Nas Coisas faz com que este seja o tipo de álbum para ser degustado e ouvido repetidamente, com a certeza de que as faixas ganharão uma cor diferente a cada audição e que a experiência será sempre plenamente satisfatória.
Apesar das contradições sobre o assunto, segundo o Wikipédia já estamos em uma nova década e tal década nos promete muito no mundo do entretenimento musical. 2010 já nos fez o favor de abrí-la com discos que já são clássicos e de audição obrigatória pra qualquer um que se diga amante de música, mas um problema (ou a solução) surgiu com essa nova era.
Mercado exigente, ouvintes mais exigentes ainda e a crítica ferrenha estão mudando o conceito de música e o que antes era experimental, de difícil acesso aos nossos ouvidos está se tornando o novo pop e não que isso seja ruim, mas particularmente, eu estou cansado de bandas que tentam ou ser ‘a grande cabeça pensante que é o Radiohead’ ou ‘a grande viagem psicodélica a base de ácido que é o Animal Collective’, perdendo a graça e a jovialidade da música indie que tanto nos influenciou no começo da década passada. Strokes, White Stripes, Walkmen e companhia, muito obrigado por terem acreditado no rock.
Mas como toda regra tem sua exceção, 2010 já nos brindou com um disco em que a simplicidade é o seu maior luxo, esse petardo e toda sua glória é o debut homônimo de quatro garotos de San Diego, chamdos The Soft Pack, antigo The Muslims.
10 faixas em 35 minutos são o suficiente para que o Soft Pack passe sua mensagem com extrema clareza, e essa mensagem soa como algo do tipo: ‘não somos a salvação da música, nem queremos ser, tocamos por diversão e pra sua diversão e o resto que se foda’.
O som da banda não nega influência do anos 60 e da Surf Music, transpira Beach Boys, The Clash e Velvet Undergound, passando por influências mais recentes, como o Nada Surf e os Strokes e tendo como concorente direto ao título de melhor banda de surf-punk da atualidade o The Drums.
Clipe de Extinction
Esse descompromisso proposital é percebido na forma de tocar da banda. Brian Hill, o homem das baquetas costuma tocar em pé, abusando dos tambores e de percursões como a meia-lua, no maior estilo punk. David Lantzman, proporciona um baixo cru e bastante presente e perceptível nas canções. Matty McLoughlin, o guitarrista principal, se empunha de uma Fender Telecaster e um set de apenas dois pedais, Fuzz e Reverb, para fazer seu estrago sonoro em forma de riffs praianos rápidos e Matt Lamkim, o frontman que comanda os vocais e uma guitarra, também abusa do reverb em seu instumento e canta de uma forma arrastada, quase falada as melodias juvenis sobre amor. Tudo isso de uma forma ramoníaca e objetiva. Em algumas raras vezes, a banda se utiliza de um teclado Mini Korg, para acrescentar suas melodias.
The Soft Pack, o álbum, começa com a tríade explosiva “C’mon”, “ Down Or Loving” e “Answer Tou Yourself”, que parecem se completar, fazendo uma síntese da vida: ‘venha, faça sua ecolha e responda suas perguntas’.
Na sequêcia vem “Move Along”, a mais psicodélica das faixas, com um tecladinho de timbre agudo, chega a lembrar o Deep Purple, apenas neste quesito. “Pull Out”, “More Or Less”, “Tides Of Times” e “Flammable” são as músicas que carregam um punk moderno, mais sofisticado. “Mexico” e “Parasytes” são as mais introspectivas do álbum, sendo que a primeira tem um clima praiano inigualável.
O debut do Soft Pack é cheio de hits certeiros, joviais e simples. Tudo o que está em falta na música atual, eles conseguiram compactar em um único e ótimo álbum. A carreira já vem decolando, participação no programa do Letterman e show marcado no Coachella, mostram o devido reconhecimento, agora só falta a bolacha cair nas grças do público.
Suponhamos que você acaba de conhecer uma pessoa bacana. Papo vai, papo vem até que inevitavelmente é chegada a hora da verdade:
- Mas que tipo de som você curte?
Você prende a respiração enquanto espera pela fatídica resposta:
- Ah, você sabe… Eu sou eclética, gosto de tudo um pouco, afinal, música depende do momento, não é?
Pronto: seus ouvidos acabaram de escutar um palavrão: e-clé-ti-ca. Como não poderia deixar de ser, no mesmo instante imagens começam a ser projetadas em sua mente. Você e sua bela pretendente deitados, trocando carícias em cima da cama de um quarto na penumbra, quando suavemente o contra-regra aciona a trilha sonora…
“É o amor, que mexe com a minha cabeça e me deixa assim…”
“Era uma vez o amor, mas tive que matá-lo” bem disse o grande escritor colombiano Efraim Medina Reyes. Ficar em cima do muro atesta apenas falta de personalidade musical, pois, convenhamos, quem diz gostar de tudo um pouco, gosta, inclusive – ou talvez principalmente – de música ruim. E música ruim é apenas o inverso da música que a gente considera como boa.
Pessoas ecléticas já são perigosas. Mas nada soa mais temeroso do que um disco eclético. Em geral trata-se de um sincretismo vazio: aponta para todos os lados e não acerta nenhum. Porém, de tempos em tempos – com intervalos cada vez mais espaçados – costuma aparecer um álbum capaz de tirar leite de pedra, fazendo do ecletismo não um estigma, mas uma verdadeira virtude. Why There Are Mountains?, a ousada estréia dos novaiorquinos do Cymbals Eat Guitars, certamente é um desses trabalhos.
Cymbals Eat Guitars – Wind Phoenix (Live on KEXP)
As nove canções do CD compõe uma verdadeira viagem pela música alternativa das últimas duas décadas. A sinuosidade estrutural de cada uma das faixas serve pra criar climas que amplifiquem ao máximo as sensações de surpresa e emoção. “And The Hazy Sea”, extraordinário abre-alas, só pode ser descrito por meio de um paradoxo: uma suave agressividade. “Indiana”, por sua vez, começa nublada para, em seguida, entrar numa daquelas divertidas tardes ensolaradas típicas dos momentos mais divertidos do Belle and Sebastian. “Share” é um épico de sete minutos repleta de ecos de My Bloody Valentine, enquanto “The Living North” com suas guitarras espaciais remete às melhores canções do British Sea Power.
Mas os grandes destaques do disco ficam mesmo por conta de “Cold Spring”, “Wind Phoenix” e “Like Blood Does”. São faixas em que a insanidade do conjunto é levada ao extremo, com mudanças de andamento bruscas que criam transições perfeitas que vão desde a melancolia até a pista. Impressiona a naturalidade com a qual a banda transita entre vertentes musicais diferentes em uma mesma canção, o que revela incrível maturidade para um trabalho de estréia. “Like Blood Does”, por exemplo, começa com um clima etéreo a lá Radiohead e em seguida entra num momento gótico que remete aos arroubos oníricos de Disintegration, do Cure. Então se transforma num pop palatável e grandioso para terminar com uma avalanche de barulho que chama um falsete de cortar os pulsos. E isso tudo sem soar como um Frankenstein!
Fica então a pergunta: qual o próximo grande disco cujo ecletismo não será sinônimo de palavrão?
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fev 19th 10
Postador por Jairo Borges em Resenhas, Álbuns
Finalmente saiu a pedra preciosa que todos aguardavam ansiosamente desde o ano passado. Marina and The Diamonds é daquelas bombas que caem sobre o mundo da música e deixam todos paralisados. Pois é, ela é incrível e o seu CD era um dos mais aguardados para este ano. Depois de ouvir as maravilhosas “I Am Not A Robot”, “Mowgli’s Road” e “Obsessions” qualquer um ficaria ansioso por um álbum contendo mais coisas do tipo.
The Family Jewels e uma obra prima com melhor do indie pop misturado a um estilo muito pessoal que só a cantora sabe fazer. Com sua voz intensa e precisa a cantora envolve o ouvinte nos seus agudos espalhados por suas canções, que por sinal são muito bem distribuídas ao decorrer do álbum. O equilíbrio entre baladas e hits mais agitados é perfeito, e a alternância desses sons nos leva a ouvir o álbum repetidamente sem se cansar em nenhum instante.
A cantora não podia ter acertado mais na escolha de “Hollywood” para divulgação do álbum, o hit tem uma pegada bem pop e abre novas portas de mercado para a cantora. A crítica incisiva da música ao “American Dream” e as “Prom Queens”, ao mesmo tempo em que ironiza realidades do mundo americano, deixa a cantora muito próxima a cantoras populares, que para alguns pode parecer ruim, mas que pode ser responsável pela alavancada decisiva na carreira da cantora.
Mas nem só de Pop é feito o álbum, na primeira música a cantora já estréia com uma bateria mais agitada e algum experimentalismo em “Are You Satisfied?”, onde de cara já manda um recado a todas as pessoas que se não acreditaram em seu sonho, e que a pressionavam a levar uma vida normal.
O CD é feito com muita marca pessoal exatamente por causa desses desabafos da cantora em suas músicas, que encontramos também em “The Outsider” e “Oh No!”, onde a cantora faz questão de se destacar dos outros e mostrar que sua mensagem tem a total intenção de fazer a diferença no mundo a sua volta, nos levando a uma reflexão acompanhada de refrões maravilhosos e cheios de sintetizadores, feitos para grudar nas nossas cabeças.
“Girls” é de longe uma das melhores músicas do álbum. Com a crítica mais aberta do álbum, a cantora fala do contraste da sua personalidade com a da maioria das garotas e suas frescuras. Mas para parecer menos clichê, tudo isso é regado a uma batida verdadeiramente empolgante, um back vocal bem presente e efeitos sonoros bem divertidos no decorrer da música.
As lentas “Hermit The Frog” e “Rootless” são igualmente boas e falam de desilusões e expectativas sobre o amor. Porém, não tem como não dizer que quando a voz da cantora se sobressai muito à melodia, as músicas ficam muito parecidas a um “tal” álbum lançado ano passado chamado Lungs, com o qual todos evitam comparações.
O álbum é fechado com maestria pela inigualável “Numb” (a música mais profunda e emotiva do álbum) e “Guilty” onde num clima bem leve e de despedida, a cantora se considera culpada por todos seus devaneios e toda a sua obra artística. As já conhecidas “Obsessions”, “Shampain” e “Mowgli’s Road” dão o tom do álbum, e revelam a face louca, excêntrica e por muitas vezes bêbada da artista que afirma não saber quem é e nem para onde vai. E a mais que perfeita “I Am Not A Robot”, prova toda a delicadeza e intensidade da cantora, mostra por que a cantora foi 2º lugar na lista da BBC de promessas para 2010 e porque ela merece o título de melhor álbum de 2010 até agora.
A vida não é um romance novelesco. A vida é ordinária, mas pitoresca.
Em seu terceiro álbum de estúdio, Los Campesinos! cantam sobre raiva, decepções, ressentimentos, morte e, principalmente, amor. Mas como o próprio título sugere, o amor retratado aqui não é aquele inocente e quase platônico. Pelo contrário, é um amor imediatista, sexual e cínico.
O imediatismo pós-adolescente parece delicioso quando embalado por uma guitarra caprichada, uma mistura de metais e cordas entusiasmados, riffs duplos e sintetizadores descompromissados, tudo sintonizado em camadas e mais camadas de efeitos que conferem uma hiperatividade adorável ao conjunto.
Logo na primeira faixa, “In Medias Res”, somos introduzidos a um mix de sensações que passeiam entre melancolia, resignação, revolta e aceitação. Todos os estágios do luto resumidos em 4:42 minutos de arranjos de cordas, metais e sintetizadores que tornam a música dançante, apesar do tema aparentemente depressivo.
A faixa-título é uma negação do ideal romântico de relacionamento com seu refrão que ecoa na mente: ‘You’re pouting in your sleep / I’m waking still yawning / We’re proving to each other that romance is boring’. Os riffs grudentos e os sintetizadores nos jogam num mundo onde a revolta e a negação dos valores são estranhamente animadores.
“Romance Is Boring”
A excelente “Straight in at 101” é um hino niilista com seus versos inicais ‘I think we need more post-coital / And less post-rock‘. Aqui é perceptível o que garante tanta personalidade ao grupo: a capacidade de combinar as letras revoltadas dignas de bandas hardcore à sonoridade divertida do indie pop com muita naturalidade.
Toda a energia hiperativa que emana da maioria das faixas é balanceada por algumas relativamente melancólicas, que enfocam mais as cordas e mantém a percussão e os metais mais comportados, como a intensa “The Sea Is a Good Place to Think of The Future” e a derradeira “Coda: A Buun Scar In The Shape of The Sooner State”, que cumpre com louvor seu papel de despedida.
Este terceiro álbum é mais pop e mais “normal” que os predecessores, o que pode parecer uma baixa no que é a marca do grupo, mas também é mais acertado, mais lapidado e mais contido nos excessos que tornavam Hold On, Youngster… e We Are Beautiful, We Are Doomed densos e quase cansativos.
As letras inteligentes e sarcásticas, os versos cacofônicos, os refrões grudentos, as onomatopéias, a torrente de efeitos e tudo mais que confere o ar alegre e adoravelmente esquisitinho da trupe galesa está presente aqui, mas em versão podada e aperfeiçoada. A evolução poderia ser maior, considerando que Romance Is Boring é um terceiro álbum, mas foi acertada de modo a manter a identidade do grupo e fazê-lo destacar-se ainda mais entre tantos ditos similares.