Sinthzão Carioca: Conheça, ouça e baixe a nova cena carioca


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O que compõe uma cena? Além de bandas e artistas, a troca de informações entre eles e a circulação constante em casas de shows da cidade são alguns dos fatores primordiais para este crescimento. A partir deste conceito já podemos afirmar que o Rio de Janeiro possui uma nova cena, borbulhante e em expansão. É, provavelmente, o mais interessante movimento cultural na cidade nos últimos anos, pondo fim à entre safra musical pós Mop Top e Los Hermanos e fincando novamente o Rio de Janeiro como um dos grandes cenários criativos do país.

Até o momento, nenhuma revista ou jornalista oportunista inventou um nome descolado para o que vem acontecendo calmamente na cidade maravilhosa. O fato é que a onda do Sinth invade tanto o lado introspectivo da música quanto o batidão do morro, unindo até o que seria a “velha guarda”, como João Brasil, às novidades recém chegadas, como o recém maior de idade Julio Santa Cecília e seu Tv/Δv. O movimento não é de agora, com início sem data certa, talvez entre 2011 e 2012, mas com alguns nomes relacionados ao lançamento da Penetra Records, selo independente que tem no casting Strausz e Leo Justi, por exemplo.

Atentos a nova ordem musical, a maioria dos artistas trabalha na calmaria do seu quarto, produzindo sem medo e preconceitos as músicas que, rapidamente, chegam aos 50 mil views no Youtube, como Apollo, Tereza, Strausz e Leo Justi já conseguiram fazer. Os clipes, aliás, são um caso a parte para a maioria dos artistas, produzindo verdadeiras obras de arte nas mãos do experimentalista diretor Julio Secchin, um dos também aventureiros musicais nessa nova cena que vem se formando.

Além de Secchin, outro ponto que faz interceção no momento atual da música carioca são os trabalho de Lucas de Paiva, que em projeto solo atende por People I Know, e as divertidas batidas de Leo Justi. Influentes músicos na cena atual, dividem seu currículo entre produções, composições e remixes com Mahmundi e OPALA, do lado do Lucas (que também usou seu dedo para lapidar o capixaba SILVA), e Apollo, Tereza e Strauzs, na lista de Leo Justi.

Guerrinha, além de se apresentar com o Dorgas, mantém um projeto solo de Deep House e toca constantemente na casa que melhor representa essa nova geração: a Comuna, em Botafogo, ponto de encontro de praticamente toda essa nova ordem musical que coloca o Rio de Janeiro para balançar durante noites a fio, terminando sempre em uma cerveja marota no Alfa bar, logo em frente à Comuna. O outro ponto chave que representa bem não só essa época, mas qualquer lembrança musical do Rio de Janeiro, é o Circo Voador, local onde tanto a Tereza quanto o Biltre deram memoráveis shows para platéias de quase 3 mil pessoas.

Em época que o samba e o pagode vivem de reciclagem e o funk se torna cada vez mais cult, esses jovens estão mais â frente que as modas, juntando tudo em uma única música, sem a cara do Rio de Janeiro tradicional, mas com a beleza da noite de uma grande metrópole, mostrando suas músicas pelo mundo através da tela do computador e batidas pulsantes.

01 Tv/Δv – It
02 Strausz – Me Ama (feat. Kassin)
03 João Brasil – L.O.V.E. Banana (feat. Lovefoxxx)
04 Biltre – Pissaicou
05 Secchin – Night Lights (feat. Maria Luiza Jobim)
06 Mahmundi – Calor do Amor
07 Apollo – Taste Of Your Lips
08 OPALA – Two Moons (feat. Mahmundi)
09 Tereza – Calçada da Batalha
10 Leo Justi – O Homem Mau (Sniper Queen)
11 doo doo doo – Carnaval no Fogo
12 Dorgas – Hortência
13 People I Know – Brasil 03
14 DJ Guerrinha – Pra Que Ter O Alvará Se Você Cega Eles Com Luz Strobo

Sinthzão Carioca

Curadoria e texto: Marcos Xi
Capa: Ruan de Almeida

P.S. Clique aqui e leia também a matéria que o Monkeybuzz postou na semana passada. Vale cada palavra.