Resenha: Catarse em Tons Melancólicos

Álbum: High Violet

Artista: The National

Lançamento: 11/05/2010

Gravadora: 4AD Records

Myspace: http://www.myspace.com/thenational

Rockometro: 9,8

Acho que nunca ficamos tanto tempo sem um álbum só de inéditas do The National, desde 2007 que a banda não lança um album só de músicas novas. Mas é como dizem: o que é bom sempre demora para ser feito, e neste caso não poderia ter sido mais verdade, High Violet é a perfeição em forma de álbum. É incrível como a banda sempre consegue se superar, as melodias e  as emoções se renovam a cada nova música escrita, a única coisa que não muda é a singular voz de Matt Berninger, que é  inconfundível!

Nem tão bom e singelo como Aligator, mas tão emocionante e intenso quanto seu antecessor, High Violet segue pela mesma linha dark de Boxer e tem uma proposta amargurada e triste, bem característica da banda. A linha melancólica que segue o ouvinte por todo o álbum, dando uma irônica sensação de conforto e relaxamento e leva a música para dentro de nossas almas, aonde as letras batem como soco no estômago, como se todas as lembranças ruins e infortúnios viessem à tona de uma só vez.

Neste quinto álbum de estúdio as letras da banda parecem retornar à raiz de todos os males, com várias ênfases sobre Ohio (cidade natal da banda) e sobre as tristezas e questões  que nos  acompanham por toda a nossa vida. High Violet é revoltante, instigante, desesperançado sem deixar de ser inspirador, é sobre trazer todas as questões do passado à tona, e não seguir em frente sem que todas essas questões sejam debatidas. É como poetizar no analista.

O álbum se faz divino também pelo baixo extremamente presente nas músicas e a bateria super marcante, que por vezes são intercalados por instrumentos de sopro e um piano mais do que anestesiante. As guitarras são muito bem colocadas em “Sorrow” e “BloodBuzz Ohio” e fazem uma contraposição muito interessante com a aveludada voz de Matt Berninger, criando um clima sofrido e envolvente já presente em Boxer, mas agora parece que um pouco mais lapidado e melhor esculpido.

A faixa de abertura é a incrível “Terrible Love” que numa sessão de catarse envolvida por um denso piano e um baixo constante, o autor fala do que pode ter sido o “Break Up” mais difícil de sua vida. A canção “Runaway” tem uma temática muito parecida, porém, apesar de todos os esforços da amada nada irá afastá-lo dela, tudo isso envolvido por uma melodia inebriante, eu diria até que a mais calma e menos angustiante do álbum.

A segunda música do álbum é a mais que fantástica ” Sorrow” onde o autor confessa que a tristeza o tem seguido por todos os dias de sua vida e em todos os momentos importantes lá estava ela. E o mais interessante é que a música toda é acompanhada por uma guitarra com notas introdutórias, porém o refrão nunca vem, pode-se dizer que chega a ser angústiante a melodia da música, que ao final culmina em um coral de vozes acompanhado por um piano, liberando toda a tensão contida.

“Bloodbuzz Ohio”, primeiro single do álbum, fala exatamente sobre essa hemorragia de sentimentos vindo à tona, e sobre tudo que ele abriu mão pela fama e dinheiro. A música tem sem dúvida a melhor bateria e faz uma perfeita combinação com a voz de Matt. “Afraid of Everyone” vem marcada pela companhia de Soufjan Stevens, para declarar todas as questões existencialistas e todos os temores do autor, envolvidos em uma melodia que, eu arrisco dizer, é a mais bem trabalhada do álbum.

Em “Anyone’s Ghost” o autor fala sobre essa falta de produtividade causada pelo constante questionamento de seus problemas, e a solidão que o leva a fazer repetidamente as mesmas coisas. Na sequência ele apresenta uma contraproposta para todos esses problemas que a vida apresenta e a dimensão que eles vão tomando no decorrer da mesma: “Little Faith”. Sintetizadores marcantes e um violão como companhia suplicam pelo último resquício de esperança da alma.

“Conversation 16” é sem sombra de dúvidas a melhor música do álbum; mesmo entre tantas músicas maravilhosas, esta se destaca exatamente por resumir em 4 minutos toda a proposta do álbum. Questionamento sofridos e repetidos, amor, medo da perda e muita paranóia integram esse diálogo muito bem montado, acompanhado por um piano extremamente envolvente que nos levam a um refrão extremamente “scream”: quando ele canta “Cause I’m evil” é como se colocássemos todos os nossos medos e dores para fora! Catárse completa!

O álbum ainda conta com a ótima “England” e seu clima “New Age Dark”, e a fantástica guitarra presente em “Lemonworld”. Ao final do álbum a banda canta a música “Vanderlyle Crybaby Geeks” com a participação dos músicos Nico Muhly, Justin Vernon (Bon Iver ^^!) e novamente Soufjan Stevens. A música tem um quê de “Sad Folk” ao cantar “cry baby cry”, e despede o álbum num clima tristonho e um pouco menos tenso. Este, que sem dúvidas é o melhor álbum do mês, muito provavelmente será o melhor do ano!

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