Uma das coisas mais legais de se fazer quando se tem uma banda, ou alguém que sabe tocar um instrumento, é aprender a “tirar” músicas dos outros. Algumas bandas são especiais para aqueles que estão tendo os primeiros contatos com o violão (ex: Legião Urbana), a guitarra (ex: Raimundos) ou a bateria (ex: qualquer coisa de hardcore). Outras, no entanto, vão surgindo de acordo com o aprendizado e a convivência com a banda. Uma delas, que – quer queira quer não – sempre aparece é a Los Hermanos.
Parecendo levar esse conceito às alturas, e dando mais um motivo para comemorar os quinze anos de existência e relevância (respeitosa, diga-se de passagem) do grupo, a Musicoteca teve uma grande ideia: Montar uma coletânea em que vários artistas e bandas independentes de todo o Brasil possam tocar – e melhor: gravar – uma música dos Hermanos.
A tracklist, ainda indefinida, vai ser escolhida pelos fãs – só que ninguém sabe ainda como vai rolar esse sistema. No entanto, antes que as músicas apareçam, a Musicoteca já divulgou todos os artistas que farão parte dessa coletânea. E é tanta gente que não vai dar num álbum só: “Re-Trato” vai ser um disco duplo, que deve chegar na “loja” da Musicoteca em abril. Ou seja: para download grátis!
Acompanhe mais informações sobre a coletânea no Facebook da Musicoteca.
Abaixo, você confere uma lista com grande parte dos artistas (versão oficial agora) e os específicos links para ouvir cada um deles. Achamos que, conhecendo o som da banda, você pode mais ou menos prever como vai ficar a versão de cada um deles para as músicas dos Hermanos.
Além das bandas, a coletânea também contará com três duetos: Rodrigo Del Arc com Galldino (do Teatro Mágico) cantando “O Vencedor” (teaser); Daniel Cohen e Marcella Belas; e o primoroso Música de Ruiz, com Estrela Ruiz Leminski (sim, a filha do Paulo Leminski) fazendo par com Téo Ruiz.
O que resta agora é esperar para ver o que vai sair disso aí. Mais informações em breve.
+ Não tem nem duas semanas que eu comprei meu primeiro disco da Superguidis, o incrível A Amarga Sinfonia do Superstar. Olhei o disco e disse: “Esse será o primeiro de muitos.” Errei. A banda anunciou fim de carreira na última semana por questões pessoais de cada integrante. Mais uma grande banda que deixa a cena brasileira por força maior.
+ Vem aí o disco novo do Wado. Samba 808 é o sucessor do elogiado Atlantico Negro e tem lançamento esperando ainda para esse ano. O disco vem recheado de participações especiais, incluindo Mallu Magalhães e Marcelo Camelo juntos, Zeca Baleiro, Chico Cesar, Fábio Goes, Andre Abujanrra e vários outros.
+ Rodrigo Barba, que segura as baquetas para o Canastra, Projeto Bloco do Eu Sozinho, Go East Orkestar, Me & The Plant e as vezes até aparece como baterista do Los Hermanos, agora é oficialmente o novo membro do Ramirez. Lembram deles? Pois é, a banda voltou de uma longa reformulação e já tem até foto com os novos integrantes.
+ O novo disco da Mallu Magalhães se chamará Pitanga. As gravações terminaram na semana passada e foram produzidas por Marcelo Camelo, com participações nos arranjos por Victor Rice, o próprio Marcelo, e em certos momentos por M. Takara (Hurtmold) na bateria e André Lima no teclado. A previsão de lançamento marca para outubro.
Depois da grande expectativa que criou-se em torno do segundo álbum solo do Marcelo Camelo finalmente, nestas últimas semanas, tivemos o prazer de ouvir o novo trabalho do cantor, que se mostra mais maduro e mais técnico em suas composições. Somente após ouvir e pensar muito sobre o álbum algumas ponderações foram feitas sobre essa obra que não é nem incrivelmente espetacular, nem de toda ruim. Com pontos altos e baixos Marcelo Camelo se mostra mais alegre, menos egocêntrico e muito mais direto.
O trecho “Tudo que eu fizer vai ser pra ver aos olhos dela” cantado em “Ô ô” define exatamente qual é o tom da obra: sobre ela, para ela e por ela. O Toque Dela no violão dele é visível, trazendo de volta um Camelo que não víamos desde as grandes composições românticas dos Los Hermanos. Parece que apesar dos prós e contras, Mallu fez um bem ao compositor, fazendo-o composições muito mais alegres, ajudando inclusive em um trabalho de percussão muito mais visível e consistente. Não deixa de ser um Sou, as características do cantor estão todas lá, mas muito mais exuberantes.
O álbum já abre com a ótima “A Noite” uma das – se não – a melhor música do álbum. Com uma percussão muito bem trabalhada numa belíssima marchinha orquestrada, que acompanhada pela voz de Camelo passa um sentimento gostoso e agradável, pontuado pelo solo de metal. A música é seguida pelo primeiro single do álbum, a já conhecido “Ô ô”. A música é singela e criada para grudar de tal forma em nossos ouvidos. A letra é bem repetida (e meio desconexa), com melodia bem marcada, deixa evidente que foi feita para ser “aquela que todos vão cantar”.
“Tudo o que você quiser” é uma declaração muito singela do autor em busca de um recomeço com a/uma amada. Destaque para os pratos que acompanham com ternura e discrição a melodia e ao fim dividem espaço com um melodioso acordeão de Marcelo Jeneci – companheiro de arranjos do Camelo em boa parte do álbum. Na sequência somos presenteados com a ótima “Acostumar”, outra que é bem chiclete com repetições sonoras nos versos, mas que é incrivelmente aconchegante e com ótimo um solo de guitarra.
“Pretinha” lindamente lembra as composições do cantor no Los Hermanos. A música como diz Camelo é “Pra a gente se perder, amor”. Muito gostosa e divertida de se ouvir. “Pretinha” é seguida pela igualmente fofa “Três Dias” que deveria na realidade se chamar “Minas Gerais”. A música é manhosa, com uma bateria discreta, fazendo muito carinho aos ouvidos.
A segunda parte dá lugar a um álbum nem tão interessante assim, a pontualidade meio que é perdida e em alguns pontos quando é encontrada é atrapalhada com maestria por outros fatores técnicos. A bossa de “Pra te acalmar” tem uma melodia já bem batida na música brasileira e uma letra nem um pouco criativa, fazendo parecer ter sido tirada de algum lugar. Em “Vermelho” uma letra e melodia muito inteligentes (bem a lá Los Hermanos), encontramos um Camelo e metais igualmente perdidos, botando tudo a perder.
“Despedida” é também outra que pode ser muito bem encontrada no repertório de qualquer grande compositor brasileiro (não por acaso foi gravada primeiro por Maria Rita), com uma letra e uma melodia já bem batidas e executadas de uma forma nada interessante. O álbum tem seu desfecho com a mediana “Meu amor é teu” uma grande declaração de Camelo a Ela, mas que nem de longe remete ao brilhantismo das primeiras músicas do álbum.
A pergunta que inevitavelmente fica é: porque Marcelo Camelo que sempre teve uma originalidade de se admirar deixou suas influências transparecerem muito mais do que sua própria obra? Mostrar maturidade e crescimento em técnica não quer dizer copiar grandes nomes e clássicas melodias da música brasileira, a maturidade poderia ser própria e se mostraria muito mais interessante.
No final dos anos 90 uma banda formada nos corredores da PUC-RJ tomou o Brasil de assalto. Marcelo Camelo e Rodrigo Barba estavam decididos a montar uma banda diferente de tudo que existia na música nacional e depois da entrada de Bruno Medina, Rodrigo Amarante e Patrick Laplan, o grupo daria seus primeiros passos gravando duas demos. A qualidade do material, recheado de letras falando sobre o amor e misturando ska com mpb e hardcore, acabou rendendo um contrato e o lançamento do disco homônimo em 1999.
O Los Hermanos era um ilustre desconhecido do grande público e quando lançou o clipe de “Anna Julia” na MTV, o público jovem simplesmente pirou. Era a versão nacional do The Wonders (aquele filme dirigido por Tom Hanks) e o clipe era estrelado por uma Mariana Ximenes em começo de carreira. A música virou um sucesso tão grande que até mesmo o ex-beatle George Harrison chegou a gravar uma versão. Mas o preço da fama foi alto demais e a banda cansou de repetir a música em suas apresentações e a riscou do repertório por muitos anos.
O debut conta ainda com as clássicas “Tenha Dó” (que abre o disco), “Pierrot” (outra canção que a banda ficou anos sem tocar ao vivo), “Quem Sabe” (essa era das poucas músicas presentes em praticamente todos os shows), “Primavera” e, uma das minhas favoritas, “Azedume”. As letras sempre foram o principal atrativo do Los Hermanos, mas aqui elas se misturam com uma parede sonora criada pelos belos e contagiantes arranjos dos metais.
Los Hermanos numa apresentação no programa O+, com Otaviano Costa, lá em 99 – algo que seria altamente utópico nos anos seguintes da banda.
O primeiro disco nunca conseguiu o mesmo reconhecimento dos albuns seguintes. Seria uma grande heresia dizer que o debut dos cariocas consegue superar o feito realizado com o sensacional Ventura, mas será que ele fica mesmo tão atrás? Anos atrás, pouco antes do lançamento do 4, eu era um desses fãs incondicionais da turma liderada por Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante.
Porém a febre em torno da banda cresceu de uma forma assustadora e as músicas novas já não conseguiam manter a magia dos primeiros discos (e estavam bem longes de serem consideradas ruins também) e acabei me afastando dos shows e de todo aquele fanatismo. Por acaso cheguei a conferir o último show do grupo em Belo Horizonte e na época, eles já tinham vencido o preconceito com “Anna Julia” e diversas outras canções do primeiro disco tinham presença garantida nos shows.
Quem são: a banda mais amada pela geração indie nacional. Os cariocas do Los Hermanos tem quatro discos na bagagem e dois dvd`s ao vivo. O último registrou a turnê de despedida da banda em três shows lotados no Rio de Janeiro. Misturando um pouco de samba, bossa nova, mpb, ska e rock com letras românticas, a banda é uma das atrações mais aguardadas do dia 9.
Por que assistir: Depois de anunciarem o final das atividades da banda há alguns anos, os integrantes da banda partiram para projetos solo. Se reuniram para participar da abertura do show do Radiohead no ano passado e anunciaram alguns shows no nordeste para o segundo semestre. Por tudo que já representaram na história do rock nacional, o show é imperdível. Tanto para quem conhece quanto para quem nunca viu a banda antes.
Set list atual: (esse é o repertório da apresentação no JUST A FEST do ano passado)
1. Todo carnaval tem seu fim
2. O vencedor
3. Retrato pra Iaiá
4. Último Romance
5. Morena
6. Além do que se vê
7. O vento
8. Cher Antoine
9. A outra
10. Primeiro Andar
11. Casa Pré-Fabricada
12. Deixa o verão
13. Cara Estranho
14. Assim Será
15. Condicional
16. Sentimental
17. Cadê teu suín?
18. A flor