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O Que Dizer: Top 5 – Melhores Músicas Para Começar 2011

Começar um novo ano com o que de melhor aconteceu nos 12 meses anteriores é meio clichê, mas é provável que existam muitos fãs de música supersticiosos e que escolhem a dedo quais serão as primeiras músicas em suas playlists durante os primeiros minutos do dia 1 de janeiro. Para o bem ou mal, sou uma dessas pessoas. Meu 2010 começou com uma experiência quente envolvendo “Dimestore Diamond” do Gossip e boas doses de tequila, o que me impede de relembrar quais foram as outras músicas selecionadas para aquela noite libidinosa. Para começar 2011, não contei com ajuda de nenhum líquido dourado ou bebidas místicas capazes de estabelecer as mais abusadas (e viajadas) relações com fadas ou anjos ou o que quer que você veja depois de tomar absinto. E devo confessar que não gastei muito tempo pensando em resumir tudo que vivi e ouvi durante o ano enquanto bolava a lista, trocando mensagens com meus amigos pelo twitter. O meu top 5, o primeiro de 2011, ficou assim:


Ready to Start @Arcade Fire

Talvez eu fique eternamente frustrado para sempre por não ter feito a crítica do disco para o RinP ou até mesmo para o Audiograma, mas vou ter que me contentar em ser apenas mais um blogueiro a enaltecer a segunda faixa de The Suburbs (também conhecido como o melhor disco do ano). Mais que o título de música do ano, “Ready to Start” é o impulso ideal para o recomeço. Após os fogos e a euforia histérica das comemorações, dificilmente uma canção pop poderia ser mais direta ao nos dar as boas vindas à mais um ano. O Arcade Fire tinha que celebrar a primeira missa de 2011.


Best of You @Foo Fighters

Em 2001 o Foo Fighters se apresentou no Brasil pela primeira e única vez. Desde então a banda lançou novos discos e ganhou ainda mais fama e força no meio musical. A cada lançamento e projeto, Dave Grohl se revela como a figura mais genial da música norte-americana. Hoje, 10 anos depois daquela apresentação no Rock in Rio, os fãs estão esperançosos com os anúncios de uma possível turnê pelo país. Mas não é apenas por isso que o Foo Fighters entrou na minha lista. “Best of You” é sobre os dramas e superações que enfrentamos durante nosso cotidiano. Ela é o tapa na cara dos livros de motivação. Quem precisa de auto-ajuda em livros quando Dave Grohl escreve uma música dessas?


Things Have Changed @Bob Dylan

Demorei 24 anos para descobrir o quanto Bob Dylan era bom. Na verdade, eu demorei esse tempo todo para redescobrir o som (há) de muitas bandas. The Doors (um quase striptease ajudou, claro), Jimi Hendrix e Rolling Stones são exemplos de bandas antigas que não tinham muito significado ou importância para a minha vida musical. Como é bom se enganar, como é bom acordar num dia e perceber que o pouco que pensava saber era bem menos que o nada que eu jamais sonharia em conhecer. Bob Dylan virou um mito na minha estante e nas minhas listas de música e tudo isso por conta do lançamento do segundo album solo de seu filho Jakob. A faixa “Things Have Changed” é a minha mais recente descoberta na imensa (e infinita?) coleção de sucessos de Dylan. Os versos “People are crazy and times are strange / i`m locked in tight, i`m out of range / i used to care but – things have changed” são o espelho daquilo que podemos esperar do futuro. Onde estão os bons corações? Morreram de tristeza ou só esperam pela chance de se mostrarem milagrosamente num dia qualquer desse novo ano? Vai saber… Começar o ano com um pouco de realidade crua faz bem.


Comfortably Numb @Pink Floyd

Se eu tenho problemas em ser otimista diante as previsões de um novo ano? Você consegue perceber isso apenas pelas músicas anteriores ou a inclusão de “Comfortably Numb” foi o golpe final de melancolia? Preciso reforçar o fato de que passei o reveillon sozinho e sóbrio. Geralmente precisamos estar um pouco alterados para conseguir apreciar o som do Pink Floyd, mas quem foi que disse que a ocasião não faz o momento? Ninguém sabe exatamente o que vai encontrar ao longa da jornada pelos próximos 12 meses e como um certo filme de ficção disse nos cinemas: “A ignorância é uma benção”. Qual o sentido de se preocupar e esquentar a cabeça com tudo que não está em nossas mãos para resolver? “Comfortably Numb” é mais que o melhor solo de guitarra do rock n`roll, é o hino do conforto daqueles que preferem fingir não enxergar as verdades dolorosa e nebulosas da vida. Se entorpecer por um mundo melhor? Com Pink Floyd e o David Gilmour, isso faz algum sentido. Ao invés de pensar que usar branco ou ouvir canções felizes sobre superação é o ideal para um novo ano, eu prefiro ignorar a benção por alguns instantes e refletir sobre o que há de bom na vida.


Rock n`Roll @ Led Zeppelin

Como normalmente acontece quando eu estou responsável por alguma coisa, o final é inesperado. O meu top 5 de primeiras músicas de 2011 teve um pouco de tudo, principalmente reflexão e vontade de superação. O mais comum seria encerrar a lista com uma música do Radiohead (“How to Disappear Completely” e seus versos depressivos “I`m not here, this isn`t happening“) e fazer a alegria da nação indie. Pois bem. A última música da minha lista é para chegar quebrando tudo e que, depois de desfrutar momentos de disposição para o recomeço, de superação, de transformações e reflexões, é chegada a hora de recuperar o estado de dormência da mente e simplesmente ligar o piloto automático do inconsequente rock n`roll setentista e das melhores (Beatles who?) bandas do mundo. “Rock n`roll” tinha tudo para ser a primeira música da lista, mas isso estragaria toda a mensagem contraditória, caótica e confusa sobre o começo do ano e sua relação com a música. Afinal, não seria a música o refúgio maior conhecido pela maioria das pessoas que não tem medo de se revelarem sensíveis? E não é a música que eles dizem ser capaz de mudar o mundo e as pessoas? Nenhuma outra arte consegue ser tão completa e impactante quanto o resultado da soma de alguns acordes. O Led Zeppelin foi a banda de 2010 no meu playlist.

Depois do lançamento do disco do Them Crooked Vultures e de uma influência feminina responsável pelo meu encontro místico com “Since i`ve Been Loving You” numa dessas noites que passamos na companhia do youtube, fui tragado para um universo diferente daquilo que eu estava acostumado. As bandas modernas perderam a graça, perderam suas forças e influências. O quarteto londrino acertou um míssil na minha testa e a minha forma de consumir música modificou-se. Deixei de ser um mero adepto dos downloads para me aventurar no mundo dos colecionadores. A coisa toda mudou de figura. Baixar músicas não me realiza da mesma forma que pegar no disco e ouvir num bom (e potente) aparelho de som. Nada contra aqueles que acham (com razão) que a indústria dos cd`s acabou, mas a experiência musical é muito melhor quando se reserva um lugar especial na sua casa para guardar os discos e o grande acervo. Mp3 não é música. Ouvir bandas como o Led Zeppelin nesse formato deveria ser crime. Um crime sério. Mas quem é que se importa com isso no final das contas? Era noite de reveillon e a música precisava continuar, portanto apenas abra os braços, mentes e ouvidos e deixe o amor vir correndo. Principalmente na forma de música.

Se alguém tiver começado 2011 com uma seleção melhor, não deixe de compartilhar. Só não precisam mencionar as doses de tequilas e/ou as excelente(s) companhias. Ou não.

Um feliz ano novo para todos os leitores do RockinPress e eu espero ter um pouco mais o que dizer aqui… o/
Vídeos: Arcade Fire, Sufjan Steavens, Klaxons e Spoon


Esse aí é o clipe oficial de “The Suburbs”, canção título do último álbum do Arcade Fire. O vídeo foi dirigido por Spike Jonze.


“Too Much” é um clipe esquizofrênico criado para ilustrar o primeiro single de The Age of ADZ, novo álbum de Sufjan Steavens.


Klaxons e seu vídeo NSFW para a ótima “Twin Flames”. Um clipe cheio de mulheres nuas numa orgia erótica com os integrantes da banda, só que…


E por último, o Spoon mandando “Nobody Gets Me But You”, faixa de Transference, último álbum deles.

Notas: R.E.M., Beck, Arcade Fire e Ok Go

+ Definidas algumas participações me Collapse Into Now, próximo álbum do R.E.M.: Eddie Vedder (Pearl Jam) canta em “It Happened Today”, Patti Smith aparece em “Blue”, e o Peaches dá as caras numa música que ainda não foi nomeada. O álbum é esperado para o primeiro semestre de 2011.

+ Já o Beck abriu um site para que as pessoas votem em quais músicas refeitas pelo projeto Record Club devem virar um cd oficial. Mediante a cadastro, você tem streaming da sessão completa das versões para Velvet Underground & Nico, Songs of Leonard Cohen, Skip Spence, INXS e Yanni. Clica aqui e mande ver!

+ Aproveitando uma pausa na turnê de The Suburbs, o Arcade Fire já deve dar uma passadinha num estúdio já em janeiro de 2011. A banda também tem o mês de fevereiro como incerto na agenda (América do Sul?), mas março também está reservado para o estúdio. [via]

+ E logo abaixo tem o novo incrível vídeo do Ok Go, para a música “Last Leaf”. É um stop-motion feito de torradas. Foram usadas até 15 por segundo, agora, o que fizeram com os pãezinhos depois é que fica a dúvida.

Notas: Arcade Fire, Fiona Apple, Band of Joy, Mt. Desolation e Darwin Deez

+ Win Butler, vocalista do Arcade Fire, anunciou que deverá deixar a banda nos próximos anos. Butler que estampa junto com sua banda a capa da Spin desse mês, comentou que não se vê trabalhando com música daqui a dez anos, que música pop é coisa de gente nova, e que a separação da banda é inevitável igual a dos Beatles. Que ele tem razão, em parte sim. Só esperamos que antes disso venham muitas outros sucessos feito Suburbs, se não a comparação com Beatles foi um tanto quanto exagerada.

+ Charley Drayton anunciou que está produzindo o novo álbum de ninguém mais ninguém menos que Fiona Apple. A musa que não lança um novo trabalho desde 2005, quando lançou o incrível Extraordinary Machine, deverá está invadindo nossos iTunes no princípio do ano quem vem de acordo com o produtor. Drayton que já produziu cantores como Neil Young, Keith Richards e Iggy Pop foi recrutado pela cantora em 2006 e desde lá vem trabalhando junto com a mesma. Fiona recentemente lançou “So Sleepy” em parceria com Jon Brion para o projeto beneficente Chickens In Love, e você conferiu aqui.

+ A Spinner, como sempre, está com ótimos Streams pra galera que prefere ouvir os álbuns on-line. E essa semana entrou uma bolacha super aguardada, o trabalho solo de Robert Plant, ex-vocalista do Led Zeppelin, que o Rock in Press já havia anunciado. Band of Joy é  blues em sua maioria e conta com uma ótima guitarra pra acompanhar o old rock. Vale apena conferir.

+ Mt. Desolation, a big band recrutada pelos músicos do Keane, Tim Rice-Oxley e Jesse Quin, lançou mais um single. Depois do ótimo “State of Our Affairs”, a banda lança seu novo single “Bitter Pill”. Certo é que de folk ainda não vi nada, mas a música se assemelha muito a fase de ouro do Keane. Será que tudo que tinha de bom na banda migrou com Tim para seu novo projeto? Confira você mesmo abaixo.

+ A revelação indie do ano Darwin Deez, descoberta pelo Rock in Press à algum tempo atrás lançou o clipe da ótima “Constellations”  que está em seu novo álbum que leva o nome do cantor. Confira o vídeo abaixo:

Arcade Fire Divide Palco com Bruce Springsteen, U2, David Bowie, Beirut e David Byrne

Estava vagando pelo Youtube e flagrei alguns vídeos que me obrigaram a mostrar a vocês, caso ainda não tenham visto. É uma coleção de participações especiais do Arcade Fire com artistas consagrados, como David Bowie, Bruce Springsteen, U2 e outros. Dá um confere logo abaixo:


“Keep The Car Running” com Bruce Springsteen num show em outubro 07, no Canadá. O show era do Bruce e só Win e Régine participaram. Eles também tocaram “State Trooper” de Bruce. Mais tarde, em algum outro lugar, eles tocariam ainda “Dancing in The Dark” e a clássicassa “Girls Just Wanna Have Fun”, de Cindy Lauper. (repare no nível de desafina da Régine em “Girls”)


Fãs confessos dos canadenses, o U2 tinha o Arcade Fire como banda de abertura na sua turnê no Canadá, em 2006. Num desses shows, de improviso, as duas bandas se juntaram para tocar a clássica “Love Will Tear Us Apart”, do Joy Division. (Repare no Bono lendo a letra da música toda e engrossando a voz para parecer o Ian Curtis).


David Byrne também não escapou e dividiu “This Must Be The Place (Naive Melody)”, de sua ex-banda, os Talking Heads. As participações rolaram em Nova Iorque e em Los Angeles, que é essa acima, e isso tudo no iniciozinho de 2005. Ah! E tem esse vídeo aqui deles tocando “Crazy in Love” da Beyoncé!


Épica mesmo ficou essa versão de “Wake Up” com participação de David Bowie, no programa Fashion Rocks, em 2005. Eles ainda tocaram no mesmo dia a canção “Five Years“, de Bowie. Em “Wake Up” eles conseguem a proeza de fazer a todos levantarem na apresentação e aplaudirem de pé.


Outro épico é esse vídeo que junta Arcade Fire, Beirut e Final Fantasy no mesmo palco, tocando “Gulag Orkester”, do Beirut.

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