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Resenha: Dimitri Pellz – Trepanador

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Dimitri Pellz

Trepanador é aquele que trepana, perfura o crânio, com o intuito de dar fluxo ao sangue, e assim as novas ideias e pensamentos, e é justamente o que o disco “Trepanador” da banda Dimitri Pellz faz. Após 5 anos de criações soltas, Maíra Espíndola (vocal), Jean Gabriel (bateria), Heitor Chaves (baixo), André Samambaia (teclado e sintetizadores) e Thiago Ferreira (guitarra) lançam seu primeiro e pontual disco.

São 12 canções que na sua maioria tem a composição de Maíra Espíndola e que falam do eu, do outro e dos sentimentos como liberdade, raiva, inveja e até mesmo luxúria. Maíra foge do óbvio nas suas canções, fala de amor, mas não fadado a tratar apenas do querer. Como na primeira faixa “Te Permito Voar” onde vemos a despedida, a declaração de liberdade (aparecendo em forma de poema fraterno e amigável). Ou como na faixa “Ted Anda Nú” que sentimos a liberdade implícita no personagem, que não precisa de vestimentas para viver nesse mundo.

As personas, aliás, são peça chaves nas composições: Ted, Vera, Lúcia Lambidinha, a flecha e até mesmo o Lobo são usados como entidades na poesia. Eles são recheado de sentimentos tornando-os foco principal. Ted e sua liberdade, Vera e sua inocência, Lúcia e a carência.

Apesar de terem uma construção poética, as canções do grupo estão longe de parecer enfadonhas, Dimitri Pellz é um rock rápido, agitado como um louco preso em sua camisa de força, que arranca o tecido com os dentes. “Flecha”, “Lobo”, “Dance With Fire” por exemplo, conta com boas guitarras e efeitos viciantes na linha de baixo. Outro destaque são para as teclas de André Samambaia, “Cadência Perfeita” e “Vodka” não teriam a mesma graça.

O interessante nesse pacote com doze músicas, é que ele condensa diferentes fases da banda, um momento mais triste, outro mais denso e rápido e a passagem – que se concentra mais no fim do álbum – pelo sarcasmo escrachado com hits como “Vodka” e “Lúcia Lambidinha”.

Dimitri Pellz é uma banda que teve uma evolução musical dentro de si mesmo. As poucas experiências desse grupo fora do seu estado ou cidade o fizeram recriar o ambiente que estava ao seu redor. Os membros definem “Dimitri” como um revolucionário russo que fugiu no meio da guerra fria que ou se tornou travesti ou morreu (nunca se sabe) e esse mistério confuso  beirando o demente diz muito sobre eles.

 

Nota: 8,0

Música:  Ted Anda Nú

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