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Filipe, nome por trás de Barro, bateu um papo com a gente pra contar mais novidade sobre o novo disco que está a caminho, sua relação com a construção e desenvolvimento de Somos, além de falar sobre as colaborações e contribuições par ao disco.

O segundo disco deve chegar mais eletrônico, e manter-se com letras consistentes e atuais. Uma boa degustação sobre o que vem vindo é o lyric vídeo da faixa-título. Com uma letra forte e bastante clara, Barro sentiu que chegou o momento de se posicionar perante às estranhezas que vivemos no mundo atualmente.

Barro – Somos (Lyric Vídeo)

No excelente Miocárdio você trouxe um disco cheio de nomes interessantes e contou com muitas participações especiais. Para o segundo disco da carreira solo essas presenças também acontecerão?

Eu até tentei segurar a mão. Mas acho que essa é uma característica minha. Música tem a ver com encontro e criativamente com combinações de elementos. No disco Somos isso rolou da mesma maneira, mas de uma forma diferente. Tentamos resolver a maioria das coisas comigo, Guilherme Assis e Ricardo Fraga, e em cada música algumas pessoas se agregavam a esse núcleo. Esse trio é que está produzindo a parada. No final vi que é um disco com muitas participações também, mas esse é diferente, tem uma presença marcante de uma nova geração de instrumentistas espetaculares de Pernambuco.

O que podemos esperar o segundo disco no quesito sonoridade?

Acho que o vai se destacar é a sonoridade mais eletrônica e a utilização de samplers. Não apenas de sons inseridos de outras gravações mais sons de filmes, ruídos, efeitos sonoros e a própria voz manipulada e virando um instrumento, em regiões mais graves ou bem mais agudas.

A faixa-título do disco é assinada por você, Guilherme Assis e Ricardo Fraga e parece apontar para um pensamento e o desenvolvimento de uma coletividade. Como tem sido o processo de construir o disco ao lado deles? A presença deles tem incentiva a pensar em possibilidades a partir do coletivo?

Sempre tive banda, é natural pra mim pensar coletivamente. No primeiro disco pensei cada música como se estivesse criando uma banda exclusiva para cada canção. Ricardo e Guilherme me acompanham no palco. E fomos encontrando uma liga no processo dos shows, que tem a ver com a busca de ser um power trio contemporâneo, com samplers, programações, projeções. Fomos sentindo a necessidade de pensar o todo, a estética geral do trabalho, a conexão entre as músicas, a sonoridade ampla. Somos também tem algo de filosófico sobre pensar os coletivos, a coletividade, o que fazemos enquanto indivíduos, sociedade, casais, amigos, o que diz respeito ao nós.

Ao escutar “Somos” pela primeira vez me lembrei de “Piso em Chão de Estrela”. As letras dão espaço para uma imagem do popular, como uma forma de pensar que “a festa é popular” ainda que sejamos “do tempo do retrocesso”. Como você tem pensado o tempo presente e como ele te influencia artisticamente?

As duas canções usam referências mais diretas a ritmos tradicionais, ciranda e forró/coco. Vou e fui para muitas festas de música popular e isso sempre me inspira, quando comparo aos outros ambientes sempre pensando numa lógica de patrocinar cada brecha de visualidade possível. Somos traduz muito do que eu quero dizer, nela mesmo. Ela fala de uma esperança lúcida, uma esperança apesar de tudo. Sou esperançoso porque acho que isso é um motor da transformação e de justificar nossa existência mesmo. Mas essa música fala também da nossa identidade nos dias atuais de já ser algo fruto do concreto, da poluição, do plástico. Da busca do amor, mesmo com tanta lama.

Quem é o Felipe depois de Miocárdio e agora em Somos?

Sou o mesmo, mas sou outro. Feliz de poder existir, de poder tocar, de poder levar algo para as pessoas que sai de mim, das minhas vivências, e ver que isso pulsa em outras pessoas. O Somos surge disso, de sentir a pulsação coletiva. O fato de ter rodado pelo Brasil, me transformou, vi muita coisa, conheci muita gente, me expus, me joguei, me encantei por muita coisa, mas também descobri mais quem eu era e quem estava comigo no front. E que as coisas têm mais sabor se são divididas.

O disco será lançado em Agosto, como está o processo de finalização? Já tem previsão de shows?

Nós estamos em processo de finalização. Gravamos até a próxima semana tudo que falta. Vamos encerrar o shows do Miocardio já tocando o single novo. Passaremos por São Carlos, Rio de Janeiro, São Paulo e em agosto vai rolar Recife e João Pessoa e podem rolar mais coisas.

Barro – Somos

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Produtora cultural, redatora do RockInPress e da Alpaca Press, poeta, colagista e adepta de diferentes formas de expressão da arte. Criou À Margem para difundir seus trabalhos e promover o diálogo entre as diversas vertentes que a cercam.

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