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É interessante acompanhar o crescimento de artistas que se empenham em aprimorar o que fazem e reconhecerem a necessidade de investir nesse aperfeiçoamento. Os caras da MDNGHT MDNGHT carregam essa vontade e apresentam o resultado desse trabalho com Colora, segundo EP da banda, lançado recentemente.

Contando com várias participações especiais – Mariano Toniatti (percussão), Raphael Homar (flauta), Chico Oswald (sax) e Júlia Melo (vocais de apoio) – Colora traz canções em português, uma novidade no histórico da banda que no primeiro EP Adventure (2015) fazia composições apenas em inglês, um som mais refinado e um trabalho audiovisual que consegue acompanhar e abarcar a essência das canções. Produzido e mixado por Ricardo Ponte o EP mostra um som pop com um pé no psycho.

O clipe de “Nossa Hora” é um bom cartão de visita da banda. As influências musicais e visuais, o som dançante e envolvente são um convite para conhecer mais de perto o trabalho de Henrique Cintra, Henrique Biu Rodrigues, Maurício Barcelos e Anderson Freitas.

Conversamos com os meninos sobre o novo EP, a mudança de baterista e eles acabaram contando uma curiosidade sobre o clipe de “Nossa Hora”. A entrevista você confere abaixo:

MDNGHT MDNGHT – Colora

Do ADVENTURE para o COLORA, como vocês veem a evolução e crescimento do som de vocês?

O Colora apresenta composições mais maduras e concisas, mais vívidas e insólitas. Quase todo em Português, concretiza nosso interesse em assumir o idioma nativo definitivamente. De maneira geral, simboliza nosso esforço em unir objetividade com excentricidade, musicalizando esta e outras ambições da segunda fase da banda.

A presença de outros instrumentos nesse EP (como a flauta e o sax) foi algo planejado desde o início ou foi uma demanda que veio aos poucos?

A ideia de usar instrumentações menos comuns no nosso nicho vem desde o primeiro EP, mas foi apenas nesse em que houve de fato um espaço para que isso pudesse sobressair. Com um pouco mais de tempo pra investir, conseguimos unir linhas compostas previamente com liberdade para os músicos de apoio. A ideia é que seja uma característica do nosso som “de estúdio”, nos próximos materiais também.

Como foi compor em português? E o processo de gravação?

Um desafio, já que compor em português nunca foi uma zona confortável e por isso demandou muita confiança. Criar esse hábito acabou sendo muito mais natural do que imaginávamos.

O processo de gravação foi longo (1 ano) e exaustivo, mas no final o resultado foi muito gratificante e o conhecimento acumulado durante o processo foi um grande aprendizado para todos. A recepção tem compensado cada esforço.

MDNGHT MDNGHT – Nossa Hora

O vídeo de divulgação do EP segue uma sequência de 19 minutos de pura cor. A ideia de vocês (para produção toda) era apresentar um trabalho audiovisual que acompanhasse esse ritmo colorido? O trabalho audiovisual, de todo o EP foi concebido por vocês?

Sim, nossa ideia sempre foi ter um aliado visual para “prender” a atenção do ouvinte. Quisemos oferecer uma experiência completa para recompensar as pessoas que tenham o tempo, o desejo e o empenho de ouvir as músicas como um “todo”. As projeções foram concebidas pelo artista local Maurício Chades (LENI), que interpretou visualmente nossas descrições.

O clipe de “Nossa Hora” me fez lembrar de “Hit” da Mahmundi, e é evidente essa influência dos anos 80! Como foi a concepção do clipe?

Foi o clipe que nós sempre quisemos fazer, pois é um ponto de encontro entre as principais influências estéticas e musicais que nos identificamos. Materializa uma ousada estratégia de assumir um conceito mais sólido, por vezes renegado ou esquecido, mas sempre valorizado quando bem executado.

A bateria do EP é assinada pelo Valério, mas vocês passaram pela mudança de baterista recentemente. Como foi esse momento de transição? Ele interferiu no processo de gravação do EP?

Foi levemente desesperador. Apesar de já estarmos cientes de sua saída desde o meio do processo de gravação, o Valério foi totalmente responsável pela composição e execução das baterias no EP. Paralelamente a isso, trabalhamos com o Anderson para podermos dar sequência aos shows e músicas novas. Uma curiosidade: no clipe de “Nossa Hora”, o Anderson aparece como o saxofonista misterioso.

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Produtora cultural, redatora do RockInPress e da Alpaca Press, poeta, colagista e adepta de diferentes formas de expressão da arte. Criou À Margem para difundir seus trabalhos e promover o diálogo entre as diversas vertentes que a cercam.

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