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Resenha: Lenhador, a introspectiva estreia solo de Marcelo Perdido

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Assim que oficializou o fim da hidrocor, Marcelo Perdido anunciou um novo momento em sua carreira. Em voo solo, mas não sozinho, o artista lança Lenhador, um belo registro pautado pelo minimalismo de arranjos e grandeza de sentimentos. As músicas soam como pequenas confissões cotidianas, uma reunião de histórias, aflições e angustias. Perdido canta baixo e expõe com certa timidez e delicadeza seu universo, o que contribui ainda mais para a imersão no álbum.

Em 12 faixas, o músico toma a liberdade de transitar entre diferentes sonoridades e experimentar formatos distintos para cada uma de suas canções. A base fica mesmo por conta dos violões. Baixo e bateria aparecem em alguns momentos, ou, como o próprio compositor diz, surgem “apenas quando são convidados”. Ele, que também é diretor e fotografo, ainda se vale de vídeos para ilustrar e amarrar as histórias contadas em suas canções.

Perdido se distancia da estética que permeava o trabalho de sua antiga banda. A produção do disco é de João Erbetta (Marcelo Jeneci) e Felipe Parra (Hidrocor), que apresenta uma sutileza nas melodias e favorece a percepção dos elementos presentes em cada faixa, dando destaque para as composições. Com Lenhador, o artista envereda por caminhos mais reflexivos, como na bela “Aritmética”,  na introspectiva “Balela” e na divertida “Sacolé”, conduzida pela cantora Laura Lavieri (Marcelo Jeneci).

Talvez, o grande trunfo desse trabalho seja a habilidade do autor transpor a barreira do individualismo, permitindo com que sua obra seja acessível. Apesar de autorreferentes, as músicas são tangíveis e de fácil identificação. Seja sentindo falta de uma velha amizade, cercada por desencontros de “Meu Maravilhoso Amigo Meu”, seja no rancor comedido de “Ê Pimenta” ou na fuga de um desamor, cantada em “Pendura”, o músico descreve cenários comuns a qualquer pessoa. Afinal, quem nunca sofreu por amor, passou por brigas de casal como a de “Creme Brulée” e pensou em fugir para “Paquetá”?

O disco é despretensioso, envolvente e explora a sensibilidade das canções que o compõe. Lenhador parece ter sido feito para o outono, estação em que é preciso perder para renovar. Marcelo Perdido é assim. Após o fim da hidrocor, o músico encontra um novo momento de acertos em sua carreira solo.

O show de estreia será nesse domingo, dia 30 de março, na Casa do Mancha, às 17h. Mais informações no link.

Nota: 9,0

Ouça e baixe o disco aqui

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