Just a Fest: O Festival

Just a Fest: O Festival

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O que nós presenciamos neste último final de semana foi, sem dúvida, algo acima da expectativa. Foram 54 mil pessoas em duas cidades berrando suas emoções, escorrendo suas lágrimas e o seu suor. E ninguém melhor que uma pessoa que foi nos dois shows para fazer uma avaliação técnica da primeira edição deste que promete ser um novo festival anual.

A primeira coisa que me vem a cabeça foi, com certeza, a qualidade do som apresentado no Festival. Sem dúvida, de um nível muito maior que o de outros festivais brasileiros. Todos os instrumentos estavam ali, totalmente audíveis a qualquer distância. Mas também não foi perfeito. No Rio, o som dos Hermanos estava muito baixo, com a caixa abafada, além do microfone de Camelo falhar na primeira música da banda. Ainda houve pequenas microfonias e eu ouvi algumas pessoas dizerem que a voz de Thom estaria baixa… mas nesse caso eu acredito que o público era que estava cantando alto de mais…

Eu não entendi o porque das luzes da Apoteose terem sido acendidas antes do fim da apresentação do Kraftwerk. Também me aborreci quando, num local sem elevação no terreno e com 30 mil pessoas, como foi em São Paulo, ter o telão, durante o show da banda mais importante do evento, desligado por falha técnica em metade do show. No Rio, o telão da esquerda estava falhando as cores durante o show do Kraftwerk. E por último nessa questão do telão, não entendi porque de telões tão pequenos, com o tamanho do público e o apelo visual das atrações internacionais. Esses telões externos auxiliam, e muito, quem está mais longe. E ainda me assusta o fato de que eles eram menores que, por exemplo, o telão do Canecão.

Os banheiros no Rio estiveram em um momento superlotados, e numa condição meio complicada (vazos entupidos), mas a fila não demorava muito a andar e logo chegava sua vez. Já em São Paulo, o banheiro ficava um pouco longe do palco, mas em grande número. Um detalhe que não me esqueço, é quem em São Paulo, a fila dos homens estava enorme e nem tinha fila nas mulheres, daí alguns homens (+ ou – homens…) foram no banheiro das mulheres… E Deus, que preços foram aqueles? Água = 3, Cerveja = 4 e Refri = 5???

O posicionamento da Apoteose é perfeito para esse tipo de evento. A arquibancada ajuda muito para quem é mais baixinho ou estava cansado, o som é soberbo e o palco fica mais imponente do que já é. Fora o posicionamento – no centro do Rio – tornando manobra fácil se deslocar ao término do evento e ir direto para casa. Já em São Paulo, o festival por pouco não virou um ‘Glastonbury brasileiro’, pois, se a chuva insistisse e realmente derramasse em cima de nossas cabeças, a lama que se formou no canto perto do posto médico teria sido bem maior. Mas por outro lado, os mais de 50 vendedores de capas de chuva que eu vi quando estava indo para o evento, devem ter tomado um puta d’um prejuízo…

A localização da Chácara do Jockey também não ajuda. Eu estava num ônibus a pelo menos 3 ou 4 km do sítio, e tive que descer da condução e ir a pé para não perder o show dos Hermanos todo, o que é uma situação absurda. Ainda tem o morro que as pessoas tem que subir para chegar no palco. Fico com pena de quem chegou lá dias antes para ficar na grade e não aguentou correr até o palco por causa do cansaço. Ainda tem o fato de não ter arquibancadas. Se você está cansado, não podemos fazer nada.

Último reclame: O que foi aquilo na abertura dos portões do Rio? Teve gente sendo literalmente esmagada, entrando em pânico, saindo cortado e a segurança gritando ‘Calma gente”? Além do que, correr a Apoteose inteira quando poderiam ter fechado a rua de entrada na parte do show e montado a bilheteria lá? Desnecessária a situação. Isso não é desfile de escola de samba, é um show de Rock.

Agora, a iluminação estava impecáel no Rio e melhor ainda em São Paulo. Ao contrário do que pensei, as câmeras da Multishow não atrapalharam a visão de ninguém. Os funcionários, na medida do possível, estavam educados, tirando os vendedores ambulantes; verdadeiros trogloditas da educação. Tudo estava muito bem sinalizado, inclusive as ruas próximas da longínqua Chácara do Jockey, além do posto médico e a saída. Uma coisa que não podemos jamais esquecer é: A pontualidade dos horários, com atrasos máximos de 3 minutos, coisa muito rara aqui no Brasil.

Mesmo tendo todos esses problemas, o que se via no festival eram só qualidades, só os críticos chatos como eu que ficavam de olho nesses detalhes. Garanto que foi um sucesso o festival e espero ansioso sua próxima edição, na qual torço ser daqui a um ano.

por Marcos Xi

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Músico multi-instrumentista, DJ, viajante, criador e editor-chefe do site RockinPress, colunista e curador convidado do Showlivre, ex-colunista do portal de vendas online Submarino e faz/fez matérias especiais para vários grandes meios culturais brasileiros, incluindo NME, SWU, Noize, Scream & Yell, youPIX e os maiores blogs musicais do país. É especializado em profissionalização de artistas independentes e divulgação de material através da agência Cultiva, sendo inclusive debatedor em mesas técnicas sobre o assunto na Universidade Federal Fluminense (RJ) e no Festival Transborda (MG).

4 COMENTÁRIOS

  1. Na boa, eu não gostei nenhum pouco do tratamento de infra estrutura que deram para nós público PAGANTE!
    Fui ao Claro que é Rock, ali na Chacara do Jockey mesmo, e tinha um super Lounge, puffs, almofadas, uma estrutura muito bacana mesmo.
    Próxima edição do Just a Fest estarei assistindo em casa de qualquer canal de assinatura.

  2. Po, na chácará foi tenso mesmo, mas no Rio foi super tranqüilo, eu curti mesmo. E eu não entendi a parte de frisar o pagante, eu também fui de pagante…

  3. A estrutura do show realmente deixou a desejar. Acho que quem viu o Festival Terra no ano passado sabe que há sim como fazer algo grande num lugar bacana. Mas fiquei sabendo que o local vai virar um shopping. Enfim…
    Porém nem a espera de 1 hora para sair do estacionamento conseguiu apagar meu sorriso. Mal posso esperar para o ano que vem.

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