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O carioca viajante, Jan Felipe, acaba de lançar o vídeo para “Festa Sem Lugar”, ao lado de Felipe Aguiar no teclado, Deni Takeda no baixo e Thiago das Merces na bateria. Miragens Perfeitas, seu quarto álbum, está sendo lançado de fora gradativa. O músico escolheu divulgar o trabalho faixa a faixa, trabalhando cada composição antes de apresentar o dico fechado.

Jan Felipe – Festa Sem Lugar

Com novas propostas e renovação, Jan conversou um pouco com o Rock In Press para contar as novidades que estão vindo, falar de suas referências e vivências, além de apresentar suas perspectivas ao redor de seu processo criativo. Você pode conferir o papo aqui embaixo:

Como você percebe a influência das suas vivências no exterior (para além das línguas) no seu trabalho? E como o seu trabalho como designer gráfico chega no seu lado musical?
Eu acho que viver em países com culturas diferentes fez com que eu ficasse muito desapegado a estilos e tendências. Às vezes ficava fora do Brasil alguns anos e quando voltava o que era a moda tinha mudado totalmente. Mesma coisa quando ficava anos longe da França. Acho que me fez ver tendências como coisas passageiras e a evitar.
O design me trouxe um processo muito claro de produção, de trás pra frente. Eu tenho um objetivo estético final para cada composição, faço vários arranjos, escolho o que funciona melhor, e experimento os sons que melhor se encaixam depois do arranjo. Sempre dá certo e é como faço com design gráfico também. Troco cores e formas por sons.

O seu desejo de gravar um álbum por ano partiu de onde? O que tem te motivado dentro desse tempo de construção dos novos lançamentos?
Eu tenho muitas composições guardadas e todo mês componho novas. Isso acontece independentemente dos álbuns. Acho que é uma questão de ansiedade. Ver todas essas ideias guardadas me deixa aflito e cada novo lançamento me traz um pouco de paz. O contrário também acontece, esperar um ano pra lançar uma música me deixa aflito demais. Profundamente aflito. Gostaria de poder controlar isso mas não consigo.

Suas andanças pelo mundo culminaram em reconhecimento e acolhimento do público. No tempo que morou em Paris, antes de se mudar para São Paulo, você chegou a fazer shows por lá? Como tem sido a sua experiência com o seu público?
Eu não acho que isso tenha acontecido. O reconhecimento e acolhimento do público. Algumas pessoas espalhadas em vários países gostam muito do que faço. Mas muito poucas. Se tiver mais gente aqui no Brasil seria legal elas se manifestarem.
Na minha última passagem por Paris fiz algumas apresentações em barzinhos. Misturando músicas minhas e covers de todos os tipos, de Nelson Cavaquinho à Elliott Smith. Tudo muito informal, com outros músicos que eu acompanhava ou me acompanhavam. Foi bem divertido.

De onde surgiu a vontade de fazer um álbum com regravações de músicas antigas em formato folk? O que podemos esperar?
Eu passei os últimos anos experimentando estilos musicais muito diferentes. Testando dezenas de sintetizadores e efeitos de guitarra em cada álbum. Acho quero descansar um pouco esse lado. Eu também acho que afastei um pouco os ouvintes com tantas experimentações. Tenho consciência disso. Então gravar músicas antigas num formato convencional é para contrapor isso.

Existe um projeto, ou um plano, sobre a volta aos palcos em 2019?
Quero voltar a fazer shows em 2019. Com a mesma banda do vídeo de Festa sem lugar. Como tenho emprego fica um pouco complicado viajar muito. Mas shows em São Paulo a cada um ou dois meses vão rolar com certeza.

Haverá outros vídeos no mesmo formato de “Festa Sem Lugar”?
Com certeza! Depois de um álbum por ano meu maior objetivo é gravar muitos vídeos nesse formato. É o que atinge mais gente com o menor custo. Vou variar os locais dos vídeos também, estou procurando novos estúdios para gravar. Eu prefiro vídeos da banda tocando do que eu “interpretando” alguma música. A música sempre será mais importante que a imagem.

Não se repetir e fazer algo sempre novo. Essa busca parte de um desejo de inovação ou de explorar novas possibilidades para a música?
Eu gosto de pensar que eu possa ter, ao longo dos anos, uma música para cada tipo de pessoa. A extrovertida, a introvertida, a urbana, a que gosta de natureza, a pessimista, a otimista etc…
E artista interessante é artista que muda na minha opinião, não necessariamente que evolui, porque não é bem melhorar ou piorar, é mais experimentar. Porque na minha visão da música, variar dentro do rock ou da mpb é entediante. Me interessa gravar música eletrônica, depois folk, depois bossa nova e depois não sei, rap ou misturar isso tudo. Porque não?
E também porque novas ideias musicais vão aparecendo. Não controlo tanto. Apenas surgem e eu tento transpor do melhor jeito possível.

O que podemos esperar de Miragens Perfeitas?
Uma busca pela originalidade. Temas pessoais misturados com temas universais. E mensagens subliminares não tão subliminares assim.

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