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A relevância do Festival CoMA no cenário brasiliense é incontestável. Para o público da capital federal, que recebeu o evento com entusiasmo, foi um acontecimento fora da curva e muito bem vindo. Isso incluí a importância do festival para os artistas da cidade. Poder tocar em casa ao lado de grandes nomes da música independente é, sem dúvida, um momento de prestígio e alegria. Nomes como Kelton, Adriah, Aloizio e Transquarto puderam levar suas músicas a ouvidos ainda desconhecidos.

O clima amistoso cercou os dois dias de festival. No meio do Planalto Central, entre o Planetário e o Clube do Choro, a terra vermelha não foi problema para quem quis se divertir e desfrutar de shows excepcionais. Público e artistas se misturaram para viver uma experiência inédita em Brasília.

De maneira geral, a cidade carece de lugares para que os músicos, bandas e cantores possam se apresentar, além de contarem com um público muito restrito. Fatores como A Lei do Silêncio e a escassa visibilidade contribuem para uma baixa receptividade e alcance. Sendo assim, o Pitch foi uma boa oportunidade. Um espaço para que jornalistas, produtores, assessores e demais envolvidos no cenário musical brasileiro pudessem conhecer mais de perto o trabalho realizado no Distrito Federal.

foto: Tayane Sampaio

Festival CoMA 2017: momentos singulares

Melodia foi o grande homenageado do Sábado. Muitas palmas, gritos e relatos sobre sua relevância dentro da música brasileira. Silva, cantou “Pérola Negra” e foi acompanhado por um público que não exitou, Emicida chamou a galera (diversas) vezes para aplaudir o compositor, já Rico Dalasam soltou um “Viva Melodia!” que contagiou todo mundo. Bonito ver que a memória, de um grande nome da nossa cultura, segue forte e firme, influenciando tantas pessoas.

Baleia sempre surpreende. Com um show dançante e envolvente, levaram o público ao delírio. Ventre, que não deixa por menos, trouxe para o palco toda sua efervescência e força. Carne Doce, chamou o público para perto, sempre. Salma Jô é praticamente um ímã com energia pra dá e dividi.

A presença da banda carioca R.Sigma foi um dos grandes agitos do festival. Foi a primeira vez que pisaram em terras brasilienses. E abriram a onda, que tomou o CoMA, de fazer do palco um espaço de generosidade. Castello Branco, vocalista da banda, convidou os amigos do Medulla e Leonardo Ramos (Supercombo) para dividir o palco. Ao fim do show, o palco era um lugar de celebração. R.Sigma, Medulla e Supercombo, em peso, ali. Como se fosse três shows em um só.

Uma das atrações internacionais, os uruguaios, Cuatro Pesos de Propina uniram-se a francisco, el hombre e fizeram a festa por onde passaram. Tocaram inicialmente no palco do Clube do Choro, revelando ao público que ficar sentado não era uma opção. Quando a banda brasileira-mexicana subiu no Palco Norte, convidaram os amigos para cantar junto. Essa troca, no palco, faz parte do Romper Fronteras, movimento que busca unir os países da América do Sul pela música.

Far From Alaska apresentou um show novo e fez o público ferver. Dando 100% de seu potencial foram recebidos por vozes animadas e dispostas a cantar tudo embora tivessem lançado o disco novo Unlikely a poucos.

foto: Tayane Sampaio

Festival CoMA 2017: reflexões

CoMA significa Convenção de Música e Arte e uma das intenções do festival foi promover a interação e o diálogo entre as diferentes frentes do cenário musical brasileiro. As palestras, mesas redondas e debates tiveram como principal objetivo fomentar discussões necessárias dentro desse meio. Mas aqui podemos perceber que a produção do evento cometeu alguns deslizes. Algo falar sobre inclusão social e representatividade é preciso ver, e haver, pessoas que de fato representem essas minorias.

Fazer esse movimento seria como levar os shows para as palestras. Pegar a consciência política de Larissa Luz, Emicida, Rico Dalasam para a roda de conversa, discutir sobre a ascensão desses artistas, pensar como e porque é tão difícil chegar onde eles estão e como as questões raciais e de gênero interferem nesse percurso. Olhar para Jaloo e debater sobre porque sua naturalidade frente a grandes públicos é importante. Sem esquecer da necessidade dos discursos de Larissa Conforto, baterista da Ventre sobre femincídio e presença da mulher na música.

É preciso aproveitar os exemplos presentes no palco, do próprio evento. Pensar na importância da presença deles ali. Tornar isso um debate dentro do meio musical brasileiro. Não é só dançar ao som de suas músicas mas compreender o percurso.

Pensando na infraestrutura do Festival, programado para receber 20 mil pessoas, algumas ressalvas precisam ser feitas. Embora o público tenha chegado a 6 mil, no Sábado, e 8 mil, no Domingo, não foi possível assistir a todos os shows considerando a lotação máxima do Planetário, por exemplo.

Não haviam filas monstruosas para comer ou utilizar os banheiros, nada de empurra em empurra nos shows, ou tumulto ao transitar pelo festival. Porém, é necessário considerar a relevância de possibilitar ao público ver a maior quantidade de shows possível. Assim como tentar minimizar os atrasos que chegaram a uma hora no palco do Clube do Choro.

foto: Tayane Sampaio

Festival CoMA 2017: expectativas

Não há dúvidas de que o público espera por uma edição 2018, ou, quem sabe, uma ocorrência anual do evento. Possibilitando pensar em música sustentavelmente e relacionando-se a produção artística local. Basta olhar os depoimentos no evento do Facebook para confirmar o fato.

Brasília merece um evento a altura para chamar de seu. O CoMA tem potencial e público para isso. Aqueles que não conheciam as bandas do lineup puderam se divertir, aproveitar shows efervescentes e conhecer nomes em ascensão e consolidados da música brasileira.

A sede da capital federal por eventos culturais é gritante e sua vontade e alegria de comparecer a festivais assim também. Esperamos que o Festival CoMA 2018 se torne realidade.

 

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