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Entrevista: Com citação a Claudinho e Buchecha e influencia de Thom Yorke, Phill Veras fala de novo disco.

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Ao dar play no segundo disco do maranhense Phill Veras você redescobre o seu som. De cara, no primeiro minuto da primeira canção, você nota a timbragem oitentista dos teclados, a predominância de guitarra e aquele antológico verso do funk melody carioca: “Sabe, tchururu”, vindo de “Conquista”, do Claudinho e Buchecha, em uma citação que seus fãs, pelo menos boa parte, nem tinham nascido quando a dupla a lançou, em 1996.

Phill ainda é um jovem que busca mostrar sua música de maneira plena para o país, se despindo em letras pessoais cantadas com calma por uma voz doce, aconchegante, guiada por um instrumental que varia conforme o momento. Para Carpete, seu novo disco, prefere sons mais densos e climáticos, mas flerta com a nova MPB, safra que vem sendo referido como uma das grandes promessas a despontar.

Suas palavras ainda são tímidas e influenciadas pela curiosidade de opinião sobre seu disco, por querer saber a posição das pessoas sobre o que a sua música passa para os ouvidos alheios. Trata a sinceridade com aproximação, assume críticas e se posiciona com a simplicidade de quem divide uma cerveja no bar, conversa com um desconhecido na fila do banco ou num bate-papo num chat de alguma rede social. Um bom e simpático menino.

Estou aqui ouvindo seu disco novo. É sério que a primeira faixa tem uma ligação com “conquista”, do Claudinho e Buchecha?
Rola uma citação, sim. Uma brincadeirinha. Massa que tu sacou. Vamos ver se alguém mais vai sacar.

A letra também carrega uma temática parecida com a original. Mas gostei sim. Na verdade, mais que o Gaveta.
Porra, massa! Fico feliz pra caralho. Agradeço, querido. Logo logo tem show, vamos lá!

Esse novo disco se aproxima mais da climática densa do EP, que foi onde te conheci. O som o disco anterior é mais na MPB e desta área já temos uma área bem vasta de artistas.
Rapaz, eu também acho. E to sentindo a mesma coisa que senti quando lancei o ep. To curtindo bastante.

Mas porque um disco logo agora, menos de um ano depois do Gaveta?
Cara, eu ja vinha trabalhando o Gaveta a dois anos, mesmo sem o cd pronto. Era o repertório dos shows, só não tinha o cd.

Mas você acha então que seu público pode estar potencialmente cansado do repertório? Foi uma escolha de cansaço seu do repertório e não estratégica para levantar sua imagem?
Cara, foi mais cansaço mesmo. Já tava na pilha pra gravar musicas inéditas há um tempinho. Me sentir renovado.

Senti você meio sumido do início deste ano para este lançamento. Aconteceu algo ou estou enganado?
Rapaz, tava numa correria com o disco mesmo. Uma correria mais tranquila, na verdade. Escrevi muitas musicas, gravei bastante coisa. Ouvi muita musica também. Comprei até um fone bom, rapaz!

phill veras taquicardia

Ouviu o que, por exemplo? O que te influenciou nestas novas músicas?
Ouvi Eraser do Thom Yorke, Clube da Esquina, Mac Demarco, Lorde… Umas paradas que não ouviria em 2012.

E porque esta ‘liberdade’ agora?
A procura da batida perfeita! (risos) Cara, não sei. Respirar novos ares é bom. Depois quero pegar uns discos bons contigo! (risos)

E achei que esses novos ares fizeram um grande reflexo no disco e ao mesmo tempo você concordou que está numa atmosfera mais próxima do EP. O que você ouvia na época do EP?
Ouvia muito Caetano, Camelo, Chico… Ainda ouço bastante.

Alias, e o DVD?
Tá na edição. Agora vou focar nesse lançamento. Tava muito ocupado com o disco.

Ou seja, esperar turnê, clipes e tudo?
Do disco, sim. Quero preparar um material legal. To na pilha pra fazer um clipe. Quando a ideia vir, rolará

Dá para notar que você está muito empolgado com a novidade recente da sua carreira
Tô bastante ansioso, cara. Não vejo a banda faz um tempinho.

Mas ansioso pra que, especificamente?
Ensaios. To louco pra ensaiar com a banda.

Música para você parece ser estado de espírito e que move seu interior, acredito.
Deve ser, Marcos

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Carpete está disponível para download gratuito aqui.
Fotos por Fernanda Cuenca.

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Músico multi-instrumentista, DJ, viajante, criador e editor-chefe do site RockinPress, colunista e curador convidado do Showlivre, ex-colunista do portal de vendas online Submarino e faz/fez matérias especiais para vários grandes meios culturais brasileiros, incluindo NME, SWU, Noize, Scream & Yell, youPIX e os maiores blogs musicais do país. É especializado em profissionalização de artistas independentes e divulgação de material através da agência Cultiva, sendo inclusive debatedor em mesas técnicas sobre o assunto na Universidade Federal Fluminense (RJ) e no Festival Transborda (MG).

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