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Resenha: Festival Fora do Eixo RJ 2° Dia @ Teatro Odisséia, Lapa-RJ 13/05/10

São seis horas da manhã, e após duas horas e meia de viagem, desemboco em meu quarto esse corpo cansado, vindo de mais uma catártica noite Rock n’ Roll produzida pela gloriosa e salvadora cultural Ponte Plural. A meia lotação era facilmente explicada pelo fato de ser uma quinta-feira, mas contradita pelos estelar line-up independente brasileiro – quem perdeu, se f…

Banda Tereza

A banda Tereza entende o que é Rock. Trabalha cada coro e interjeições em suas músicas com o mesmo interesse em ser a solução carioca para outros Moptops, mas sabendo que a guitarra não precisa ser sempre Strokes e a cozinha ainda pode ter um respaldo Surfmusic e Leste Europeu. A movimentação no palco é incessante e a insistente procura na afinação certa para executar cada canção, mostram um rock bem montado, dançante e de fácil aceitação do público, só faltando se organizar melhor no além-show.

Entre uma música nova aqui outra ali, o som da Tereza parece mais unido e bem ensaiado, um tanto diferente de três meses atrás. Como de costume em seus um ano e meio de banda, já entraram com o público ganho e foram arrecadando vários novos seguidores durante a performática atuação do vocalista Vinícius Louzada. Um comparativo direto à mistura de sons e animação em cima do palco, seria com os ‘internacionais’ Gogol Bordello, e toda sua inquietude organizada no tablado. Mais um ótimo show do Tereza, e o Nevilton não para de ficar andando por aí abraçando uma garrafa de cerveja…

Brasov

Já o Brasov, entra com renome na cena e o fato de serem os mais antigos na estrada. Por volta das 22:30, a banda se encontrava no meio da Lapa, ao lado do Circo Voador, passando o som dos metais e organizando tudo normalmente, como se fosse normal encontrar trompetes e sax no meio da rua fazendo um som mesclado e trabalhado até a última dissonância. Calcado em versões pouco convencionais de clássicos da música, o show é parte instrumental (que ilustra magnificamente a qualidade técnica dos músicos) e a parte onde são cantadas inimagináveis versões e canções próprias (que só mostram a criatividade que eles guardam).

Quando a magistral versão de “Masculino e Femino”, de Pepeu Gomes, abriu caminho, os pézinhos dançantes da platéia já balançavam de um lado pro outro e a entrada de “Kalashnikov” foi a ponte perfeita para surpreendermos com uma versão de “Toxic”, de Britney Spears – versão que, aliás, perdeu toda a sensualidade e ganhou em energia. Vale o destaque para as roupas ‘esporte da década de 70-80′ e a touca ninja que o baixista Lucas Macier usava. A troca de bateristas, algumas dancinhas ensaiadas e a participação tímida de Fernando Oliveira, do Canastra, tocando trompete  no meio do público, também diferenciaram sem perder a qualidade e a energia irreverente. E o Nevilton só ficava falando que queria metais assim nas suas músicas, ainda abraçado com a garrafa.

Nevilton

O jovem e simpático Nevilton ainda tem espinhas (muitas) no rosto, mas seus olhos verdes só perdem para os poderosos solos de guitarra que ele é capaz de lançar. Nevilton – a banda – é forte, crua e traduz o espírito Rock n’ Roll ao vivo sem medo de errar ou parar no meio de uma música para dar uma golada na cerveja. As linhas de baixo inteligentes e seguras, produzidas por Lobão, mostram o power trio seguro de como tirarem o melhor de seus instrumentose e ao mesmo tempo, animar no palco loucamente com giros, pulos e danças tiradas de onde nenhum Kurt Cobain jamais esteve.

Nevilton ensina refrões, fala bastante com o público, pede movimentação e volta a tirar solos estridentes de sua guitarra, misturando versos de diversas músicas, que vão desde MGMT até “Asa Branca”, do rock ao forró. A banda até ganha um desenho da platéia (do mesmo Fernando Oliveira, do Canastra, banda que toca no dia seguinte no mesmo festival) e arranca gritos enquanto toca suas maiores apostas musicais: “Pressuposto” e “As Máscaras”. Num papo com a banda, eles aunciaram que estarão se juntando a bandas que queiram fazer uma turnê e ainda que já tem um disco inteiro gravado, mas esperando um patrocínio para o lançamento (olha a dica aí, empresas). Enquanto isso, Nevilton para mais uma música para virar mais uma cerveja…

Porcas Borboletas

Denso, energético e surpreendente define a loucura que a casa presencia em cima do minúsculo palco do Teatro Odisséia. Sete cabeças que misturam sons e denominam-se Porcas Borboletas deixaram o público estasiado e surpreendido com a força que o som passa – mesmo sem ter uma definição ou denominação do que eles fazem, é simplesmente surpreendente.

As indescritíveis danças do vocalista Moita e sua roupa mais retrô que o uniforme do Brasov, escondiam um som mais atual e diferente do que poderíamos imaginar. A banda é formada por pessoas visivelmente diferentes, mas focadas numa única coisa: a música. Em diversos momentos, o percussionista Jack (munido desde papelão até lata de tinta) pareceu estar possuído por alguma entidade desconhecida, tamanha a força que se entrega às músicas com seus movimentos totalmente improváveis no palco – e até além dele. Ao fim do show, o coro de bis foi unânime da platéia e mesmo assim deixaram de fora a grande música de seu álbum, “A Passeio”, que posteriormente o violonista Banzo me explicou ser pelo caminho mais lento e diferenciado que a música tem em comparativo com o ritmo do show. Sensacional. Aliás, cadê o Nevilton?

Do Amor

O dream team heróico carioca assina como Do Amor e encerra a noite. Para quem não esperava muitas surpresas, encontrou o baterista Marcelo Callado empenhado e com muita vontade de tocar – talvez pelo seu elevado nível alcóolico. Com isso, o show foi, aos poucos, ganhando ares épicos surpreendentes, com setlist astronômico e domínio total do palco e público.

Os laços de amizade entre os integrantes mostram que o que fazem ali é o que realmente gostam, e cada sorriso que um dá para o outro confirma todo o amor que o Do Amor quer te dar. Somando esse teor fraternal com o teor alcoólico, o show foi se esticando… somando… mais um cover e outra música, até que já não sabiam mais o que tocar. Foram desde suas demos, passando pelo primeiro álbum (que segundo Benjão, sairá em junho) e até músicas inéditas e planejadas para uma já segunda coleção de petardos, provando a longevidade do grupo.

O telão já repetia os vídeos antigos e os seguranças reclamavam com a organização pelo fim do show, pois realmente, uma hora e meia de show numa quinta-feira e em um festival não é pouco, e não é lógico. Apesar da empolgação, a continuação e emenda infinita de músicas e covers, esse tipo de atitude acaba queimando a organização, que praticamente teve que subir no palco para pedir que parecem de tocar, e só arrastando Callado da bateria é que o barulho teve fim. Guitarras e solos loucos, som no talo e qualidade impressionante marcaram esse épico show do Do Amor.

A cena engraçada fica por conta, logicamente, de Nevilton e sua long neck encantada, que pulou e dançou loucamente na frente do palco, arrastou Moita e Banzo do Porcas para o acompanhar, tentou fazer algum barulho doido com o Do Amor e ainda subiu no palco no último acorde do show dos cariocas. Levou o prêmio Pilha Duracell.

Nevilton segurando a fórmula da longevidade.

Impressionante define bem a segunda noite do festival nesta quinta. Orgulho tenho de ver essa cena ganhando forma novamente, e trazendo belos petardos musicais para esse estado, fazendo o espírito rock n’ roll ser mais uma vez coletivo, e feito por coletivos.

Resenha: Festival Fora do Eixo 1°dia @ Cinemathèque, Botafogo-RJ 12/05/2010

Texto por Túlio Brasil, do blog La Cumbuca
Fotos por Juliana Ribeiro

Formado somente por bandas independentes, o festival Fora do Eixo começou ontem com três shows no Cinematheque. Duas cariocas, Les Pops e Os Outros e uma de Brasilia, Brown-HÁ.

Les Pops (pronuncia-se “Lêpóp”, recomendação da banda) adentrou no palco com uma formação inusitada. Sem contrabaixo, duas guitarras, bateria e um grupo de instrumentos raros de figurarem em uma banda pop usados conforme a necessidade, ukelele, sanfona e um banjo. Munição para o suingue predominante no ambiente.

No repertório, algumas canções autorais, destaque para a ótima ‘Quero ser cool’, dedicada aos frequentadores do lugar, e uma seleção exemplar de covers. Daniel, Rodrigo, Thiago e Rapreto tem um gosto exemplar, com Wado, Roberto Carlos, e até Michael Jackson, eles fizeram uma bela mistura na setlist. Demonstram firmeza num ideal de música baseada no groove e bom humor.

Só os mais chatos não caem nas canções. Todas dançantes e algumas com um cheiro diferente, culpa da experimentação com alguns instrumentos. Como o ukelele, utilizado na maior parte do concerto, e a sanfona, inesperada, mas que entrou surpreendentemente bem. Fecha-se um conjunto amigável ao sistema das levadas gostosas e irresistíveis para diversão.

O volume aumentou para a próxima atração. Pautada pelo rock’n roll, o Brown-HÁ se fez fiel toda vida aos mandamentos da arte. Muita guitarra e um vocal mais gritado, não como um vocalista de metal, mas o suficiente para impor pela voz uma personalidade agressiva à música.

As guitarras brasilienses vieram bem intromissivas ao Rio, ansiosas por barulho, geraram orgasmos nos amantes do ‘air-guitar’. A caricatura da peça era João Paulo, o vocalista que não se controla, explorava o palco todo em questão de segundos.

Foram bem no rock, mas a banda podia ter arriscado mais, tentar artifícios para dar mais personalidade ao som e crescer em cima. Em certos momentos a apresentação pode ficar um pouco monótona, pois não muda muito do primeiro ao último acorde.

A lembrança que perdura é a de um show divertido, de uma banda muito mais potente do que aquela registrada em seu EP. Os Outros tocaram logo depois.

E não parecia ser a melhor noite deles. O que eu vi foi uma tentativa meio confusa de pop-rock, “nada pode parar essa confusão”, como a própria banda canta. O som estava meio desencontrado, faltava uma unidade na banda. As piadas fracas também não ajudaram muito o clima do show, que acabou sendo chato.

O festival continua amanhã no Teatro Odisséia com Brasov, Nevilton, Tereza, Porcas Borboletas e Do Amor. Do Amor é uma banda famosa aqui no Rio, agitação garantida; Tenho curiosidade quanto ao Nevilton, que lançou um excelente EP esse ano; Porcas Borboletas é uma das melhores bandas de Minas; Brasov e Tereza sempre fazem shows super animados. Ou seja, você tem que dar um jeito de ir. Promete muito mais que esse mediano primeiro dia.

Resenha: Jay Vaquer @ Teatro Alterosa, BH 08/05/2010

*Essa semana sai entrevista com o artista

Foto por Diego Soares, do site Audiograma

A Rolling Stone Brasil não se enganou quando disse que se Jay Vaquer fizesse músicas em inglês, o público brasileiro que frequenta shows de rock iria se derreter. Por enquanto apenas uma parcela desse público consegue ter a mente aberta o suficiente para perceber que valorizar um cantor nacional não significa ter mal gosto ou algo parecido. Existem artistas que não deixam nada a desejar em comparação com bandas internacionais e Belo Horizonte, depois de mais de 10 anos de espera, pôde conferir no sabado um exemplo dessa safra criativa.  Os fãs lotaram o Teatro Alterosa, um local bem estranho para quem esta acostumado com o empurra-empurra das pistas das casas de shows. O resultado foi um show bem intimista, onde os fãs ficaram tão próximos do palco (poucos foram os que decidiram entrar na vibe européia de assistir shows sentados) que Jay Vaquer chegou a se divertir e comentar que parecia que ele seria ‘atropelado’ a qualquer momento. Aliás, o tom descontraído dominou a apresentação. Jay Vaquer estava muito a vontade e respondia diversas perguntas dos fãs, enquanto apresentava suas canções.

Quinze minutos depois do previsto, o que já é um ponto a ser valorizado na produção do show, a banda entrou no palco com uma formação bem diferente daquela que gravou o DVD Alive in Brazil. Com Kelder Paixa (bateria), Renato Pagliocci (guitarra) e Fernanda Iglesias (aquela mesma baixista linda do clipe de “Cotidiano de Um Casal Feliz”) formam o power trio que acompanha Jay Vaquer nesses novos shows. A primeira música foi “Mondo Muderno”, que nem tinha entrado no refrão quando fez todo o público presente se levantar das cadeiras e grudar no palco. Ficou fácil descobrir quem estava ali de curioso para conhecer o som e quem era fã cativo da carreira do cantor carioca: a molecada gritava todos os versos da música e foi ao delírio quando a banda iniciou “Você não me Conhece”. Com o público ganho logo no começo, as coisas só foram melhorando e o repertório não caiu no marasmo em momento algum. Houve até um momento em que uma fã invadiu o palco no começo de “A Falta que a Falta Faz” e representou os fãs mineiros que esperaram por esse show por tanto tempo. O show continuou com “Cotidiano de Um Casal Feliz”, um de seus maiores sucessos na MTV e das mais conhecidas do repertório do cantor.

Foto por Diego Soares, do site Audiograma

Jay Vaquer fez versões bem distintas de várias canções, dentre elas “A Miragem”, primeiro single do cantor. Uma versão bem superior a original e que funciona como uma máquina do tempo para 10 anos atrás, quando conheci o trabalho dele e tinha os meus quinze anos. Boa parte do público presente no show devia ter entre 16 a 20 anos, o que chega a ser curioso perceber que existem sim jovens interessados em acompanhar artistas que tenham algo bom para acrescentar. E nas músicas de Vaquer, esse público carente de referências musicais inteligentes, encontra um prato cheio: além de compor excelentes letras, o cara consegue se reinventar facilmente em arranjos sofisticados para as músicas antigas.

Durante a apresentação foi possível perceber as diversas referências musicais que cercam as músicas de Vaquer. A mais marcante é a dos vocais agudos de Jeff Buckley, que são evocados em faixas como “Idade se eu Quiser” (que foi o melhor momento da cozinha da banda) e, principalmente, “Breve Conto de um Velho Babão”. Já na introdução de “Abismo” o power trio mostrava toda a força, remetendo ao som de várias bandas de new metal, o que acabou resultando em um dos momentos mais intensos do show. E as referências não ficaram apenas nas canções. O cantor/dançarino Fred Astaire surge no nome da canção responsável pelo segundo momento mais bonito do show: “Quando fui Fred Astaire” é uma balada lenta e com uma letra simples, que conquista facilmente. Jay mostrou maturidade e em meio aos pedidos dos fãs, cantou trechos de diversas faixas ‘a capella. Uma pena que uma de suas melhores músicas tenha ficado apenas nessa: “Estrela de um Céu Nublado”, que conta com a participação da cantora Meg Stock, ex-Luxúria. A ausência da música foi compensada com a interpretação energética de “Pode Agradecer”, que também ganhou uma versão bem diferente. “Longe Aqui” encerrou a primeira parte do show.


“Quando Fui Fred Astaire”

Na volta para o bis, Jay comentou sobre o disco que a sua mãe vai lançar no segundo semestre e resolveu arriscar com uma música pouco tocada ao vivo: “Alguém no seu Lugar”, que resultou no momento mais bonito do show. Acompanhado apenas da guitarra de Renato Pagliocci, Vaquer cantou os versos que em breve poderemos ouvir na voz de Jane Duboc e Milton Nascimento (e concordo quando ele diz que vai ser uma versão matadora, já que  a música é linda). Ao som dos versos “sem você eu deixo de ser o que desejo, eu não sei reconhecer o que não vejo. Não vou fabricar alguém para o seu lugar”, alguns casais se colaram e tiveram o “momento romântico” da noite. Difícil resistir. Para o encerramento, Jay Vaquer e sua banda tocaram “Formidável Mundo Cão”, que tem uma das letras mais provocantes com versos que ironizam religião, política e a justiça. Apenas mais um exemplo do motivo que faz Jay Vaquer ser considerado como um dos melhores compositores nacionais dos anos 2000, ao lado de Marcelo Camelo, Rodrigo Amarante, Sergio Filho e alguns poucos.

Resta esperar agora pelo próximo show, previsto para o segundo semestre junto do lançamento do novo trabalho. Os mineiros agradecem e fica a esperança de que mais pessoas tenham acesso ao trabalho de Jay Vaquer e tenham a mente aberta para apreciarem sem medo.

Mombojó @ Oi Futuro – 23/04/2010 Ipanema-RJ

Há pouco mais de um ano, o Mombojó colocou 3000 pessoas dentro do Circo Voador extasiado, num show fervoroso que nós também participamos. Agora, a banda encerra a programação musical de abril, na belíssima casa Oi Futuro Ipanema, onde os grupos pernabucanos ganharam espaço entre intervenções artísticas e peças teatrais que ali são apresentadas.

Os anos de estrada e os ótimos álbuns lançados trouxeram rápido fãs seguidores que sabem muito bem cada letra da banda. Esses fãs foram os primeiros a gritar e pedir o início do show depois de quase uma hora de atraso. Os músicos tiveram diversos contra-tempos, como pneu furado e amplificador quebrado, segundo explicou Felipe S., o vocalista e porta-voz dos poemas complexos que a banda executa(rá) nessa temporada de ingressos esgotados no Rio de Janeiro.

Para essa apresentação, o quinteto optou por um repertório extremamente focado no seu primeiro álbum, o histórico Nadadenovo, incluindo 11 canções das 17 tocadas, sendo que seria 12 se “Realismo Convincente” não tomasse a vaga de “Ser Você”. A primeira parte da apresentação foi destinada as canções mais calmas, interagindo com o esquema teatro pequeno x público sentado. Nessa pegada leve, “Duas Cores” iluminou o palco de forma calma, seguida pela inédita “Casa Caiada”, que figurará no próximo álbum Amigo do Tempo. O público deixou algumas cadeiras vazias para disputar espaço nas laterais e na frente do baixo palco, e mesmo em pé, balaçava a cabeça e cantava as músicas de ponta a ponta, mas sempre baixinho, tímido, na plena falta de costume de assistir um show em um teatro.

Apesar de no setlist estar marcando “Adonay”, a música que seguiu “O Mais Vendido” foi “Adelaide”, para aí sim, Felipe surpreender o público e assumir o erro na versão de “Anarquia” (Ronnie Von) e emendar sem medo e no ritmo da música “Errei a letra mesmo, mas agora já foi. O que importa é o sentimento que passo pra vocês”, arrancando aplausos surpresos dos presentes. Engraçado pensar que a apresentação dos músicos ocorreu durante a música “Merda”, sendo o tecladista Chiquinho o mais ovacionado e o que recebia mais gritos femininos do público.

Aos poucos, as pessoas foram se levantando das cadeiras e vendo o show de sua perpectiva real: em pé. Mas isso só ocorreu depois que “Swinga” deu final a primeira parte e “A Missa” começou o bis rock n’ roll que, se não fosse por “Realismo Convincente”, seria tomado pelas canções do Nadadenovo. Para encerrar, o quase hino “Deixe-se Acreditar” levantou o público e os convidou a gritar: ‘Tudo pode ser, nada vai acontecer não tema! Esse é o Reino da Alegria!”

Como desculpa ao atraso e um afago aos fãs, um segundo bis foi armado e tocado. As escolhas dessa vez se mantiveram com o foco do primeiro álbum e “Baú” abriu lento e romantico, para – depois de muitos pedidos do público – “Estático” encerrar a primeira das três noites gostosas de guitarras pernambucanas. Em seu site, a banda anunciou que o foco dos shows eram os seus dois álbuns e “Casa Caiada”, então provavelmente neste sábado teremos uma enxurrada de canções do Homem-Espuma. Depois, esperaremos ansiosos para que no mês que vem, vermos clipe e mais uma faixa inédita do Mombojó na internet e na sua cabeça.

Setlist:

Duas Cores
Casa Caiada
O Mais Vendido
Adelaide
Anarquia
Nem Parece
Homem-Espuma
Merda
O Céu, O Sol e o Mar
Swinga
——————
Discurso Burocrático
A Missa
Spalsh Shine
Faaca
Realismo Convincente
Deixe-se Acreditar
——————
Baú
Estático

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Texto: Marcos Xi
Fotos: Juliana Ribeiro
Outras Fotos

Resenha: Placebo @ Chevrolet Hall 16/04/2010

(por Patrícia Marcelino)

O Placebo já é figurinha carimbada no Brasil. Anos atrás fizeram uma tour quase que pelo país inteiro e como normalmente acontece com bandas gringas, possuem uma das mais fieis legiões de fãs do planeta. São diversos sites nacionais sobre a banda, são tantas mil pessoas em comunidade do Orkut e isso sem falar naqueles que apenas gostam e escutam de vez em quando. Eu me enquadro nessa categoria. Tanto que quando o Marcos Xi fez sua resenha do último trabalho de estúdio dos caras, onde ele deixou claro o seu descontentamento e o de tantos outros fãs antigos (vale dizer que o Xi é uma daquelas pessoas que mencionei que simplesmente amam a banda), eu discordei de boa parte do que foi dito.

O album Battle for the Sun pode até não ser excelente e do nível dos trabalhos anteriores, mas conseguiu me agradar mesmo com o grande apelo para conquistar novos fãs, que necessariamente não iriam apreciar a pegada original da banda de Brian Molko. Porém poderiamos concluir que, apesar de ser a turnê de divulgação do trabalho, o repertório iria valorizar as clássicas canções do Placebo. Mas foi exatamente o contrário.


Julien (por Fernanda)

Os britânicos se apresentaram em um quase deserto Chevrolet Hall em Belo Horizonte nessa última sexta-feira. Haviam todos os tipos de pessoas no meio do público: de garotas sensuais fantasiadas de Alice (aquela do País das Maravilhas, saca?) até os preferidos do Ronaldo Fenômeno (não estou brincando). Muitos aproveitaram o grande espaço vazio para ficar em seus grupinhos, enquanto uma pequena (mas apaixonada) minoria se espremia na frente do palco.

Exatamente as 22h, as luzes se apagaram e o telão passou a mostrar a imagem de um sol. A trilha sonora escolhida foi abafada pelos gritos ansiosos da plateia que assistiu a entrada de Steve Forrest (baterista), seguido dos músicos de apoio: Fiona Brice (teclado, voz e violino), Nick Gravilovich (guitarra) e William Lloyd (baixo, guitarra). O baixista/guitarrista Stefan Olsdal e o líder Brian Molko (voz e guitarra) entraram na sequência e foram bastante aplaudidos. Sem trocar uma palavra com o público, pegaram os instrumentos e começaram o show.

(por Moema)

As reações variavam o tempo inteiro durante a curta apresentação. Do começo eufórico com músicas como “For What`s Worth” (responsável pela abertura), ” Ashtray Heart” e “Battle for the Sun” para momentos de tédio total em diversas músicas descartáveis do novo album e que poderiam ter sido facilmente substituídas por outras músicas dos discos anteriores. Em seu primeiro (e creio que único) momento de interação com os mineiros, Brian Molko contou uma estranha história para introduzir “Speak in Tongues”, também presente no último disco.

E a ordem do set list não foi nada generosa com os fãs antigos, que só ficaram contentes ao ouvir “Every You Every Me” em um dos melhores momentos do show. A música ganhou uma pequena introdução que dificultou o reconhecimento inicial até os primeiros e inconfundiveis acordes. Pouco depois tocaram “Breathe Underwater”, uma das melhores faixas do novo disco. Pena que o telão estava atrasado e ficou mostrando a imagem da lua até que uma ou duas músicas depois passou a mostrar imagens de pessoas nadando.


Taste In Men ( por Fernanda)

De positivo na apresentação da banda, podemos destacar o cuidado em modificar (ou estragar, dependendo do ponto de vista) canções mais antigas. “Meds” ganhou uma versão modificada e a mesma coisa se repetindo em outras músicas mais conhecidas do público. Uma pena não terem ousado mais e terem deixado a frieza inglesa atrapalhar na interação com o público. Depois de conferir um show elétrico do Franz Ferdinand, fica dificil gostar de um frontman com performance de palco tão controlada. Pelo menos o baixista Stefan atraiu as atenções ao tocar músicas como “Follow the cops Back Home” e mostrar que domina tanto a guitarra quanto o baixo.

Ao todo foram nove músicas do último disco. Com certeza seria aceitável se o disco tivesse a mesma força ao vivo, o que não acontece. O resultado foi um show apático e que se não fosse pela boa forma vocal de Brian Molko, a pegada agressiva no estilo Dave Grohl do baterista Steve Forrest e o charme obscuro do baixista Stefan Olsdal, teria sido desastroso.

(por Moema)

O Placebo tem força e história, mas infelizmente não soube dosar bem na escolha e organização do repertório e ainda por cima foram extremamente burocráticos. Se é para fazer sempre o mesmo show, que seja cada vez melhor e mais explosivo. Como se a repetição fosse algo que valesse a pena ser vista, da mesma forma que o Franz Ferdinand fez recentemente no país. Apesar de tudo, valeu a pena só por terem tocado a sequência “Special K” e “Bitter End”. O gosto poderia ser bem mais amargo ao final de tudo.

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