A expressão é: quanto rock! Móveis Coloniais de Acaju e convidados simplesmente deram um show na edição do Grito Rock Niterói. A noite foi marcada por grandes apresentações e uma energia inigualável provando que rock não é apenas um ritmo, mas sim muita atitude. A forte chuva que caia na cidade afastou a galera farofa, levando ao evento apenas as pessoas que realmente estavam interessadas em ouvir o velho e bom rock e todas as suas variações. Dando um clima extremamente intimista ao show e proporcionando uma troca excepcional entre os artistas e o público.
O evento que ocorreu no espaço Hum Grill em Charitas, contou com uma ótima organização e performances realmente empolgantes, sendo aberto pelo característico som do Madre. A banda que conta com um som bem intenso mostrou logo de cara qual era a vibe da noite. A segunda a se apresentar foi a banda Motherfunk e seu som mais que especial. A mistura de rock e soul proporciona um som muito gostoso de ouvir e uma batida ótima para dançar, e a vibe da banda araribóia realmente animou o público, que era só interação.
Motherfunk
Kátia Dotto
Seguindo na onda de soul quem veio para dar uma quebrada no som mais intenso e colocar a galera para dançar foi a cantora Sabrina Ribeiro. Conterrânea da banda Motherfunk, a cantora provou que tem swing no corpo e que em Niterói ainda se curte uma boa Black Music. Entre covers e músicas próprias ela colocou a platéia para gingar e deixou o terreno preparado para todo o experimentalismo que viria a seguir com Kátia Dotto. Contando com uma banda inspirada e com um baterista radical ela realmente colocou a galera para pular e se divertir com o som , que foi do mais original rock’n roll ao denso experimentalismo – com cover da cantora Bjork. Para fechar, a cantora ainda encenou uma música peruana onde provou todo o potencial de sua incrível voz, deixando a todos muitos impressionados com sua performance.
A atração principal da noite o Móveis Coloniais de Acajú falou um pouco conosco sobre as novidades da banda. O baixista Fábio Pedroza contou-nos que o 1º DVD da banda estão na parte de término da mixagem e irão para edição na TV Brasil. O lançamento deverá ser para meados de Junho. Ele também comentou sobre a incrível energia e a diversidade de público na gravação do mesmo. André González nos falou um pouco também da incrível comemoração na recepção dos calouros da USP (no dia anterior ao show) e do engraçadíssimo video de “Adeus de Carnaval”, que de acordo com o vocalista foi extremamente espontâneo e divertido.
Em seguida, os caras do Móveis – que já circulavam pelo lugar durante todo o evento – subiram ao palco e cumpriram sua missão de contagiar a todos que estavam no espaço. Com a energia de sempre, André González e cia começaram com a fantástica seqüência de “O Tempo”, “Descomplica” e “Cão Guia”, todas de seu mais novo CD C_mpl_te. Entre muita Salsa, Ska, Rock e Dub a banda finalmente chegou à performance de “Copacabana” promovendo a tradicional rodinha seguida do empolgante bate-cabeça. O show estava tão empolgante que a banda se despediu por quatro vezes, finalmente deixando o palco no fim da noite ao som de “Adeus”.
Apresentações marcantes, bandas empolgantes e muita mais muita boa música, assim foi feita a primeira noite de Grito Rock RJ. A seqüência de shows agora se transfere para o Circo Voador na Lapa e continua nesta sexta e sábado, com muito rock e atitude.
fev 25th 10
Postador por Dayson Ruan em Álbuns, Resenhas
Apesar das contradições sobre o assunto, segundo o Wikipédia já estamos em uma nova década e tal década nos promete muito no mundo do entretenimento musical. 2010 já nos fez o favor de abrí-la com discos que já são clássicos e de audição obrigatória pra qualquer um que se diga amante de música, mas um problema (ou a solução) surgiu com essa nova era.
Mercado exigente, ouvintes mais exigentes ainda e a crítica ferrenha estão mudando o conceito de música e o que antes era experimental, de difícil acesso aos nossos ouvidos está se tornando o novo pop e não que isso seja ruim, mas particularmente, eu estou cansado de bandas que tentam ou ser ‘a grande cabeça pensante que é o Radiohead’ ou ‘a grande viagem psicodélica a base de ácido que é o Animal Collective’, perdendo a graça e a jovialidade da música indie que tanto nos influenciou no começo da década passada. Strokes, White Stripes, Walkmen e companhia, muito obrigado por terem acreditado no rock.
Mas como toda regra tem sua exceção, 2010 já nos brindou com um disco em que a simplicidade é o seu maior luxo, esse petardo e toda sua glória é o debut homônimo de quatro garotos de San Diego, chamdos The Soft Pack, antigo The Muslims.
10 faixas em 35 minutos são o suficiente para que o Soft Pack passe sua mensagem com extrema clareza, e essa mensagem soa como algo do tipo: ‘não somos a salvação da música, nem queremos ser, tocamos por diversão e pra sua diversão e o resto que se foda’.
O som da banda não nega influência do anos 60 e da Surf Music, transpira Beach Boys, The Clash e Velvet Undergound, passando por influências mais recentes, como o Nada Surf e os Strokes e tendo como concorente direto ao título de melhor banda de surf-punk da atualidade o The Drums.
Clipe de Extinction
Esse descompromisso proposital é percebido na forma de tocar da banda. Brian Hill, o homem das baquetas costuma tocar em pé, abusando dos tambores e de percursões como a meia-lua, no maior estilo punk. David Lantzman, proporciona um baixo cru e bastante presente e perceptível nas canções. Matty McLoughlin, o guitarrista principal, se empunha de uma Fender Telecaster e um set de apenas dois pedais, Fuzz e Reverb, para fazer seu estrago sonoro em forma de riffs praianos rápidos e Matt Lamkim, o frontman que comanda os vocais e uma guitarra, também abusa do reverb em seu instumento e canta de uma forma arrastada, quase falada as melodias juvenis sobre amor. Tudo isso de uma forma ramoníaca e objetiva. Em algumas raras vezes, a banda se utiliza de um teclado Mini Korg, para acrescentar suas melodias.
The Soft Pack, o álbum, começa com a tríade explosiva “C’mon”, “ Down Or Loving” e “Answer Tou Yourself”, que parecem se completar, fazendo uma síntese da vida: ‘venha, faça sua ecolha e responda suas perguntas’.
Na sequêcia vem “Move Along”, a mais psicodélica das faixas, com um tecladinho de timbre agudo, chega a lembrar o Deep Purple, apenas neste quesito. “Pull Out”, “More Or Less”, “Tides Of Times” e “Flammable” são as músicas que carregam um punk moderno, mais sofisticado. “Mexico” e “Parasytes” são as mais introspectivas do álbum, sendo que a primeira tem um clima praiano inigualável.
O debut do Soft Pack é cheio de hits certeiros, joviais e simples. Tudo o que está em falta na música atual, eles conseguiram compactar em um único e ótimo álbum. A carreira já vem decolando, participação no programa do Letterman e show marcado no Coachella, mostram o devido reconhecimento, agora só falta a bolacha cair nas grças do público.
fev 24th 10
Postador por Jairo Borges em Notícias, Shows
Suponhamos que você acaba de conhecer uma pessoa bacana. Papo vai, papo vem até que inevitavelmente é chegada a hora da verdade:
- Mas que tipo de som você curte?
Você prende a respiração enquanto espera pela fatídica resposta:
- Ah, você sabe… Eu sou eclética, gosto de tudo um pouco, afinal, música depende do momento, não é?
Pronto: seus ouvidos acabaram de escutar um palavrão: e-clé-ti-ca. Como não poderia deixar de ser, no mesmo instante imagens começam a ser projetadas em sua mente. Você e sua bela pretendente deitados, trocando carícias em cima da cama de um quarto na penumbra, quando suavemente o contra-regra aciona a trilha sonora…
“É o amor, que mexe com a minha cabeça e me deixa assim…”
“Era uma vez o amor, mas tive que matá-lo” bem disse o grande escritor colombiano Efraim Medina Reyes. Ficar em cima do muro atesta apenas falta de personalidade musical, pois, convenhamos, quem diz gostar de tudo um pouco, gosta, inclusive – ou talvez principalmente – de música ruim. E música ruim é apenas o inverso da música que a gente considera como boa.
Pessoas ecléticas já são perigosas. Mas nada soa mais temeroso do que um disco eclético. Em geral trata-se de um sincretismo vazio: aponta para todos os lados e não acerta nenhum. Porém, de tempos em tempos – com intervalos cada vez mais espaçados – costuma aparecer um álbum capaz de tirar leite de pedra, fazendo do ecletismo não um estigma, mas uma verdadeira virtude. Why There Are Mountains?, a ousada estréia dos novaiorquinos do Cymbals Eat Guitars, certamente é um desses trabalhos.
Cymbals Eat Guitars – Wind Phoenix (Live on KEXP)
As nove canções do CD compõe uma verdadeira viagem pela música alternativa das últimas duas décadas. A sinuosidade estrutural de cada uma das faixas serve pra criar climas que amplifiquem ao máximo as sensações de surpresa e emoção. “And The Hazy Sea”, extraordinário abre-alas, só pode ser descrito por meio de um paradoxo: uma suave agressividade. “Indiana”, por sua vez, começa nublada para, em seguida, entrar numa daquelas divertidas tardes ensolaradas típicas dos momentos mais divertidos do Belle and Sebastian. “Share” é um épico de sete minutos repleta de ecos de My Bloody Valentine, enquanto “The Living North” com suas guitarras espaciais remete às melhores canções do British Sea Power.
Mas os grandes destaques do disco ficam mesmo por conta de “Cold Spring”, “Wind Phoenix” e “Like Blood Does”. São faixas em que a insanidade do conjunto é levada ao extremo, com mudanças de andamento bruscas que criam transições perfeitas que vão desde a melancolia até a pista. Impressiona a naturalidade com a qual a banda transita entre vertentes musicais diferentes em uma mesma canção, o que revela incrível maturidade para um trabalho de estréia. “Like Blood Does”, por exemplo, começa com um clima etéreo a lá Radiohead e em seguida entra num momento gótico que remete aos arroubos oníricos de Disintegration, do Cure. Então se transforma num pop palatável e grandioso para terminar com uma avalanche de barulho que chama um falsete de cortar os pulsos. E isso tudo sem soar como um Frankenstein!
Fica então a pergunta: qual o próximo grande disco cujo ecletismo não será sinônimo de palavrão?
fev 19th 10
Postador por Jairo Borges em Álbuns, Resenhas
Finalmente saiu a pedra preciosa que todos aguardavam ansiosamente desde o ano passado. Marina and The Diamonds é daquelas bombas que caem sobre o mundo da música e deixam todos paralisados. Pois é, ela é incrível e o seu CD era um dos mais aguardados para este ano. Depois de ouvir as maravilhosas “I Am Not A Robot”, “Mowgli’s Road” e “Obsessions” qualquer um ficaria ansioso por um álbum contendo mais coisas do tipo.
The Family Jewels e uma obra prima com melhor do indie pop misturado a um estilo muito pessoal que só a cantora sabe fazer. Com sua voz intensa e precisa a cantora envolve o ouvinte nos seus agudos espalhados por suas canções, que por sinal são muito bem distribuídas ao decorrer do álbum. O equilíbrio entre baladas e hits mais agitados é perfeito, e a alternância desses sons nos leva a ouvir o álbum repetidamente sem se cansar em nenhum instante.
A cantora não podia ter acertado mais na escolha de “Hollywood” para divulgação do álbum, o hit tem uma pegada bem pop e abre novas portas de mercado para a cantora. A crítica incisiva da música ao “American Dream” e as “Prom Queens”, ao mesmo tempo em que ironiza realidades do mundo americano, deixa a cantora muito próxima a cantoras populares, que para alguns pode parecer ruim, mas que pode ser responsável pela alavancada decisiva na carreira da cantora.
Mas nem só de Pop é feito o álbum, na primeira música a cantora já estréia com uma bateria mais agitada e algum experimentalismo em “Are You Satisfied?”, onde de cara já manda um recado a todas as pessoas que se não acreditaram em seu sonho, e que a pressionavam a levar uma vida normal.
O CD é feito com muita marca pessoal exatamente por causa desses desabafos da cantora em suas músicas, que encontramos também em “The Outsider” e “Oh No!”, onde a cantora faz questão de se destacar dos outros e mostrar que sua mensagem tem a total intenção de fazer a diferença no mundo a sua volta, nos levando a uma reflexão acompanhada de refrões maravilhosos e cheios de sintetizadores, feitos para grudar nas nossas cabeças.
“Girls” é de longe uma das melhores músicas do álbum. Com a crítica mais aberta do álbum, a cantora fala do contraste da sua personalidade com a da maioria das garotas e suas frescuras. Mas para parecer menos clichê, tudo isso é regado a uma batida verdadeiramente empolgante, um back vocal bem presente e efeitos sonoros bem divertidos no decorrer da música.
As lentas “Hermit The Frog” e “Rootless” são igualmente boas e falam de desilusões e expectativas sobre o amor. Porém, não tem como não dizer que quando a voz da cantora se sobressai muito à melodia, as músicas ficam muito parecidas a um “tal” álbum lançado ano passado chamado Lungs, com o qual todos evitam comparações.
O álbum é fechado com maestria pela inigualável “Numb” (a música mais profunda e emotiva do álbum) e “Guilty” onde num clima bem leve e de despedida, a cantora se considera culpada por todos seus devaneios e toda a sua obra artística. As já conhecidas “Obsessions”, “Shampain” e “Mowgli’s Road” dão o tom do álbum, e revelam a face louca, excêntrica e por muitas vezes bêbada da artista que afirma não saber quem é e nem para onde vai. E a mais que perfeita “I Am Not A Robot”, prova toda a delicadeza e intensidade da cantora, mostra por que a cantora foi 2º lugar na lista da BBC de promessas para 2010 e porque ela merece o título de melhor álbum de 2010 até agora.