Para completar o desprazer dessas linhas com essa terça-feira, vamos analisar o inconsumível álbum novo de Rivers Cuomo, vocalista dos Weezer, e usuário do rótulo nerd-rock. Totalmente merecido.
Alone II é um álbum indeciso, muito mais focado ao barulho do que a música propriamente dita e deveras repetido. A falta que seus companheiros de banda fazem a Rivers é evidente, pois as idéias soam pouco trabalhadas e fazem jus ao título da obra: The Home Recordings.
Existe uma evidente semelhança ao som da banda principal com o trabalho solo de Cuomo, porém não há nada nesse álbum que faça qualquer pessoa em sã consciência se prender ao som de guitarras repetidas e barulhentas, masterização de deixar a desejar e arrisco dizer, solos de guitarra deploráveis.
Porém, o álbum passa uma energia rock n’ roll, quase punk, que de certa forma não nos faz jogar o álbum pela janela da sala. Além do atrativo musical, 19 faixas, que hoje em dia é um caso raro, já que se vê com total freqüência álbuns com somente 10 ou 12 faixas, mesmo que no álbum de Cuomo 6 são somente vinhetas.
Faixas como “My Brain is Working Overtime” nos faz lembrar a banda que o senhor Cuomo ganhou o mundo, inclusive Curitiba, na única participação da banda em um concerto em território brasileiro.
Um destaque que merece atenção é a faixa “Walt Disney”. Bela, simples e menos barulhenta, a única que realmente chamou a atenção desse reclamão que vos escreve.
Bem, se o Rock não morreu, Rivers Cuomo tentou matá-lo agora.
Para terminar o ano bem, já vamos entregando o que você só ouvirá no ano que vem!
O garoto prodígio Ben Kweller se apronta para por na praça seu mais novo título de ineditas, Changing Horses só sai em janeiro do ano que vem, mas a internet já nos dá um pitaco da maravilha que temos em nosso computador.
Digo maravilha, por que o cd é de uma beleza folk rustica fascinante, alguma faixas já haviam sido lançadas num EP deste ano chamado “How Ta Lookin Southbound”, que foi o prelúdio desse álbum e igualmente maravilhoso.
O cd começa com Gypsy Rose e seus poéticos versos. De um folk intimista, muito mais focado ao country, a faixa é apaixonante. Seu vocal mais soado e o violão com dedilhado e slides nos fazem lembrar de Neal Young e com isso convida o seu autor e a todos a ouvirem o restante do cd bastante impolgado.
A suavidade emocionante de “Old Hat”, a segunda faixa, contrasta com a força de Fight, a faixa seguinte e a primeira do ep lançado esse ano. Fight é daquelas que o público canta junto o refrão e bate palmas ao som do solo de teclado executado com maestria por Ben.
Em Hurtin’ You Ben peca pelo excesso de slides, o que de fato se repete por todo o álbum deixando a obra um tanto repetitiva.
Ballad of Wendy Baker e Homeward Bound, mostra que até de falsetes Ben se monta para fazer você se emocionar. Com uma belíssimas letras e muitas doses de solidão, essas faixas soa como a trilha sonora do seu fim de namoro.
Também vinda do ep deste ano, Sandust Man é a melhor faixa das duas abras que a abrigam. Nela se Ben bem se multiplicar na frente do microfone. Ben é o vocalista, Ben é o excentrico que fica gemendo, Ben é o backvocal, bem… A produção, vale frisar, é impecável, até a ordem das faixas foi miraculosmente pensada.
Com o passar, as faixas se parecem, com o já citado excesso de slides e batidas repetidas, mais um lado que o álbum peca.
A trinca animada de “Wantin’ Her Again”, “Things I Like To Do” e “On Her Own” faz esse autor, já meio baleado da viagem sonora, se sentir nas estradas da vida, naquele carro conversível que viu no filme dos anos 80 e uma bela moça (no caso, a filha do Steve Tyler) ao lado e o mundo correndo em minhas mãos no volante da Infinite Highway (eu não sei dirigir, então APERTEM OS CINTOS!)
(O álbum ainda não tem data certa pra sair, selo e nem nada, só nome)
O folk está em alta. Definitivamente esse ano marca a volta do folk a um seleto grupo de fãs. Uma das maiores “culpadas” por esse acontecimento só tem 16 anos. Mallu Magalhães se apresenta ao país como a garota prodígio da internet, trabalho que já era desenvolvido por outros notáveis nos Estados Unidos como Ben Kweller e Conor Obert finalmente ganha uma representante brasileira. Em menos de um ano, Mallu, que ainda estuda num tradicional colégio da capital paulista, estourou e gravou um cd só com músicas suas e esse cd hoje será o “alvo” de nossa resenha. O cd saiu no último dia 15, e suas músicas vinham sendo distribuídas na internet por meio de um site especial que a Vivo fez somente para a divulgação da nova empreitada da baixinha.
Apesar do folk ser sua maior verdente, o álbum começa com o Rock de “You Know You’ve Got”, com predominância do banjo, também bem explorado em “Don’t you Look Back”, canção seguinte, e mais voltada ao folk. A primeira faixa começa com uma energia que parece contagiar, e quando você pensa que irá explodir, o ritmo folk datado pelo balanço do banjo dá um tom diferente a música, para somente depois explodir da maneira do bom e velho rock, com uma pega forte da bateria. Vamos abrir uma salva ao solo que Kadu Abecassis, guitarrista, nos dá nessa faixa. A faixa pende a nos decepcionar, pois esperamos um grande surto sonoro logo na primeira deixa, mas não é o que acontece e todo o aparato de gravação selecionado para deixar o som mais “antigo” já se mostra ineficaz pela qualidade de gravação. Mas é só o início.
O folk clássico de Don’t You Look Back me entristece, pois a versão original, gravada para o programa Trama Virtual que passa na Multishow e feita para o quadro “12 horas no estúdio” se mostra muito melhor e consciente, em si, o próprio cd parece ter sido feito por versões de música já apresentadas ao vivo e que pecam pelo excesso de detalhes. O clássico “Tchubaruba” vem numa versão mais charmosa, gostoso, quase chegando ao Blues e com um flerte ao Jazz, mas novamente sentimos saudade da versão do myspace. Em uma crítica anunciada a um ocorrido no Rio, “O Preço da Flor”, uma das duas únicas canções em nossa língua pátria, dá um tom mórbido e triste ao cd. Não podemos negar, é uma belíssima canção, a favorita do autor destas linha, mas a própria canção já foi apresentada em melhor forma na segunda aparição da pequena no Programa global do Jô Soares, mesmo assim, a música está belíssima no álbum e uma das melhores do álbum.
O Preço da Flor no Programa do Jô
Em sua primeira aparição na tv aberta, Mallu mostrou ao público do Altas Horas, da Globo, a música “Town of Rock ‘n’ Roll”, numa simples concerto ao violão, voz e gaita. Depois a música pouco apareceu nos setlists de suas apresentações, e cheguei a achar que estava esquecida, mas num vigoroso Rock, ela se mostra num melhor e animado arranjo, e mais um solo de bater palmas para Kadu. Muito boa! “Her Day Will Come” e “Angelina, Angelina” são belas canções, que tiveram um tratamento especial para o cd, principalmente para os efeitos vocais que Mallu criou para Angelina, barulhos de trem e outras brincadeiras que viram detalhes sérios e muito interessantes. Depois de escutar umas 10 vezes a nova versão de “J1″, fiquei na dúvida entre a melhor de todas que já ouvi, mas com certeza essa tem um algo a mais, um ponto gostoso que não se encontra na nova versão de “Get to Denmark”, versão que chegou a irritar o blogueiro que vos escreve tamanha a “forçassão” de barra que foi por essa música nesse cd, versão pífia.
A revelação musical brasileira, Mallu magalhães.
Mais um animado e vigoroso rock passa por esses ouvidos insanos, “Vanguart” anima, e anima ainda mais ao vivo, não como “Dry Freezing Tongue” e “Swalk”, onde se pode ouvir o que muitos julgaram ser a parte mais chata de Mallu, suas músicas lentas. Cheguei a ler resenhas que j jjulgavam ser inaudíveis suas baladas, digo não serem as suas melhores, mas ainda dá para gostar. No Jazz “Noil” e na música de encerramento “It Takes Two the Tango”, Mallu mostra a potência de sua voz, as suas nuancias e onde sua juvenil voz pode chegar, belas músicas.
Em si, o seu querido autor não curtiu muito o cd, um tanto decepcionado, vi Mallu largar o lado simplista e a beleza de sua música descompromissada com o mainstream penderem a um lado profissional e mais detalhista, que faz este blog aqui se sentir seu gosto muito “semestre passado”. A profissionalização da música que esta estrela sofreu foi rápida de mais para mim, pois isso o que sinto é apenas saudade dos shows mais bagunçados, das infantilidades de Mallu e facilidade de achar suas músicas “fofas”.