Às vezes é bom fugir do convencional e enquanto não descubro o cd de jazz perfeito para ouvir até derreter a minha mente, continuo investindo em bandas moderninhas que (pelo menos tentam) fazem um som diferente. Descobri o Athlete no fim do ano passado quando buscava bandas com uma formação parecida com o meu finado projeto musical. Me atraiu bastante, mas não ao ponto de viciar. (Aliás a última banda que conseguiu me fazer viciar de verdade foi o Hockey, mas isso você pode ler em outra oportunidade). O disco novo é a primeira oportunidade que tenho para criar uma opinião sobre o trabalho desse quarteto inglês.
A banda é inglesa e já está no seu quarto álbum de estúdio. Sei que o Chefí é apaixonado pela música “Wires”, do álbum Tourist, e pensando pelo lado ‘crítico-obsessivo’ da qual ele é bem conhecido – vide as resenhas de Muse e Placebo – realmente deve ser uma banda que vale a pena a audição e foi isso que eu constatei perfeitamente nesse novo álbum da banda.
Black Swan é um daqueles discos que você pode ouvir e praticamente “viajar”, chegar bem perto de esquecer os problemas, ou então a trilha sonora perfeita para embalar o coração dos melancólicos durante um fim de semana solitário. Ouso dizer que a faixa “The Awkward Goodbye” pode ser trilha de uma transa apaixonada ou um momento romântico qualquer. Gostaria de poder arriscar isso um dia. A pegada do Athlete é indie rock, que lembra bastante o som de bandas como: Death Cab for Cutie, Weezer, Doves, Snow Patrol, Muse e Feeder. Ou seja, é coisa de qualidade.
Comparando com o pouco que ouvi dos trabalhos anteriores, é justo dizer que o album investe em canções leves e simples. Nada complicado demais. E por todo o cuidado com os ouvidos daqueles que querem um barulho sossegado, o Athlete ganhou o meu coração. Até indicaria uma ou outra música para “vender” o album, mas Black Swan funciona como um conjunto e não em separado. Vale a pena!
Os norte-americanos do Hockey (nome genial para uma banda. como é que VOCÊ nunca pensou nisso antes?) tem pouco tempo de estrada, mas já conseguiram atrair a atenção do DJ inglês Zane Lowe e participar de festivais como o Glastonbury, T in The Park e Bonnaroo. Eles são o mais novo hype do “indie dance rock punk music” ou sei lá como é chamado, desde o Vampire Weekend (que é realmente legal) e o MGMT (que eu prefiro não comentar).
O primeiro disco dos caras se chama Mind Chaos e tem groove de dar inveja a muita banda de funk que existe por aí. E só por esse detalhe extremamente dançante, o Hockey já consegue garantir espaço garantido entre os 20 melhores albuns de 2009. Já rolaram comparações com The Kooks, Franz Ferdinand, LCD Soundsystem e até mesmo o Strokes. De comum com essas bandas, apenas as guitarrinhas safadas. O Franz Ferdinand até consegue ter um swing legal, mas nada que chegue ao nível da proposta do Hockey. Como o Michael Jackson é assunto até hoje, o trabalho do Hockey está mais para o encontro da fase “Bad” de Jackson com o Arctic Monkeys do primeiro disco.
Como se não bastasse ter uma cozinha afiada, a banda também consegue ter refrões grudentos. O vocalista Benjamin Grubin conseguiu descobrir o que fazer em “Learn to Lose” e repetiu a fórmula nas outras 10 faixas do album de estreia. Dificil é encontrar alguma música ruim no trabalho dos caras. As músicas podem não ter letras muito inspiradas, mas ao falar das inseguranças e aporrinhações diárias (o refrão de Work diz: “it’s too much work, work, working; just too much work for me”) conseguiu nocautear os fãs de boa música da grande esfera virtual e mundial.
Ouça com atenção a faixa “Song Away”, que está bombando freneticamente pelas pistas e rádios voltadas para a boa música moderna. É daquelas que fazem balançar o pescocinho e estalar os dedos.
Agora sim, chegamos ao final, conforme prometido, da resenha do tão esperado álbum do Muse, The Resistance, na opinião ‘fanzistica’ de 2tdias e na realista de Marcos Xi. Foi difícil, pois é uma banda de consenso geral no nosso blog, mas devemos ser justos e falar boas verdade para quem merece. Caso você não concorde com algo, se pronuncie, quem sabe você não é ouvido? Ou não…
Falar de Muse hoje em dia é tão normal quanto o Nx Zero ganhar algum prêmio ridículo na música brasileira. O difícil é mesmo é falar mal deles. A banda é dotada de um perfeccionismo musical espantoso e uma escala de qualidade musical mais inclinada que o monte Everest. E semana que vem chega às lojas o mais esperado álbum da discografia da banda.
The Resistance é uma bolacha confusa, priorizando os gostos de Matthew Bellamy, vocalista, e engaveta a força das músicas que a banda vinha pregando nos últimos álbuns. O foco maior nessa bolacha são os arranjos orquestrais, e deixa de lado os riffs cantáveis que tanto marcam o som do trio. O timbre das músicas está mais dark, mais denso, sem deixar de ter animação. O grande problema, é que o Muse não sabe se engloba mais algumas influências épicas, volta ao passado pesado ou se entra numa onda de Chris Cornell no Pop e arrebata de vez os fãs de Twilight.
Muse e a ambiciosa missão de melhorar eles mesmos. Fail.
Uma outra questão que vem assolando o Muse nos últimos discos, é a semelhança de algumas músicas com outras mais antigas deles mesmos ou então de outros artistas. Começando por “Uprising”, faixa que abre o disco, a primeira coisa que remete é essa música do Marilyn Manson, mas se pesquisar bem, você encontrará uma assombrosa semelhança com essa música da Christina Aguilera. Tenso não? Além de claro, a já conhecida super semelhança de “United States Of Eurásia” com Queen, que vai muito além do coro, e engloba outras influências como guitarra e piano. Bohemia Rhapsodia ainda vive.
Dois momentos que remetem a era do disco Origin of Symmetry são as boas “Unnatural Selection” e “MK Ultra”, que são algo entre “Citzen Erased” e “New Born”, mas mostram um grande problema no álbum: Dominic Howard, baterista, está muito apagado e não fazendo nem metade do show que deu em Black Holes and Revelations. E cá entre nós, o sampler de “hey” em “Unnatural Selection” está bem ultrapassado, não?
Unnatural Selection (Live)
A parte pop da empreitada vem por conta de “I Belong To You”, e sua levada mais “Feeling Good”, só que bem mais pop. Baixo swingado, quebras de tempo e refrão colante, torna a música uma das melhores da bolacha, mas fica um pouco repetitiva quando entra numa onda “We’re the Champions” e coloca Matt no piano em mais um momento de lamentação desnecessária, numa musica tão divertida quanto começou. Outra mais pop do que tudo é “Undisclosed Desires”, que é algo tipo Andrew Bird produzido por Timbaland. Slaps nervosos hipnotizam nesse refrão, mas é uma música tão fora do som do Muse, que nós acabamos ficando com a impressão de ser uma música para os fãs de Twilight.
Com a bateria e a guitarra mau explorados, a bolacha tem seu ponto final no tão aguardado ‘monstro sinfônico‘. Podemos afirmar com muita facilidade que Matt se entregou total a essa música, colocando tudo o que sabe de orquestração e piano, resultado: um produto sem refrão ou ponto de referência que mais soa como Matthew Bellamy fritando no piano ao som de uma banda e uma orquestra sinfônica.
Resistence (Live)
Se em alguns momentos o Muse parece soar mais perdido e confuso, e em outros parece uma banda de Metal Medieval, isso nós lamentamos, mas excelentes músicas como “Resistance” e “Guiding Light” ainda salvam o disco de ser uma decepção montada pelo próprio mentor. A grande questão agora é saber se o Muse volta um dia a ser uma banda de rock , com suas guitarras ‘extraterrestres’, ou decide de vez se focar em viagens orquestrais e solos de piano em todas as músicas.
Como o Rock in Press é feito por figuraças de gostos semelhantes e opniões díspares, o tão esperado álbum The Resistence, do Muse, sairá em duas resenhas. Uma sob a batuta do fã xiita 2tdias, que é esta abaixo, e outra feita pelo fã realista Marcos Xi, na sexta. Cada um explorará pontos diferentes e opiniões diversas sobre a bolacha, e você só ficará aí, rindo da cara dos dois quebrando o pau para ver qual é a opnião mais válida.
The Resistance era um dos discos mais aguardados de 2009. Os fãs aguardavam ansiosos e apreensivos para saber o resultado do novo trabalho do Muse. As expectativas foram aumentadas depois de um preview tosco de 30” no iTunes no começo do mês. Será que Matthew Bellamy e companhia iriam conseguir superar o exito dos albuns anteriores? A resposta foi que eles conseguiram ir além. Muito além.
Todo mundo que acompanha o Rock in Press já deve ter percebido que eu sou xiita com a banda. Não sei mesmo se seria a pessoa mais indicada para resenhar o album, mas ia deixar isso para o Xi? Tá louco, né? Só que pior do que o meu vício é o dos fãs ao redor do mundo que desde ontem esperavam impacientemente pelo “leak” que aconteceu hoje. A agitação tirou o servidor do fórum Muse Live do ar e também bagunçou o twitter (o #museleak chegou a ser o primeiro nos Trending Topics do dia). E depois de vários links falsos, finalmente os fãs puderam ouvir o verdadeiro The Resistance. E não tem nada melhor do que estar no meio da festa e compartilhar das opiniões com outras pessoas. Toda essa sensação só serviu para deixar o gosto do album ainda melhor.
Resgatei essa foto lá da época do Origin!
Para princípio de conversa, se você é um daqueles que ainda insiste em comparar Radiohead e Muse, desista desse argumento para irritar outros musers. Contar isso em uma mesa só servirá para atestar a sua insensibilidade e (quase)ignorância musical. O quinto disco de estúdio do Muse se afasta ainda mais de qualquer coisa que a banda de Thom Yorke já pensou em fazer e aumenta a visibilidade para o talento de Matthew Bellamy como cantor e guitarrista. Depois de “Time is Running Out” , “Supermassive Black Hole” e “Starlight” figurarem entre as mais ouvidas nos EUA, acho praticamente impossível que “Uprising” e “Undisclosed Desires” não façam mais sucesso ainda. E olha que elas nem são as melhores do disco…
The Resistance supera fácil o album anterior. Talvez com o passar do tempo, consiga ser melhor que Absolution e Origin of Symmetry. Dificil fazer esse tipo de comentário após ouvir o cd pela primeira vez, mas é bem verdade que não existem músicas ruins ou cansativas aqui. A excelente modulação de Queen “United States of Eurasia” é hoje, a menos chamativa do disco. Com músicas como “MK Ultra” e “Unnatural Selection” fica complicado competir. Aliás essas duas são o grande destaque e atrativo do album. Impossível ouvir sem se deixar levar pela energia das faixas. Este disco vai bombar.
A única reclamação é em querer entender qual foi o motivo que levou o Muse a escolher “Uprising” para abrir o disco no lugar de “Resistance”, faixa muito mais poderosa e com mais cara de abertura. Competiria fácil com “New Born” no disco Origin of Symmetry.
Num mês tenebroso para a música mundial, devido a baixa qualidade dos lançamentos no período, Pete Yorn e Scarlett Johansson decidem mudar a história e inovar seu repertório. Break Up foi gravado a 3 anos atrás, sendo esse o primeiro trabalho da atriz, que lançou ano passado o desastroso álbum solo Anywhere I Lay My Head, um tributo a Tom Waits. O álbum do dueto teve as vozes gravadas em apenas duas tardes e totalmente inspirado na dupla de também cantor e atriz formada por Serge Gainsbourg e Brigitte Bardot, que brilhou nas paradas francesas e do mundo em 68.
A qualidade do material, aliada a belíssima voz de Scarlett, floriaram de vez as composições do senhor Yorn, chegando a ser infinitamente melhor que o álbum lançado pelo cantor esse ano, o repetitivo Back & Fourth. De cara, você repara o quanto a bolacha é boa com o single “Relator”, música simples e que fica na cabeça, e nos dá uma impressão menos chapiscada de Scarlett. Um dueto realmente inspirado.
Ahhhh… Como eu queria ter essa mulher na minha cama…
Uma questão que fica, é que parece que a dupla se completa, principalmente em belíssimas canções como “Clear” e “Search Your Heart”, onde os vocais são divididos de maneira sentimental e também sobrepostas, como um ‘coral de duas belas vozes’ que enchem a música e nos fazem escutar diversas vezes. Pete Yorn parece ter mais espaço. Além das canções terem a sua cara – até porque foram compostas por ele – a maioria dos vocais está ao seu cargo. Assim como com Serge Gainsbourg e Brigitte Bardot, Yorn é quem leva a maioria das músicas e Scarlett as completa com sua sensual voz, um achado quase. Tirando, claro, a canção “I am The Cosmos”, onde Scarlett quase que ‘mia’ cantando praticamente solo a canção.
Não deixem de ouvir, além das já citadas, as belíssimas “I Don’t Know What To Do”, “Shampoo” e “Someday”. Vale frisar também o curtíssimo tempo da bolacha, só 28 minutos e 59 segundos, que nos dá um gostinho de ‘quero mais’ marcante. Essa dupla nasceu com um convite simples de Pete e se tornou uma grande revelação nesse ano. Não parece que eles irão continuar com a empreitada e estender por mais alguns álbuns, então aproveite bem a bolacha e entenda que a música boa pode vir de uma atriz ou de um cantor pouco conhecido, mas se realmente é boa, tocará seu coração.