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Cicero e Mohandas @ Teatro Odisséia, Rio de Janeiro 19/01/2012

foto por Eduardo Magalhães | Partybusters

Imagine o que é ouvir uma pessoa muito querida (e que raramente valoriza algo nacional) dizendo que você precisa ouvir o disco de um certo artista chamado Cícero. As insistências diárias acabaram sendo o suficiente para que, depois de uma longa viagem de nove horas, eu finalmente fosse apresentado ao som da banda sensação do momento. Os leitores do Rock in Press já estão cansados de ouvir falar da banda, que realmente comove o público de uma forma que há muito tempo não acontecia nos palcos brasileiros.

O Teatro Odisseia, uma das casas alternativas da cidade maravilhosa, é realmente um lugar interessante, apesar do calor absurdo. Talvez a proximidade com a Lapa tenha um efeito mais alucinógeno no público, que acaba entrando com força nas ideias oferecidas pelas bandas. Quem se deu bem ao aproveitar a situação foi a banda Mohandas, que com uma ousada versão de “Lotus Flower”, do Radiohead, abriu a noite. Uma feliz surpresa descobrir que a canção da banda de Thom Yorke estaria bem representada se virasse um desses clássicos do baião. Logo depois foi a vez de “Hombre Maquina”, versão de “The Man Machina”, do Kraftwerk. Mas o Mohandas não ficou apenas nas duas covers que abriram a apresentação, ainda que, apesar da empolgação de alguns integrantes, o show não tenha tido outros momentos tão brilhantes – exceto na cativante faixa homônima “Mohandas”.

foto por Eduardo Magalhães | Partybusters

Seus instrumentistas variam entre diversos instrumentos, o que acaba deixando de ser um elemento diferente e atrativo, visto que a maioria das bandas independentes anda apostando na versatilidade de seus membros, mas essa multiplicidade dos membros da banda não é nem de longe um ponto negativo. As músicas autorais são criativas, com direito a belos arranjos de vozes, mas pelo menos na apresentação no Teatro Odisseia a impressão era que faltava algum instrumento na banda. Sem explorar muito o lado artístico da apresentação, a banda preferiu concentrar esforços nos seus instrumentos ao invés de trabalhar numa performance visualmente atrativa para o público. É quase como se eles estivessem animados, mas fossem tímidos para mostrar mais deles mesmo naquele momento. Foi uma boa apresentação de uma banda promissora, mas que ainda precisa de um pouco de vitamina para preencher todos os espaços vazios em algumas canções.

É preciso admitir que não entrei no Teatro Odisseia contaminado pela febre envolvendo o ex-vocalista da banda Alice. Os comentários positivos (além da insistência da minha amiga) poderiam acabar sendo prejudiciais no final das contas, afinal criar expectativas é sempre um perigo. Cícero subiu ao palco, sentou num banquinho e começou sua apresentação. O público se espremia na frente do palco, o que lembrou bastante a devoção com que as pessoas acompanhavam as apresentações do Los Hermanos na época pré-Ventura, quando a banda havia tentado abandonar um pouco da fama conquistada com “Anna Julia” e se afastou um pouco da mídia durante a turnê do disco O Bloco do Eu Sozinho. Curioso notar que o cantor se apresenta num clima totalmente MPB, com voz e violão e os olhos fechados para manter a concentração, enquanto a banda quebra tudo. Destaque especial para a pegada brutal do baterista.

foto por Eduardo Magalhães | Partybusters

A química do violão com a distorção é realmente surpreendente. Cícero consegue misturar suavidade com uma pegada de fazer muita banda de rock repensar suas bases. O grande momento do show não foi na hora em que bossa-nova nova de “Ensaio Sobre Ela” encantou o coração dos apaixonados, não foi quando os primeiros acordes de “Tempo de Pipa” fizeram o público sambar alucinado, ou do momento em que “Açucar e Adoçante” me levou para aquele mundo semi-insconsciente que apenas algumas músicas são capazes de nos transportar, e nem mesmo quando ele tocou qualquer outra de suas belas “canções de apartamento”, um retrato tão singelo da solidão. O barato da apresentação do Cícero foi entender os motivos que fizeram essa minha amiga, tão defensora de artistas internacionais, se apaixonar pelas dissonâncias do cantor. De olhos fechados, simplesmente sentindo a música no meio daquela sauna carioca.

Independente de ser ou não unanimidade no meio alternativo, a apresentação do cantor foi o suficiente para pensar no quanto a música brasileira ainda pode oferecer para o seu público carente. Cícero ainda tem muito para mostrar, mas com apresentações simples, objetivas e sem firulas, deixa claro que pode ir muito longe e nem precisou apelar para as barbas.

Resenha: Lautmusik – Lost In The Tropics

Álbum: Lost In The Tropics

Artista: Lautmusik

Lançamento: 27 de novembro de 2012

Selo: Independente

Ouça: soundcloud.com/lautmusik/sets

Rockometro: 8.0

Enquanto boa parte da imprensa musical brasileira ainda insiste em manter seus olhos apontados para o que se desenrola no panorama internacional, um verdadeiro fenômeno tem bombardeado os quatro cantos do cenário brasileiro. No norte e o nordeste é cada vez maior a profusão de artistas mergulhados em referências ao rock alternativo dos anos 90, além de todo um conjunto de novas formas de absorver o Heavy Metal e as várias influências que dele brotam. Já o sudeste vivencia o apogeu dos “novos paulistas” – com o Rio sendo marcado por uma cena em renovação -, mantendo no sul do país uma espécie que QG para bandas afundadas nas cruas e sujas referências ao shoegaze.

Focando nessa última região e passeando entre nomes como Loomer (RS), This Lonely Crowd (PR), Medialunas (RS) e Badhoneys (RS), torna-se visível como cada vez mais surgem grupos capazes de em pouquíssimos segundos edificar gigantescos paredões sonoros de puro ruído. Enormes e quase intransponíveis concentrados de distorção que lentamente vão sendo esculpidos, revelando um catálogo mais do que rico de belas e fortes composições. Mais “novo” integrante desse exclusivo grupo, os também gaúchos do Lautmusik (que em alemão quer dizer “música alta”) encontram em grandes acúmulos de distorção a matéria-prima para dar vida a um dos trabalhos mais intensos de 2011.

“Música alta”, poucas são as bandas capazes de ostentarem um título tão coerente com o som que propagam quanto o quinteto gaúcho formado por Alessandra L. (voz), Cassio JD (guitarra), Murilo Biff (guitarra), Guilherme Nunes (baixo) e Rodrigo Prati (bateria). Entre rajadas de guitarras cacofônicas, um baixo de potência imensurável e uma bateria que está além de um mero mecanismo de condução, a sonoridade proposta pela banda aos poucos vai resultando no catálogo de 11 faixas que caracterizam Lost In The Tropics, um disco que mesmo marcado por um jogo de referências clássicas vai com parcimônia evidenciando uma naturalidade sonora própria do grupo.

Entre apontadores óbvios ao trabalho de bandas veteranas como The Jesus and Mary Chain, My Bloody Valentine e Joy Division – além de um fundinho de Sonic Youth -, o quinteto parece mais interessado em promover um som que possa (realmente) ser chamado de seu. E se essa for a intenção da banda, eles realmente conseguiram. Contra boa parte de artistas similares (e até alguns conterrâneos) que insistem em plagiar o que é feito lá fora, o quinteto vai desde a faixa de abertura, “Afraid To Fly”, até a canção de encerramento,”Walk The Walk”, promovendo uma série de músicas movidas por um forte apelo melódico, fazendo desse oposto com as guitarras poluídas uma espécie de mistura agridoce que transpassa todo o registro.


clipe oficial de “Mai”

A sensação ao ouvir Lost In The Tropics é a de que a banda se comporta como vários artistas em apenas um. Se a faixa de abertura pende obviamente para o rock alternativo do Pixies (a linha de baixo faz lembrar alguma coisa do álbum Doolittle), logo na música seguinte, “Mai”, a banda altera as referências, apontando diretamente para um Sonic Youth pós-Dirty. Até o fechamento da obra esse constante aspecto de mutabilidade vai se desenvolvendo, como se a banda estivesse ciente de suas aspirações, porém, aproveitando de cada segundo do disco para passear e brincar em diferentes campos da música.

Ao término do trabalho – que tem todas as canções do disco cantadas em inglês – o ouvinte se sente ao mesmo tempo satisfeito e exausto, afinal, é como se a banda atravessasse duas ou talvez três décadas de música em menos de uma hora de duração. Depois de dois EPs – um lançado em 2007 e outro no ano seguinte – o quinteto gaúcho converte Lost In The Tropics em uma estreia definitiva, transformando o presente álbum não apenas em um debute de boa formatação, mas em um trabalho de tamanho fôlego e distinção que acaba por converter a Lautmusik em uma banda que você precisa ouvir o mais cedo possível, de preferência, agora.

Resenha: Lenine – Chão

Álbum: Chão

Artista: Lenine

Lançamento: 19 de outubro

Selo: Universal

Ouça: soundcloud.com/bruno-giorgi/lenine-ch-o

Rockometro: 8,5

Osvaldo Lenine Macedo Pimentel ou como acabou conhecido em boa parte do país, Lenine, é de longe um dos personagens mais notórios da música brasileira. Do nascimento musical pouco badalado no começo dos anos 80 para a aceitação do público e (principalmente) da crítica ao longo de toda a década de 1990, o pernambucano de Recife foi lentamente solidificando uma das mais imponentes discografias e carreiras que se desenvolveram ao longo das últimas décadas, quebrando qualquer tipo de barreira comercial ou radiofônica para em diversas vezes manter um profundo e conexo diálogo com o grande público.

Mantendo a boa forma de seus primeiros (e elogiados) lançamentos, como Olho de Peixe de 1993 e O Dia em que Faremos Contato de 1997, Lenine apresenta agora seu mais novo registro de estúdio, Chão, um trabalho que (in)voluntariamente surge para reforçar a imagem do cantor e compositor como um dos mais relevantes e inovadores de nossa música. Menos óbvio que o anterior trabalho do músico – Labiata, de 2008, álbum que acabou gerando expectativas mediante sua posição pós-Acústico MTV -, o presente disco transpira um profundo toque de inovação, com o pernambucano materializando uma soma de elementos que se desvencilham das obviedades da MPB e percorrem caminhos quase experimentais.

Essencialmente metafórico e carregado de subjetividades, o registro se solidifica inteiro no bem posicionado jogo de versos que conectam o músico (e os personagens de suas letras) diretamente ao chão que dá título ao trabalho. O resultado desse emprego hábil de distintas exposições líricas – em sua maioria afundada em uma intensa camada de melancolia – acaba resultando em um trabalho forte, em alguns momentos até soturno, com o cantor abandonando quase por completo qualquer tipo de ligação com o mesmo tipo de música suingada e abrasileirada de outrora, caminhando assim em um terreno novo, e por que não, instigante.

Dos passos acelerados em chão de pedra que delimitam a faixa título, passando pela respiração sufocante de “Se Não For Amor, Eu Cegue” até o som da derrubada de uma árvore em “Envergo Mas Não Quebro”, grande parte do que garante beleza e inovação ao disco vem diretamente da captação de ruídos e sons naturais que acabam entrecortando o registro. Orgânico em todos seus aspectos, Chão se desenvolve como um projeto vivo, como se todos os elementos que brotam da terra dessem formas ao catálogo de 10 composições que caracterizam o disco. Um jogo de faixas que estão para muito além de meros aglutinados sonoros, mas sim, canções dotadas de vida própria e uma unidade musical única.

Oposto das anteriores obras do músico, o recente trabalho parece manter como seu elemento central e de distinção a unidade entre suas canções. Cada faixa presente no disco não está ali à toa, pelo contrário, faz parte de uma trama maior, como se todas as composições presentes no registro fossem parte de uma única e extensa faixa, uma música de exatos 28:05 minutos – algo pequeno perto da extensão dos anteriores trabalhos do compositor. Dessa forma, o álbum exige uma audição apurada do princípio ao fim, como se a máxima compreensão do registro estivesse no todo e não em suas divisões.

Estranho observar, que mesmo ausente de bateria em toda sua extensão é possível passearmos por todo o registro sem que a carência de tal elemento acabe se manifestando. Algo facilmente explicado pela grandiosidade de outros elementos que acabam se concentrando no interior do registro. Embora seja de fato um trabalho complexo, talvez a maior obra do cantor até o presente momento, nomear Chão como o registro máximo do músico talvez seja um erro, afinal, como bem aprendemos, a obra de Lenine é sempre marcada pela rotatividade e suas constantes evoluções, com o presente álbum sendo apenas uma abertura para outras futuras obras tão memoráveis quanto esta.

Cleber Facchi é a principal cabeça pensante do Miojo Indie

Tibério Azul @ Santander Cultural, Recife Antigo-PE 29/10/2011

“Nasci pra poesia, das sensações, do sol, nasci pro dia”. Este verso da faixa “Lá em casa” do primeiro disco solo de Tibério Azul, Bandarra, descreve perfeitamente o cantor e compositor. E foi inclusive com esta música que o vocalista da banda Seu Chico iniciou seu primeiro show depois do lançamento do CD, no último dia 29, no Recife. Depois de emendar com a música “Veja só”, Tibério tomou a palavra e explicou que a ideia do show era transformá-lo em no mais intimista possível, e que a plateia era muito bem-vinda para fazer perguntas.

E como se fosse planejado para combinar com as influências de ritmos regionais na música de Tibério, alguém permitiu-se dizer o placar do clássico dos clássicos pernambucano: Náutico X Sport. “Foi 2 a 0 pro Naútico!”. Após brincar com a decepção do resultado, o cantor rubro-negro disse que “como dizem, azar no jogo…”, e sorriu timidamente. Tibério entoou “Trabalho”, “Vamos ficar sol” e “Alquimista Tupi”, entre outras, junto aos músicos e amigos, além de musicar o famoso poema de Carlos Drummond de Andrade, “E agora José?”.

O “Alquimista Tupi”, quinta faixa do disco, tem curiosamente a mesma melodia que Bandarra. A música que originou o nome do CD surgiu de uma brincadeira de mesa de bar com o pianista e companheiro da Seu Chico, Vitor Araújo. Tibério gravou escondido a melodia improvisada pelo amigo e escreveu uma letra para ela. Depois de mostrar o resultado final, Vitor quis aprimorar mais a melodia e Tibério decidiu compor outra letra, que denominou de “O Alquimista Tupi”.

Entre uma música e outra, duas crianças arriscaram perguntar o que devia estar passando pela cabeça de muitos: afinal, o que é Bandarra? Tibério riu e elogiou a pergunta que, na verdade, ilustra também uma das faixas do CD. Em “Abóbora”, sob o fundo musical do guitarrista e amigo do cantor, Yuri Queiroga, os dois sobrinhos de Tibério compartilham suas teorias sobre o que seria esta tão misteriosa Bandarra. Entre raça de cachorro japonês e um tipo de gripe suína, a verdadeira origem do título do disco vem de um poema de Manoel de Barros.

Ao tentar explicar melhor, o também fundador da banda Mula Manca & a Fabulosa Figura se deu conta da confusão que poderia estar causando na cabeça das duas jovens ouvintes. “A música e a poesia tem que ser um pouco confuso mesmo. Não pode ser como a matemática não, que é pra gente entender por nós mesmo”, concluiu o cantor para a alegria das meninas, e de todos os adultos presentes também.

Um público, aliás, privilegiado. A plateia não contava com mais de 100 pessoas e a proximidade física com os músicos permitiu criar o clima intimista que Tibério tanto queria. Afinal, segundo ele mesmo disse antes de revelar a surpresa que havia sobre algumas cadeiras um pedaço de um poema e passar o microfone para os seletos sortudos lerem seus trechos, a música é a melhor igreja que existe, pois ela tem a força de unir as pessoas. E foi isso que eu – e tenho certeza todos que estavam presentes naquele dia – me senti durante cada minuto em que Tibério cantava e falava.

Ao definir seu primeiro CD como muito orgânico, que surgiu “da mesma maneira que as plantas brotam quando menos se espera”, Tibério Azul nos mostra que ele é exatamente como sua música: natural, aberto, leve, bem-humorado e, acima de tudo, poeta.

Cícero @ Cine Glória, Rio de Janeiro-RJ 23/10/2011

foto por Cassius Augusto

As escadas laterais foram disputadas, não mais pelo local bem na frente do palco em que pessoas se apoiavam no chão só para ver mais de frente. Com todo o significado, o brilhante curta Le Ballon Rouge (1956), de Albert Lamorisse, o mesmo que tornou a canção “Two Weeks”, Grizzly Bear, conhecida (vídeo removido pelo criador), deu um brilhante tom inicial ao objetivo central da noite: mostrar os balões vermelhos ao vivo.

Na tela do cinema da Glória, projeções simples brigavam com as luminárias espalhadas no palco. Todos esperavam sem saber muito bem o que ouvir ou o que ver, afinal, o que esperar de um primeiro show de um primeiro cd de uma banda ainda se conhecendo? Não por acaso o sol voltou a aparecer fervoroso no céu carioca justamente neste dia tão esperado.

“Todos ganharam o cd?” “Não entregaram os bottons?” “Cadê o técnico de som?” “Errei a letra de novo, desculpa.” “Cara, eu to MUITO nervoso.” “E foi assim que nasceu o Canções de Apartamento.” Falador, talvez pelo visível nervosismo de quem coloca um filho no mundo, ou pelo curto tempo de duração das 10 canções do álbum e consequentemente do show, Cícero tem pela frente um recomeço de carreira e o reencontro com o palco. É como se tudo fosse novo ali, tanto para ele, para os músicos e até para o público.

foto por Cassius Augusto

Tímido, voz falha, guitarra ruidosa e um violão doce. Cícero não sabia se estava mais incomodado com o nervosismo do show ou com o pedal de voz recém comprado e ainda em fase de experimento. Cada música torna-se um movimento de conhecimento, de encontro com a resposta que ele só viu ocorrer pela internet, o fim das dúvidas de que se todo aquele sentimento criado dentro de um apartamento realmente poderia sair por aí e tocar pessoas aleatórias nas ruas.

O tímido canto da seleta platéia – pouco mais de duzentas pessoas – por vezes era contrariado por jovens mocinhas apaixonadas que arriscavam gritinhos no início das músicas. Enquanto brigava com a afinação, Cícero explicava como nasceu o álbum, brincava com os músicos e deixava-se soltar mais, fazendo o show correr mais tranquilo que o nervosismo inicial – o mesmo que o fez esquecer a letra de algumas músicas e acordes, mas nada que o público não pudesse ajudar.

Algumas canções ganharam novos arranjos e até acompanhamentos inusitados, num movimento de aceitação de influências como em ”João e o Pé de Feijão”, que ganhou introdução de “You Don’t Know Me”, de Caetano Veloso, e “Eu Não Tenho um Barco, disse a Árvore”, que foi introduzida por “Videotape”, do Radiohead. Assim como acontece em shows do Móveis Coloniais, Teatro Mágico e Los Hermanos, o público também deu seu show e surpreendeu trazendo balões vermelhos que começaram a pipocar durante “Tempo de Pipa”, em alusão ao clipe da música.

foto por Cassius Augusto

Para alguns foi bem difícil coordenar as palmas e cantar o refrão de “Ponto Cego”, mas foi muito mais gratificante literalmente fazer parte da música em “Laiá Laiá”, canção que encerrou o show. As longas palmas de pé apenas pareciam um agradecimento do público ao sentimento bom que as músicas proporcionaram, que este show nos apresentou e os sorrisos que a noite ganhou.

Daqui pra frente, depois deste show de estréia, o que podemos esperar é um público cada vez mais visceral, participativo e um Cícero mais seguro de mostrar suas Canções de Apartamento. Cícero agora não é mais do AP, mas sim de onde seu show for chamado, chegando até aos ouvidos de quem se dispõe a deixar algumas lágrimas correrem ao ouvir uma boa música ao vivo – como vi vários naquele domingo.

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