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De: Rosie / Para: Você e Eu

Álbum: Bird and Whale EP

Artista: Rosie And Me

Lançamento: 19/03/2010

Selo: Independente

Myspace: /rosieandme

Rockometro: 9,6

Rosie and Me é a resposta brasileira para um mundo que hoje é dominado por violões ou samples, vindos da internet e seus filhos online, como o Myspace e blogs. A doce voz e os simples acordes de violão contrastam com a determinada mulher que empresta seus dotes em favor de um folk pouco abrasileirado. O evidente foco no mercado internacional e letras corriqueiras – todas em inglês – funcionam como um charme nas leves canções desenhadas para se degustar a qualquer momento do dia.

Rosanne Machado, a vocalista, empurrada pelo frescor e sentimento que sua música trás, começou a mostrar seus dotes no Last.Fm, alcançando a incrível marca de 60.000 audições somente naquele site (hoje já tem mais de 77 mil). Embalada, juntou os amigos Ivan Camargo (violão), Guilherme Miranda (baixo) e Tiago Barbosa (bateria), e os deixou responsáveis por lapidar e detalhar o som em sua primeira empreitada, floreando as belezas sonoras propostas em cima da simplicidade e sinceridade.


Clipe da canção “Old Folks”

Enquanto você ouve detalhes do violão e percussão  de “Come Back” e o ukelele, as flautas e assobios de “Bonfires“, a prensagem de Bird And Whale, o primeiro ep e também nome da última e animada faixa, chega as mãos de mais alguém que adquiriu a bolacha na pré-venda internacional. Para quem conheceu o lado artesanal da banda, assistindo o belíssimo clipe da simpática e viciante “Old Folks (New Years)” (vídeo logo acima), já deve imaginar que todos os desenhos que vemos no álbum e myspace da banda são de autoria de Rosanne, a mesma que nos surpreende com “Darkest House”, numa levada folk diferente, onde até quebra de tempo temos.

Não só aqui no Brasil como em várias partes do mundo, Rosie and Me já é dado como uma das grandes promessas musicais do ano. Esse ep consolida as expectativas e redesenha um caminho folk que começa no Brasil, e não tem lugar para parar de ressoar. Do Brasil para mundo, do Last.Fm para a sua casa.

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Quem se interessou ou já é fã, a bolacha está sendo vendida a 5 dólares (pouco mais de 10 reais) no site oficial do grupo. O show de lançamento acontece nessa sexta (19/03), na terra natal do quarteto, Curitiba, no Wonka Bar (Trajano Reis, 326, Centro), e lá também você poderá adquirir sua bolachinha e mais goodies direto da mão da pequena artesã Rosanne. Em breve, sortearemos uma edição do ep em nosso site, é só ficar ligado. Tenha uma boa degustação musical!

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Resenha: O Rock ‘n Roll de 2010

Álbum: Beat The Devil’s Tattoo

Artista: Black Rebel Motorcycle Club

Lançamento: 09/03/2010

Gravadora: Vagrant

Myspace: http://www.myspace.com/blackrebelmotorcycleclub

Rockometro: 7.6

Semana passada, me deparei com o mais novo e brilhante álbum do Black Rebel Motorcycle Club. Envolvidos num misto de folk e muito blues os caras fizeram um CD de colocar muito vanguardista de queixo caído, exalando rock por todas as pontas e nos arrebatando com a melodia imprimida em seu som. É ouvir dessas raridades de vez em quando que nos faz lembrar que ainda se ouve real rock por essas bandas.

Sem cair na mesmice e no clichê os garotos de São Francisco dão um tom muito intenso e uniforme no disco, com uma guitarra distorcida que acompanha-nos durante todas as músicas. Com letras passionais e profundas BRMC nos entrega uma ode ao pessimismo e aos corações partidos nos mostrando a verdadeira alma do artista e o que o inspira mais, o amor e seus desastres.

O CD é aberto pelo single homônimo do álbum Beat The Devil’s Tattoo que de cara nos transporta para uma atmosfera totalmente anos 60, com direito a pandeiros e uns back vocals super zens que caem muito bem a música. O som é uma verdadeira obra de arte, dedicada a todos os medos mais profundos da alma, todos os desastres da vida e a atração da poesia por eles, propondo a total libertação de nossos demônios internos.

Na seqüência ainda no clima sessentista, a música “Conscience Killer” tem um ar de Janis Joplin e cia, muitos rifs, ótimas batidas e um ritmo que realmente contagia a quem ouve. “A música é seguida pelas também intensas “Bad Blood” e” War Machine” a primeira com um refrão grudento e muito agradável, e a outra com ótimos solos de guitarras e vozes com efeitos de distorção, dando uma cara muito rock ao CD.

Para quebrar um pouco a pegada do álbum e não deixar o mesmo ficar chato, temos na seqüência a lenta “Sweet Feeling”, cantada com maestria pela voz calma de Peter Hayes e acompanhada ao fundo por uma maravilhosa gaita e os back vocals de Robert Levon. Por algumas vezes na música somos surpreendidos por alguns agudos formando um clima maravilhosamente folk.

Em seguida temos a ótima “Evol” com uma letra super clichê, onde o autor fala sobre a perda do amor, e o sentimento de liberdade que sente a seguir. Porém todo o clima piegas é derrubado por uma pegada super-rock estrada, nos levando a cantar toda vez que a música é tocada, tornando-a realmente empolgante.

Porém os elogios ficam ao álbum ficam por aí, o que segue é uma seqüência de mais do mesmo, sem inovação, deixando o álbum chato e repetitivo. “Mama Taught Me Better”, “River Styx” e “The Toll” são apenas espelhos das outras músicas até então tocadas no álbum. “Shadow’s Keeper” vem pra complementar o desastre em que se torna o álbum, salvo pela “Aya” que realmente imprime um refrão muito “scream” e gostoso de ouvir.

Já terminando temos a sem graça “Long Way Down” que é muito pacifica e destoa completamente da proposta do resto do álbum. E para acabar temos os insuportáveis 10 minutos de “Half-State”, onde o ouvinte já se encontra num estado de tédio pelo álbum e a música só vem para complementar este sentimento. Mas no pacote como disse no início, o álbum é bem audível e muito uniforme, dando uma nostalgia e densa satisfação de valer a pena ouvi-lo.

Site / MySpace / LastFM

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Resenha: Black Drawing Chalks, Copacana Club e outros @ Flaming Night – BH 06/03/2009

Muita gente pergunta qual o melhor programa para o fim de semana em Belo Horizonte. No último fim de semana, caso alguém mais (além da minha mãe) resolvesse me perguntar qual seria “a boa” da noite, não iria hesitar em mencionar a 12 edição da tradicional festa Flaming Night no Lapa Multshow. Quem optou por acompanhar as apresentações dos goianos do Black Drawing Chalks, destaque da noite e dos curitibanos do Copacabana Club, que tinha cacife para ser o outro nome da noite, pode experimentar um pouco da loucura causada por altos níveis etílicos no sangue. E por incrível que pareça, eu não estou me referindo ás performances das bandas.

Devido a um problema interno, que foi resolvido graças á boa vontade do Bart, o organizador e mente por trás d0 evento, foi meio impossível conhecer o som dos conterrâneos do Fusile, que abriram a noite. A casa estava começando a encher no momento em que a banda tinha a ingrata missão de aquecer o público. Espero ter uma nova oportunidade em breve de conhecer o som da banda (não, eu não gosto de conhecer bandas pelo myspace) e descobrir mais um talento musical na cidade dos butecos. Não são poucos e vocês sabem. Logo depois, e devidamente posicionado próximo da mesa de som, foi a vez dos paulistas do Firebug lançarem suas empolgantes canções de pegada reggae. Animou até mesmo os desprovidos de ginga natural, que entre um copo e outro de cerveja, dançavam como autênticos bonecos de Olinda. Estava preparado o terreno para o Black Drawing Chalks fazer o Lapa pegar fogo.

Sei que muita gente deve estar cansada de ver resenhas do (sempre) excelente (mas excelente mesmo) show do Black Drawing Chalks aqui no Rock in Press e em praticamente todos os sites/blogs sobre música independente do Brasil. Se eu tornar a falar que a apresentação dos goianos é um verdadeiro tapa sonoro na orelha, irei revelar toda a minha já evidenciada limitação mental. Adultos não costumam gostar (conscientemente) de repetições e não quero ter que dar crtl + c e crtl + v em meu próprio texto, portanto resolvi arriscar. Ao invés de observar atentamente a apresentação da atração principal da noite do tradicional e bem posicionado local próximo da mesa de som, me infiltrei bem no meio da muvuca. No meio da confusão, dos moshs e de uma avalanche humana de stage dive.

Muitos jovens se empolgaram excessivamente durante a apresentação energética do Black Drawing Chalks. Dentre eles, um jovem sorria ao exibir o próprio óculos destruído para um amigo. Outro começou a agir como se o braço fosse uma hélice de helicóptero, o que acabou gerando um quase começo de briga generalizada nas rodas, que não ficaram devendo em nada para as clássicas (e amigáveis) rodas no show dos cariocas do Matanza. O problema dos moshs são justamente as pessoas que acabam batendo de verdade e ignoram a presença de meninas (ok. sei que o Copacabana Club é uma banda para meninas, de todos os tipos, mas não importa. Abriram a porta do paraíso e o resultado foram várias beldades desfilando no Lapa) no meio de marmanjos barbados. Porém nada superou o momento em o primeiro maluco resolveu subir no palco e se jogar no público. Tudo começou timidamente, mas logo todos começaram a imitar o gesto. A banda virou atração de segundo plano e dentre os vários mergulhos, se destacou uma menina pequenininha que demonstrou não ter medo nenhum de se espatifar no chão e se jogava repetidas vezes, chegando inclusive a ser puxada pelos pés por um segurança sem noção.

O que era a diversão da maioria, acabou virando pesadelo para uma outra menina, igualmente louca. Logo depois de uma pausa na apresentação por conta da destruição da pele da bateria (isso com menos da metade do show rolando) e já com Chuck Hypolitho tocando junto da banda (o que ninguém percebeu quando exatamente aconteceu), uma loirinha subiu rapidamente no palco e com a mesma velocidade se jogou no meio do público distraído. O resultado foi desastroso, visto que pessoas não nasceram para “kikar” no chão. Mais uma pausa e dessa vez com direito a zoação da banda: “Seus malandros! Na hora que é cueca vocês seguram, né? Mas quando vai a menininha todo mundo abre a roda. Cadê os homens???”. Resolvido o problema (e com a bela jovem devidamente encaminhada para o hospital mais próximo), o show continuou a todo vapor. Lugar comum dizer que “My Favorite Way” foi o ponto alto da apresentação, elogiadíssima por um animado gringo que chegou até mesmo a comparar o show do Black Drawing Chalks com Metallica e Mastodon.

Quando o Copacabana Club entrou no palco, o público já era bem diferente daquele que agitava freneticamente a pista do BDC. O nível etílico já estava drasticamente reduzido e um verdadeiro arsenal de mulheres se encaminhavam para a primeira fila do concorrido show dos curitibanos. O Lapa virou boate e o grupo liderado pela sensual Caca V logo exibia seu maior sucesso “Just do it” para a alegria dos fãs e das mulheres lindas da cidade. Não era o meu caso. Mesmo acompanhado de uma dessas mencionadas mulheres, não consegui entrar no swing da banda paranaense. ´E como se faltasse alguma coisa, se fosse um daqueles shows que só valem a pena assistir uma vez na vida e depois não tem nada de novo. Talvez o Copacabana Club seja indie demais para mim; ou então estou velho demais para aceitar (e gostar) da filosofia da Flaming Night, que é justamente misturar estilos diferentes em uma noite escaldante no Lapa. Da próxima vez terei uma resposta, até lá o Copacabana Club será a banda de uma (divertida) música só. E com uma vocalista sensacional.

O saldo final é de uma apresentação incrível do Black Drawing Chalks totalmente ofuscada pela loucura inconsequente de seus fãs, que afinal fizeram o show valer a pena. Agora é só esperar pela próxima edição e degustar de novas frequencias agradavelmente agressivas para o bom funcionamento de nossa audição.

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Resenha: Música com cor a oito mãos

Álbum: Vejo Cores Nas Coisas

Artista: Oito Mãos

Lançamento: 08/02/2010

Gravadora: Independente

Myspace: http://www.myspace.com/oitomaos

Rockometro: 9,0

Muitas vezes um álbum nos cativa pelo nome que o assina; outras vezes um nome nos cativa pelo resultado do álbum que assinou. Este é o caso de Oito Mãos, quarteto campineiro formado em 2005 por Leandro Publio (guitarra e vocal), Felipe Bier (baixo e vocal), André Leonardo (guitarra e vocal) e Adhemar Della Torre (bateria). Depois de um disco de demos lançado no mesmo ano e alguns singles no decorrer dos quatro anos seguintes, a banda lançou em fevereiro deste ano seu primeiro álbum de estúdio, liberado primeiramente em versão virtual e disponível no site oficial da banda.

Vejo Cores Nas Coisas foi gravado ao longo de um ano em home studio próprio, o que proporcionou detalhes e peculiaridades que os diferenciam, garantindo uma marca própria. São esses detalhes, como a gravação de rádio em “Ninguém” e o som da chuva em “Marina”, que expressam certa dose de experimentalismo e personalidade e nos aproximam do universo de cada música.

Mas não é só em experimentalismo que é baseado o som da banda. Oito Mãos é uma banda de rock com tudo o que vem agregado ao título, mas passeia entre o britpop, com influências confessas como Travis e Coldplay, e esbarra na MPB, além dos vocais simultâneos que soam como uma bela ode aos garotos de Liverpool. Com três compositores e cada um com suas influências, o álbum possui diversidade criativa e dinamismo, ao mesmo tempo em que a sintonia entre eles garante unidade ao conjunto.

A tríade guitarras + bateria + baixo cumpre muito bem seu papel, com momentos de riffs leves que se aproximam ainda mais do rock sessentista. Os vocais arrastados trazem ares quase britânicos, enquanto as letras simplistas e líricas imprimem uma atmosfera singela que remete à MPB.

Em “Ninguém” pode-se notar o máximo de experimentalismo do disco, com vocais quase ininteligíveis e a inserção de trechos de gravações aleatórias, como de um programa político de rádio. Todo esse experimentalismo é contrabalanceado pela sonoridade pop e o refrão fácil de “Alguém”.


“Encontro de Almas”

“Encontro de Almas” ganha destaque pelos riffs repetitivos à ‘60s e pelos vocais simultâneos, aqui em sua melhor forma, aliados ao lirismo dos versos. Esse lirismo é mantido em “Passarinho” e acentuado pelos acordes suaves e os vocais quase preguiçosos, que dão à música uma atmosfera de sonho e nostalgia.  “Claire” “Café” e “Verniz” chamam a atenção pela quebra de ritmo, enquanto “Marina” ganha destaque pela atmosfera simplista, com seu violão, gaita e ruído da chuva. “Quando eu for pro mar” carrega em seus versos poéticos uma melancolia que encerra o disco com saldo positivo.

A doçura de Vejo Cores Nas Coisas faz com que este seja o tipo de álbum para ser degustado e ouvido repetidamente, com a certeza de que as faixas ganharão uma cor diferente a cada audição e que a experiência será sempre plenamente satisfatória.

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Resenha: Coldplay, Bat For Lashes e Vanguart @ Apoteose – Rio 28/02/2010

Mais de 30 mil pessoas reunidas debaixo de chuva na apoteose e acreditem se quiser não era carnaval, era o efeito “Life in Technicolor”. Coldplay e convidados chegaram a Apoteose no último domingo com a missão de fazer com que todo o sacrifício das pessoas ali presente valesse a pena. Para quem esperava ver um “Just a Fest II” se decepcionou e muito, mas para quem queria ver mais do mesmo saiu muito satisfeito. A banda inglesa levou para a apoteose seu “Grande” espetáculo enlatado, onde todos já sabiam como e quando as coisas iriam acontecer, porém, é claro que ninguém consegue tirar o encanto e a magia do ao vivo e a cores.

A ótima organização do evento mesmo com toda a chuva conseguiu acabar rápido com a fila que se formou do lado de fora da Sapucaí, e obrigando todos respeitarem a mesma. Em menos de uma hora todos já estavam acomodados e aguardando os shows, acomodados entre aspas, por que a segregação social nunca foi tão clara em um show. Com uma imensa e vazia pista vip, os reles mortais se matavam por um lugar melhor atrás. Os pontos negativos não ficaram por aí, a péssima montagem de som fez com que as duas primeiras apresentações fossem extremamente prejudicadas, provocando a insatisfação visível do público.

Os primeiros a subirem ao palco foram os meninos do Vanguart, super-travados e com problemas de som visíveis, os matogrossenses fizeram um show nada empolgante. Prestando muito mais atenção na técnica do que no público, o Vanguart assumiu que os espectadores eram do Coldplay e preferiu não conquistá-los. Com poucas palavras e menos animação ainda a banda não empolgou nem com “Semáforo”, suposta música “super” conhecida deles. Mas como ninguém está a se apresentar com a finalidade de ser bobo da corte, o show foi válido e podemos dizer que sim, de qualidade.

A segunda a subir ao palco foi a incrível cantora britânica Natasha Khan e seu codinome Bat for Lashes, e ao contrário dos anteriores converteu todos os pontos técnicos negativos em muita espontaneidade e simpatia com o público que a recebia. Com todos os seus ritmos extravagantes, suas batidas intensas e uma música literalmente viajante, Natasha conseguiu empolgar um público que até então desconhecia por completo suas músicas. Seu carisma e animação do palco realmente conquistaram o público, e após ter deixado as duas melhores músicas para o final “Prescilla” e “Daniel”, a cantora deixou a apoteose sob uma intesa chuva de aplausos.

Por falar em chuva, a mesma se intensificava a cada instante, levando todos a aguardarem pela atração principal sob suas capas e seus guarda-chuvas (opa, que feio, atrapalhar a visão do coleguinha). Foi sob muita água que ouviu-se o som de “Life in Technicolor” arrebatando toda a multidão a espera da banda inglesa que entrou cantando “Violet Hill” como já esperado na setlist. E na sequência para não ficar pra trás os cariocas não quiseram saber se ainda não era aniversário do vocalista e desencadearam uma sequência de “Happy Birthday to you” ao fim de “In My Place”.

A sequência foi como o já programado: imensos balões quicando sobre nossas cabeças em “Yellow”, muita emoção em “Glass of Water”, fogos de artifícos em “Fix You”, bolas de festas chacoalhando em “Strawberry Swing”; a única diferença foi que logo após “42” não houve a canção “Cemiteries of London”. Como já programado também, na sequência os britânicos se dirigiram par um palquinho à esquerda aonde apresentaram a ótima sequência “God Put a Smile Upon Your Face”, “Talk”, e “The Hardest Part” ao som do piano, completada com “Podcasts From Far Away”.

De volta ao palco principal chegou o momento que todos esperavam, todos unidos um só coro cantavam a letra mais fácil da banda: Uooooôouooooô! Era chegada “Viva la Vida” e toda sua empolgação levando o público ao delírio, seguida da também animada “Lost”. Em seguinda se dirigindo para o palco da direita, a banda fez uma pequena mudança na setlist, cantando “Shiver” no lugar de “Trouble”, seguida de “Death Will Never Conquer” e da inédita “Dom Quixote”, que já havia sido apresentada em Buenos Aires.

O primeiro bis como programado ficou por conta de “Politik”, “Lovers in Japan” e “Death And All His Friends”, com destaque para a tradicional e muito bonita chuva de borboletas em “Lovers in Japan”. Para o segundo bis a banda trouxe a emocionante “The Scientist” e as lindas pinturas de “Life in Technicolor II” e após despedirem-se ficamos ao som de “The Escapist”.

Sendo assim, o que vimos não foi o melhor show o ano, nem tão pouco uma sequência de shows que chegarão aos pés de “Just a Fest”, porém foi um espetáculo muito bonito de se ver. Sem contar que ouvir Coldplay e ao vivo, a qualquer momento é válido. Mas esperamos sinceramente que este ano traga-nos melhores shows.

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Resenha: Grito Rock RJ @ Circo Voador, Lapa RJ 26 e 27/02

* Resenha: Marcos Xi
*Fotos: Juliana Ribeiro
*Edição: Willian Decottignies

- O Rock, a tradição e suas certezas.

O Rock n’ Roll já foi um estilo elitista e já sofreu dos preconceitos de uma sociedade cabeça-dura e moralista. Hoje em dia, o estilo musical ganhou asas e mudou desde sua nascença, mas seja qual for a história, o rock ainda não é uma opção de programa em família. O Grito Rock é o maior festival independente da América Latina e escolheu para sua edição carioca o mesmo palco que a muitos anos atrás um tal de Marcelinho conseguiria o tão sonhado baseado que Tim Maia não conseguiu arranjar. Esse Marcelinho subiu ao palco do mesmo Circo Voador anos depois levando mais uma vez o baseado, mas agora em palavras, com o Planet Hemp.

Mas o foco não são os artistas citados, e sim a maconha. A fumaça subiu alto no primeiro dia de festival, ao som de 5 bandas selecionadas para representar o estilo de vida do rock n’ roll – num formato um pouco mais adolescente. O Circo passou a usar a política de que as suas atrações começarão mais cedo – mas nem atrasando o início dos shows, conseguiu evitar que o peso aliado as flautas do Aumumana e o pop rock de Wander Telles estivessem praticamente desertos. Os artistas exibiram qualidade e beleza nas canções, mas além dos estilos serem bastante diferentes das outras bandas da noite, pedir para os cariocas que cheguem cedo num lugar onde a décadas se produz shows só a partir da meia noite, foi pedir demais.


Sabonetes

- O Novo e o bom da Cena Brasileira.

Com um recém lançado primeiro disco e uma elogiada turnê, os Sabonetes desceram de Curitiba para mostrar seu som no Rio de Janeiro. O público se animou e começou a encher a pista. Os coros vocais muito bem ensaiados e as divertidas e dançantes músicas despertaram a curiosidade de quem nunca havia ouvido o som do grupo, mesmo que o vocalista e guitarrista Artur tenha poupado sua voz e nos deixado sem as puxadas e gritos propostos no álbum, o show empolgou mesmo.

A primeira apresentação do grupo no Rio de Janeiro teve direito até a coro do público no fim do show, em alusão a música “Enquanto os Outros Dormem” que foi tocada um pouco antes do fim e ainda sim lembrada por aqueles que ocupavam a pista do Circo Voador. Houve quem abraçasse a namorada na balada “Hotel”, quem cantasse junto na fácil “Nanana” e os que dançaram sem parar no single “Quando Ela Tira o Vestido”. Um ótimo show que acabou perdendo um pouco a força perto do final, mas valeu muito pela qualidade, mesmo que o já conhecido som ruim da casa e o pouco tempo de show não permitissem a execução na integra do álbum de estréia do quarteto.

Banda Tereza

Surpreendentemente, a pista começou a lotar. A banda Tereza fez jus ao fato de ser a penúltima a tocar na noite e, embalada pelos numerosos fãs fieis e seguidores, destilou sua variação sonora num público perplexo – e já embalado pelos ‘bauretes’ fumados – a mesma energia emanada de cima do palco. Aproveitando-se do fato de estar prestes a lançar um EP com 8 músicas no mês que vem, a banda juntou essas canções e mostrou aos presentes a força que já passou por boa parte do país – e foi parar na Argentina.

A arrasadora presença de palco acachapante do vocalista Vinícius “Mullet” Louzada foi um dos grandes responsáveis pela destruidora apresentação. Os som passeava do punk ao country, sem deixar a energia abaixar. O público já sabia as letras e tinha até movimentos ensaiados para certas músicas (como em “Vamos Sair Para Jantar” e “Rádio Recordar”), surpreendendo até o mais otimista ao saber que o grupo só toca junto a apenas um ano e não tem nenhum material oficial lançado. Empolgaram público e até os funcionários, e acabou sobrando para a roadie Marcela Vale a vez de dançar com o grupo em cima do palco do Circo – Marcela, alias, toca na excelente banda Velho Irlandês. Sem mais, a banda Tereza é o futuro da música carioca.


Móveis Colonias de Acaju
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Resenha: Grito Rock RJ 1º dia

A expressão é: quanto rock! Móveis Coloniais de Acaju e convidados simplesmente deram um show na edição do Grito Rock Niterói. A noite foi marcada por grandes apresentações e uma energia inigualável provando que rock não é apenas um ritmo, mas sim muita atitude. A forte chuva que caia na cidade afastou a galera farofa, levando ao evento apenas as pessoas que realmente estavam interessadas em ouvir o velho e bom rock e todas as suas variações. Dando um clima extremamente intimista ao show e proporcionando uma troca excepcional entre os artistas e o público.

O evento que ocorreu no espaço Hum Grill em Charitas, contou com uma ótima organização e performances realmente empolgantes, sendo aberto pelo característico som do Madre. A banda que conta com um som bem intenso mostrou logo de cara qual era a vibe da noite. A segunda a se apresentar foi a banda Motherfunk e seu som mais que especial. A mistura de rock e soul proporciona um som muito gostoso de ouvir e uma batida ótima para dançar, e a vibe da banda araribóia realmente animou o público, que era só interação.

Motherfunk

Kátia Dotto

Seguindo na onda de soul quem veio para dar uma quebrada no som mais intenso e colocar a galera para dançar foi a cantora Sabrina Ribeiro. Conterrânea da banda Motherfunk, a cantora provou que tem swing no corpo e que em Niterói ainda se curte uma boa Black Music. Entre covers e músicas próprias ela colocou a platéia para gingar e deixou o terreno preparado para todo o experimentalismo que viria a seguir com Kátia Dotto. Contando com uma banda inspirada e com um baterista radical ela realmente colocou a galera para pular e se divertir com o som , que foi do mais original rock’n roll ao denso experimentalismo – com cover da cantora Bjork. Para fechar, a cantora ainda encenou uma música peruana onde provou todo o potencial de sua incrível voz, deixando a todos muitos impressionados com sua performance.

A atração principal da noite o Móveis Coloniais de Acajú falou um pouco conosco sobre as novidades da banda. O baixista Fábio Pedroza contou-nos que o 1º DVD da banda estão na parte de término da mixagem e irão para edição na TV Brasil. O lançamento deverá ser para meados de Junho. Ele também comentou sobre a incrível energia e a diversidade de público na gravação do mesmo. André González nos falou um pouco também da incrível comemoração na recepção dos calouros da USP (no dia anterior ao show) e do engraçadíssimo video de “Adeus de Carnaval”, que de acordo com o vocalista foi extremamente espontâneo e divertido.

Em seguida, os caras do Móveis – que já circulavam pelo lugar durante todo o evento – subiram ao palco e cumpriram sua missão de contagiar a todos que estavam no espaço. Com a energia de sempre, André González e cia começaram com a fantástica seqüência de “O Tempo”, “Descomplica” e “Cão Guia”, todas de seu mais novo CD C_mpl_te. Entre muita Salsa, Ska, Rock e Dub a banda finalmente chegou à performance de “Copacabana” promovendo a tradicional rodinha seguida do empolgante bate-cabeça. O show estava tão empolgante que a banda se despediu por quatro vezes, finalmente deixando o palco no fim da noite ao som de “Adeus”.

Apresentações marcantes, bandas empolgantes e muita mais muita boa música, assim foi feita a primeira noite de Grito Rock RJ. A seqüência de shows agora se transfere para o Circo Voador na Lapa e continua nesta sexta e sábado, com muito rock e atitude.

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