Com uma semana de atraso e saindo um pouco da onda de dicas femininas, hoje apresento-lhes uma das melhores coisas que tenho ouvido neste último mês. A muito tempo não ouvia nada tão sonoro e cativante quanto o som do Indic Blue. A banda radicada em Rio das Ostras, RJ, faz um som que podemos descrever como inebriante, um blues daqueles que não permitem que seu corpo fique parado diante de tanta musicalidade.
As influências vão desde The Gossip a Etta James, passando por algo similiar ao som do Noisettes, e ainda se ouve uma forte influência do piano de Elton John nas lentas da banda. E como o vocalista Marcos Matarazzo disse, a intenção é pegar os pontos essenciais em cada uma dessas influências e fazer algo novo. Se a receita é exata eu não sei, só sei que de todo esse musico-fagismo regurgita-se um blues para ninguém colocar defeito. Um som que mesmo com todo o frescor da banda sai como se eles cantassem aquilo há séculos, e que possui uma interação de colocar muita gente no chinelo.
O Indic Blue não tem muito tempo de existência. Formada há menos de um ano, a banda tem se ajustado constantemente e está em sua formação atual há pouco tempo. O frontman da banda afirma que já possuia muitas coisas escritas e dentre elas selecionou algumas para compor o estilo da banda, a partir de então convidou alguns músicos próximos, por achar muito chata a dinâmica da carreira solo. Hoje a banda é composta, além do vocalista e tecladista Marcos Matarazzo, também por Paula Moura na guitarra e por Zito Rainey no incrível baixo.
A banda até agora possui apenas quatro músicas, todas em inglês, com excessão de alguns trechos de “Bad Memories”. De acordo com o vocalista e compositor da banda, a língua, além de apresentar uma sonoridade melhor para as canções, representa uma certa codificação em sua música, com a qual só os realmente interessados conseguem interagir. As músicas são em sua maiorias sobre intensos relacionamentos e dolorosos desfeixos, aonde o blues acerta em cheio ao exprimir essas intensas e sombrias emoções. Emoções que ficam bem destacadas na melodiosa e melodramática “It’s Dangerous”, onde o autor confessa sua dependência de seu amor.
A melhor música é sem dúvidas “Bad Memories/Toda Vez”, que possui uma letra maravilhosa e que transita entre o inglês e o português como se fosse brincadeira de criança, regada por um baixo pontual que não abandona a voz do cantor durante toda a música, dando um ar dark e intenso ao som. Mas sem dúvidas a preferida de todos e carro-chefe da banda é a íncrível “Supermam”, que é uma baladinha muito divertida, com cara de som de musical, e que ainda possui um refrão super contagiante e extremamente dançante. A banda ainda conta com a energética “Fire” aonde pode-se enxergar todo o hype da banda e como eles estão ligados à novas tendências; os riffs e os efeitos eletrônicos são marcas registradas da música.
Indic Blue tem toda essa coisa de hype, pop e que vai muito além da música, que está ligado à ideologia, ao comportamento e à sexualidade que transpira através dos poros de suas músicas. É sobre gritar sentimentos com os quais infelizmente um dia todos temos que lidar na vida. A banda começa a dar seus primeiros passos e fazer seus primeiros shows, tirando de vez o estigma de míticos. Todas as músicas você pode conferir no MySpace da banda ou então fazer o download aqui.
Precisa Ouvir: “Youth Alcoholic”, “InYr Underwear”, “Beat me Up”
Aonde: Suécia, Estalcomo
Roupa Transparente Porque: O divertido e macabro som dessa dupla gringa vai te conquistar. Com uns sintets irados, uma mistura de new rave e 8-bit com post punk, a dupla transpira atitude dark, porém muito mais muito moderna. Fox n’ Wolf parece uma mistura de Crystal Castles com Peter Bjorn & Jhon, com umas vozesinhas realmente viciantes. Com máscaras de lobos e uma imagem muito dark fazendo jogo de luz no palco aliados a um som intensamente frenético, Fox n’ Wolf é daquelas experiências que farão você ter pesadelo à noite, um ungry bitch de meter medo em qualquer um.
Tem Uma História: A banda sueca que começou em 2008 não tem muita história disponível nestes dois anos de estrada, apenas que o burburinho gerado por toda a sua atitude tribal trash rendeu-lhes uma grande turnê pela Europa. Fox n’ Wolf começou trabalhando com vários remixes de bandas como Crystal Fighters, Reinascense Man, We have a Band, e depois lançou algumas copilações pelo selo indie francês Kitsuné, que representa a banda até hoje.
YaY: A banda, que lançou recentemente seu EP Youth Alcoholic, contendo as ótimas “Eletric Date”, “Rules Out” e a música título, tem tido também vários de seus sons remixados e agora fez uma turnê americana para divulgação do EP. Fox n’ Wolf sem dúvidas é uma grande promessa para o estilo P.A.R.T.Y. e em breve estará lançando seu primeiro álbum.
Continuando a sequência de dicas femininas hoje falo sobre a brasileiríssima Tulipa Ruiz, que tem encantado e cantado todas as manhãs por aqui com sua doce e suave melodia, impossível de se ouvir e não querer repetir a dose.Tulipa é um dos grandes nomes promissores dessa nova geração da música brasileira, ao lado de Tiê, Karina Buhr, Céu, Mariana Aydar e outras delícias sonoras. Tulipa é uma artista no todo. Além de cantar faz lindos e singelos desenhos e inclusive desenhou a capa do próprio debut.
A cantora vem se destacando pela sua incrível capacidade de inovar dentro do inovador. Sua ótima voz aliada a um incrível experimentalismo que vai desde Gal à rock dos anos 60, não permite que suas canções se pareçam com o que já existe por aí, acrescentando mais coisas interessantes ao que já vem rolando. O trabalho da cantora é tipicamente feito entre família e amigos, as músicas da cantora contam com participações nas guitarras de seu pai (Luiz Chagas, músico e jornalista) e de seu irmão Gustavo Ruiz, e de outros amigos.
O maravilhoso debut de Tulipa chama-se Efêmera. O álbum que conta com a produção do irmão da cantora será lançado no final do mês pela YB. Gustavo Ruiz ainda assina tres canções junto com a irmã, a faixa título “Efêmera”, “Do Amor” e a música que pra mim tem o melhor instrumental do álbum “Brocal Dourado”. Efêmera é daqueles albuns que você vai querer escutar todos os dias repetidamente por no mínimo um mês. A sutileza das melodias e as muito bem trabalhadas letras da cantora prendem o ouvinte que descobre um novo significado para as músicas a cada nova audição.
Os temas tratados pela cantora são aconchegantes e com uma linguagem cheia de vida deixando a sua música realmente pálpável. “Efêmera” abre o álbum com um pequeno resumo de sobre o que ele se trata: pequenos detalhes, coisas efemeras; é sobre tentar prender-se a momentos perfeitos e perecíveis como esse incrível álbum. Em “A Ordem das Árvores” acompanhados por uma simpática percussão visualizamos lindas paisagens ao som da voz de Tulipa, e retratam a infância da cantora vivida no interior de Minas.
O álbum todo passa-se tratando sobre a temática do tempo e como ele carrega consigo todos os momentos. Em “Pontual” a cantora fala sobre o atraso contidiano desta vida urbana e as ótimas coisas que perdemos por causa desta vida corrida. “As Vezes” é a música mais pop do álbum, colaborando para a incrível diversificação do trabalho. O álbum é finalizado com a emocionante “Só sei dançar com você” que parece que é uma melodia sem fim, aonde o ouvinte realmente se sente rodando levemente para dentro deste funil sem fim. Realmente, a melhor experiência do álbum é guardada para o final.
O trabalho de Tulipa Ruiz tem sido almplamente divulgado este ano, a cantora contou com uma matéria especial na Rolling Stone de maio, e teve espaço garantido para o lançamento do seu CD no Estadão. Tulipa deu um show na virada cultural paulistana e fará o lançamento oficial de seu estrelado CD dia 30 de maio no auditório do Ibirapuera.
Com um nome tão clichê, que lembra “Caverna do Dragão”, vindos da espanha e com este visual mega trash tribal você deve estar imaginando que coisa boa não deve sair da P.A.R.T.Y. de hoje né? Errado! Para quem achava que da espanha as pessoas só dançavam ao ritmo das castanholas, algumas bandas teem provado o contrário, dentre elas está nossa dica desta semana…
O “Ponha A Roupa Transparente YAY!” deste domingo é com:
CRYSTAL FIGHTERS
#3wordsafterparty: Crazy Spanish Party!
Precisa Ouvir: “I Love London” e “Xtatic Truth”
Aonde: Navarra, Espanha
Roupa Transparente Porque: Misturarfolk Basco com ritmos de festas londrinas, uma banda que tem esse como seu objetivo principal deve fazer um som no mínimo louco. Sabe aquele ritmo jovem que todos sentem falta na maioria das Partys por aí? Algo que possamos apenas sair pulando sem passos ensaiados, um som frenético mas ao mesmo tempo tão leve dando a impressão de dança ao ar livre. Pois é o som do Crystal Fighters remete a isso tudo, é como se fosse uma combinação de Club 8 com CSS, como se fosse possível.
Tem uma história: Integrada por dois ingleses, um americano e duas espanholas, ambos fascinados por folk basco, essa galera resolveu se reunir e dar uma nova releitura à música local. Acrescentando alguns sintetizadores e um um vocal frenético, o objetivo deles é repaginar essas canções que estão presentes nesses povos por gerações, incoporando nelas um tipo de indie dance muito agradá vel aos ouvidos. Crystal Fighters já possui dois singles gravados pela gravadora francesa Kitsune. “Xtatic Truth” que foi o primeiro trabalho da banda é algo tem predominação de sintetizadores, fazendo um tipo mais comportado, mas que produziu uma ótima divulgação para a banda.
YaY: Protagonista de um forte burburinho na cena londrina, a banda ainda está colhendo os frutos de seu segundo single “I Love London” que é algo do tipo bem freak mesmo. Com vários elementos de percurssão misturados ao ritmo eletrônico a música realmente penetra em nossas mentes e frase “I Wanna go to the Paint Party” não sai mais de lá! Além de estarem organizando o seu primeiro álbum, estã participando de vários festivais indies de peso como The Great Scape ao lado de Delphic e Japandroids, e também estarão em grandes festivais este ano como o Glastonbury Festival em junhoe o V Festival em agosto. Com este ótimo som, eu garanto que essa galera não vai passar muito tempo desapercebida.
Modern times, are hard times. Essa frase define bem meu status na semana que se passou. O combo de provas trimestrais somados à dois estágios, freelas e a falta de uma secretária do lar em casa, me causou escassez de tempo e isso explica a ausência de uma dica e da nossa coluna festeira na semana passada. Mas agora, voltamos com tudo, prometendo (quiçá cumprindo) ressarcir essas faltas.
A banda escolhida de hoje, na verdade um duo, não é nenhuma novidade, já é constante no vocabulário hipster e uma aposta de vários meios de comunicação, qualidade não os falta, mas o exagero do hype deve sempre ser medido com bom senso.
Então, sem mais delongas, pra quem não conhece, lhes apresento: HURTS.
O duo de Manchester foi citado nas duas listas mais importantes de apostas musicais, a Sounds of Years da BBC e a New Music Radar da NME, o que definitvamente não é pouca coisa, pra uma banda cujo início de atividades datam o não tão longinquo Março de 2009.
A dupla é formada por Theo Hutchcraft que assume os vocais e Adam Anderson que cuida com exímio das programações eletrônicas e de uma conveniente guitarra. Fugindo à moda que assola o mundo, os rapazes mostram claramente seu gosto pela velharia e nostalgia, vê-los e escutá-los é como fazer uma viagem ao tempo para a década de 80, e mesmo que eu não tenha vivido essa época, tenho relatos suficientes de meus familiares, pra fazer essa conclusão. Mas não se engane, a sua festa ploc não está com a trilha sonora garantida, o HURTS explora o lado mais sombrio e enebriado dessa época, onde o amor está acima da diversão desenfreada.
O visual, também não nega a influência. Clipes minimalistas em black&white, onde a vestimenta não passa de um elegante estilo quase black tie, totalmente inverso às cores e ao excesso de informação que tanto nos faz temer, mas com personalidade forte o suficiente para criar uma nova tendência.
‘Wonderful Life’
Musicalmente, bebem de influências diversas, mas o synthpop oitentista é o que comanda, com alguns pitacos de post-punk. Percebemos a toques de Depeche Mode, Joy Division, Ultravox, Pet Shop Boys e até Madonna, no caldeirão que mistura sintetizadores com dramaticidade.
Já lançaram single das músicas ‘Wonderful Life’, ‘Blood,Tears & Gold’ e dia 24 desse mês, ‘Better Than Love’ ganha sua versão física.
Todo esse resgate ao passado com um toque de modernidade, faz com que o duo tenha uma agenda cheia até agosto e que o debut de estréia seja um dos discos mais esperados por mim, neste promissor 2010.