Nessa enxurrada de álbuns de bandas relevantes nesse segundo semestre, e com todas as promessas que fizemos no primeiro realmente se concretizando, ficou difícil parar para ouvir alguma coisa realmente nova de uns tempos pra cá. Mas após algum tempo sem apostas, cá estou de novo para falar-lhes de algo que realmente me emocionou este mês. A banda chama-se The Lonely Forest e a proposta é essa mesma, um Pop-Rock simples, com um que de orgânico e com umas letras rústicas, geralmente sobre o cotidiano de pessoas de pequena cidade.
As influências começam pelo som da Menomena, do qual dá para identificar muitos aspectos no som da banda mas principalmente o fato de conseguirmos identificar essa coisa orgânica e espontânea nas músicas. Também passamos pela invitável comparação com a Band of Horses que é praticamente mãe de todas as bandas que se propõem a fazer esse estilo rústico de pop rock. Mas o quarteto de Washington, estado mais caipira dos Estados Unidos, não se limitam a temática provinciana e também se assemelham em alguns aspectos com propostas que vão desde Nirvana à Talking Heads.
Turn Off This Song and Go Outside
The Lonely Forest conta com a suave e harmonizante voz de John Van Deusen nos vocais, que ainda faz o piano que é essencial em 50% das músicas. Tem também a ótima guitarra de Tony Ruland, a bateria de Braydn Krueger, e no baixo Eric Sturgeon é quem se destaca.
O fato de eu ter descoberto o quarteto é porque eles são a primeira aposta do produtor Chris Walla para seu primeiro selo lançado pela Atlantic Records chamado Trans. O guitarrista do Death Cab for Cutie disse que ficou encantado ao ouvir a banda em uma apresentação ao vivo, e na mesma hora quis produzi-los, porém seguindo seus instintos Walla soube que era a hora de criar o próprio selo para lançar bandas nas quais acreditava, e que essa era a proposta certa para o The Lonely Forest.
Apesar de todo o frescor das notícias a banda não é tão nova assim, eles já estão na estrada desde 2006 e como qualquer banda buscando seu lugar ao sol. Em 2006 a banda lançou seu primeiro EP chamado Regicide, mas logo em seguida por complicações de saúde o guitarrista Tony Ruland teve que deixar a banda. Então em seu primeiro álbum Nuclear Winter a banda resolveu investir mais no som do piano. Recuperado Ruland regressa à banda em 2009 para gravar o um pouco confuso, mas com lindas músicas, We Sing The Body Electric!, álbum que começou a dar á banda algum reconhecimento.
Este ano lançaram o incrívelmente intimista EP homônimo de 5 faixas, aonde parece que Walla conseguiu mesclar tudo que tinha de melhor na banda e lapidando tudo que era bruto. Em algumas músicas encontramos um piano forte, já por outras vezes é a guitarra que se destaca, o que não deixa a desejar em nada os acústicos que a banda vem fazendo e que podemos encontrar no próprio EP.
Donos de músicas ótimas como “Two Pink Pills”, “Woe Is Me and I’m Ruined” e “Julia’s Song” não é difícil adivinhar por que a banda cativou os ouvidos do produtor, alias basta uma ouvida na incrivelmente perfeita “We Sing In Time” para nos dobrarmos perante a sonoridade da banda. Nessa música que particularmente considero a melhor da banda a suave voz Van Deusen se junta a uma guitarra macia, que não tira o ânimo da música, profetizando que todos nós estamos condenados ao destino final, mas que sempre podemos ter esperança na vida. O novo EP não fica pra trás, e carrega músicas lindas como “Turn Off This Song and Go Outside” e “Live There” que exigem que vivamos a vida simplismente ao vivo e a cores.
The Lonely Forest é aposta já de muita gente como Stereogum e Will Oliver; viraram meio que celebridades no estado de Washington, saindo direto no jornal local; na cidade então nem se fala, acabam de gravar o clipe de “Turn Off This Song and Go Outside” participando de uma “Parade” e divulgando imagens de sua cidade natal; e a Sppiner também acaba de colocar o EP dos caros para stream. Para fuçar mais coisas sobre os donos desse ótimo Pop-Rock dá uma olhadinha no Facebook deles que sempre tem alguma novidade.
Você indie nacional de carteirinha, frequentador assíduo do baixo Augusta pode até torcer o nariz para as bandas que cantam em inglês. Mas a clareira aberta pelos Forgotten Boys, quando usavam o idioma de Tio Sam com aquela sujeira espetacular de garagem, foi uma benção.
Com o caminho exposto, muita gente com uma urgência nos três acordes, de diferentes lugares e estações de força estelares chegaram com sede de derretimento cerebral.
O quarteto formado por: Calvin Kilivitz (voz), Louis Daher (guitarra e voz), Gabriel Melillo (baixo e voz) e Nico D’Angeli (bateria) logo de cara te confunde.
As tonalidades vem de diferentes lugares, sejam eles os anos 70 com o pré punk de New York Dolls ou MC5 ou uma estrada mais garageira dos anos 90 e 00. Na verdade isso não importa, porque a banda não se encaixa muito no que pode-se definir como cena indie (por mais que todo mundo vá querer colocá-los lá) e ao olhar para a declaração da banda no Facebook “que somos metidos à besta demais para sermos indie” já sabemos que é ponto a favor.
O disco de estréia da banda foi produzido por Chuck Hipolitho (ex-Forgotten Boys) e se chama Whatever Happened to Jackie Faye. Uma compilação poderosa de guitarras e sons extra sensoriais. O single do disco com as faixas “Fire walk with me” (baseada na seriado Twin Peaks de David Lynch) e “Blood on the garden”.
Meus emails são mágicas portas para surpresas sem tamanho. Essa semana abri desconfiado um de um cara com nome de jogador de futebol inglês, escrevendo em um português onde a troca e falta de artigo, plural e conjugação verbal, deixavam claro serem vindas de um gringo ou de um spam maluco que assola a caixa de email de qualquer um desse mundo.
Depois de decodificar a mensagem e clicar no link no final do email, descobri acordes suaves de violão misturados a uma sensível e marcante voz, me dando boas vindas através do elaborado folk feito pelo irlandês Owensie. A história dele é surpreendente: Owensie morou no Brasil a anos atrás e era vocalista de uma banda de punk/post-punk chamada Puget Sound (que eu não consegui encontrar nada sobre), onde fez turnê por todo o território brasileiro em 2001 e 2004, tocando desde Floripa, Goiania, Curitiba, Porto Alegre, São Paulo e até em João Pessoa.
Agora ele pegou o violão e prepara seu primeiro álbum, a ser lançado de forma totalmente independente, em janeiro de 2011. As demos do projeto, disponíveis para download gratuito no site Bandcamp, são exemplos de música bonita, sentimental, que em vários momentos me lembram o City and Colour. Para o disco, Owensie promete usar violinos, percussão e arranjos mais complexos em sua melodia, já deixando a curiosidade crescer para o ano que vem. Legal que tem até música com nome em português: “Ronda”.
Por fim, uma turnê por essas terras é armada para um futuro próximo, e essas simples e singelas palavras que coloco aqui sobre Owensie, são os primeiros passos para a difusão de seus acordes pelo Brasil. Realmente aconselho a ouvir, baixar e divulgar o som desse cara, pois só a história já vale a oportunidade e a música vale o dia.
O primeiro semestre musical chegou ao fim. E como não poderia deixar de ser, alguns dos discos mais esperados do ano já deram as caras. Em meio a lançamentos superestimados (High Violet, do The National), entediantes (The Suburbs, do Arcade Fire) ou simplesmente insignificantes, alguns dos melhores momentos musicais até o presente momento vieram de ilustres desconhecidos (Paul’s Tomb a Triumph, do Frog Eyes; I Learned The Hard Way, Sharon Jones & The Dap Kings; a estréia homônima do Beach Fossils).
Enquanto teve gente boa errando a mão (caso do repetitivo quarto disco do Interpol), por outro lado, uma outra parte da turminha de responsa da música não desapontou e acertou em cheio novamente, com destaque para o competente ‘terceirão’ do Superguidis e o espetacular Expo’86, dos canadenses do Wolf Parade. Assim sendo, a mixtape Recapitulando traz a você leitor do RockInPress dezesseis jóias musicais que servem como um pequeno registro do que melhor aconteceu em 2010 até agora.
Seleção de faixas por Guilherme Sant’Ana
Foto da capa por Marina Cairo (Flickr)
Edição de imagem por Marcos Xi (no Paint!)
Tracklist e explicação faixa-a-faixa: (mais…)
Amado Maita (seu pai), em dezesseis horas gravou um dos discos mais disputados dentro da história da música brasileira. Primeiro por que foi o único. Depois porque a influência do jazz na mistura com o samba trouxe melodias maiores que a história. Duas maneiras de entender o que o disco representa no contexto do famosa MPB, primeiro baixe e ouça o disco (e tente comprar, mas já avisando que é difícil de achar), depois ouça uma entrevista do próprio Amado para o programa EMPOEIRADO.
Mas voltando a Luisa….
O disco se chama Lero-lero (Cumbancha/Oi Música) e mesmo meu lado anarco-esquerdista, buzinando feito a risada mortal de um coringa lisérgico, que cantar no vídeo das Olimpíadas e ter o nome da operadora de telefone ligada ao disco já depõe contra, faço aqui minhas palavras, as de Elis Regina: “Vivendo e aprendendo a jogar”.
Não moramos na cidadela de Stalin, mas sim no mundo onde as pessoas tem que jogar esse jogo. Se através dessa ligação é possível descobrir um trabalho tão bom quanto esse, então assim seja. Amém Regininha, amém!!!!
O primeiro vídeo do disco de estréia é o feito para a música “”Alento”".
O clip dirigido por João Wainer, mostra o contraponto perfeito entre a modernidade da cidade (no telefone de Luisa) e uma São Paulo cheia de entrecantos escondidos em grafites e na arquitetura fantástica que aqui se tem. Mostrar sampa sem cair na armadilha fácil do cruzamento de avenidas de Caê, é uma das melhores qualidades do clip. As outras são a inegável mistura de ritmos e arpégios que a canção tem. Uma letra rápida e diagramada com sentimentos e sensações, pautadas pela aura de mistério em cada olhar capturado da cantora. Ao mesmo tempo que surge uma face musa, alumia-se acordes em uma voz certeira.
A cidade se mostra personagem principal e é maravilhoso poder ver São Paulo assim, na melhor métrica decassílaba de estrofes pintadas em imagens. Triste é saber que quem administra está muito mais preocupado com outras coisas. Quiçá um dia todos os arrastões possam ser assim como “”Alento”", levando apenas sua alma em direção aos ritmos.