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Dicas: Owensie

Meus emails são mágicas portas para surpresas sem tamanho. Essa semana abri desconfiado um de um cara com nome de jogador de futebol inglês, escrevendo em um português onde a troca e falta de artigo, plural e conjugação verbal, deixavam claro serem vindas de um gringo ou de um spam maluco que assola a caixa de email de qualquer um desse mundo.

Depois de decodificar a mensagem e clicar no link no final do email, descobri acordes suaves de violão misturados a uma sensível e marcante voz, me dando boas vindas através do elaborado folk feito pelo irlandês Owensie. A história dele é surpreendente: Owensie morou no Brasil a anos atrás e era vocalista de uma banda de punk/post-punk chamada Puget Sound (que eu não consegui encontrar nada sobre), onde fez turnê por todo o território brasileiro em 2001 e 2004, tocando desde Floripa, Goiania, Curitiba, Porto Alegre, São Paulo e até em João Pessoa.

Agora ele pegou o violão e prepara seu primeiro álbum, a ser lançado de forma totalmente independente, em janeiro de 2011. As demos do projeto, disponíveis para download gratuito no site Bandcamp, são exemplos de música bonita, sentimental, que em vários momentos me lembram o City and Colour. Para o disco, Owensie promete usar violinos, percussão e arranjos mais complexos em sua melodia, já deixando a curiosidade crescer para o ano que vem. Legal que tem até música com nome em português: “Ronda”.

Por fim, uma turnê por essas terras é armada para um futuro próximo, e essas simples e singelas palavras que coloco aqui sobre Owensie, são os primeiros passos para a difusão de seus acordes pelo Brasil. Realmente aconselho a ouvir, baixar e divulgar o som desse cara, pois só a história já vale a oportunidade e a música vale o dia.

Bandcamp | Myspace | Last.Fm

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Mixtape: Recapitulando

O primeiro semestre musical chegou ao fim. E como não poderia deixar de ser, alguns dos discos mais esperados do ano já deram as caras. Em meio a lançamentos superestimados (High Violet, do The National), entediantes (The Suburbs, do Arcade Fire) ou simplesmente insignificantes, alguns dos melhores momentos musicais até o presente momento vieram de ilustres desconhecidos (Paul’s Tomb a Triumph, do Frog Eyes; I Learned The Hard Way, Sharon Jones & The Dap Kings; a estréia homônima do Beach Fossils).

Enquanto teve gente boa errando a mão (caso do repetitivo quarto disco do Interpol), por outro lado, uma outra parte da turminha de responsa da música não desapontou e acertou em cheio novamente, com destaque para o competente ‘terceirão do Superguidis e o espetacular Expo’86, dos canadenses do Wolf Parade. Assim sendo, a mixtape Recapitulando traz a você leitor do RockInPress dezesseis jóias musicais que servem como um pequeno registro do que melhor aconteceu em 2010 até agora.

Seleção de faixas por Guilherme Sant’Ana
Foto da capa por Marina Cairo (Flickr)
Edição de imagem por Marcos Xi (no Paint!)
Tracklist e explicação faixa-a-faixa: (mais…)

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Dicas: Luisa Maita

Luisa Maita está lançando seu primeiro disco.

Amado Maita (seu pai), em dezesseis horas gravou um dos discos mais disputados dentro da história da música brasileira. Primeiro por que foi o único. Depois porque a influência do jazz na mistura com o samba trouxe melodias maiores que a história. Duas maneiras de entender o que o disco representa no contexto do famosa MPB, primeiro baixe e ouça o disco (e tente comprar, mas já avisando que é difícil de achar), depois ouça uma entrevista do próprio Amado para o programa EMPOEIRADO.

Mas voltando a Luisa….

O disco se chama Lero-lero (Cumbancha/Oi Música) e mesmo meu lado anarco-esquerdista, buzinando feito a risada mortal de um coringa lisérgico, que cantar no vídeo das Olimpíadas e ter o nome da operadora de telefone ligada ao disco já depõe contra, faço aqui minhas palavras, as de Elis Regina: “Vivendo e aprendendo a jogar”.
Não moramos na cidadela de Stalin, mas sim no mundo onde as pessoas tem que jogar esse jogo. Se através dessa ligação é possível descobrir um trabalho tão bom quanto esse, então assim seja. Amém Regininha, amém!!!!


O primeiro vídeo do disco de estréia é o feito para a música “”Alento”".

O clip dirigido por João Wainer, mostra o contraponto perfeito entre a modernidade da cidade (no telefone de Luisa) e uma São Paulo cheia de entrecantos escondidos em grafites e na arquitetura fantástica que aqui se tem. Mostrar sampa sem cair na armadilha fácil do cruzamento de avenidas de Caê, é uma das melhores qualidades do clip. As outras são a inegável mistura de ritmos e arpégios que a canção tem. Uma letra rápida e diagramada com sentimentos e sensações, pautadas pela aura de mistério em cada olhar capturado da cantora. Ao mesmo tempo que surge uma face musa, alumia-se acordes em uma voz certeira.

A cidade se mostra personagem principal e é maravilhoso poder ver São Paulo assim, na melhor métrica decassílaba de estrofes pintadas em imagens. Triste é saber que quem administra está muito mais preocupado com outras coisas. Quiçá um dia todos os arrastões possam ser assim como “”Alento”", levando apenas sua alma em direção aos ritmos.

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Dicas: Indic Blue

Com uma semana de atraso e saindo um pouco da onda de dicas femininas, hoje apresento-lhes uma das melhores coisas que tenho ouvido neste último mês. A muito tempo não ouvia nada tão sonoro e cativante quanto o som do Indic Blue. A banda radicada em Rio das Ostras, RJ, faz um som que podemos descrever como inebriante, um blues daqueles que não permitem que seu corpo fique parado diante de tanta musicalidade.

As influências vão desde The GossipEtta James, passando por algo similiar ao som do Noisettes, e ainda se ouve uma forte influência do piano de Elton John nas lentas da banda. E como o vocalista Marcos Matarazzo disse, a intenção é pegar os pontos essenciais em cada uma dessas influências e fazer algo novo. Se a receita é exata eu não sei, só sei que de todo esse musico-fagismo regurgita-se um blues para ninguém colocar defeito. Um som que mesmo com todo o frescor da banda sai como se eles cantassem aquilo há séculos, e que possui uma interação de colocar muita gente no chinelo.

O Indic Blue não tem muito tempo de existência. Formada há menos de um ano, a banda tem se ajustado constantemente e está em sua formação atual há pouco tempo. O frontman da banda afirma que já possuia muitas coisas escritas e dentre elas selecionou algumas para compor o estilo da banda, a partir de então convidou alguns músicos próximos, por achar muito chata a dinâmica da carreira solo. Hoje a banda é composta, além do vocalista e tecladista Marcos Matarazzo, também por Paula Moura na guitarra e por Zito Rainey no incrível baixo.

A banda até agora possui apenas quatro músicas, todas em inglês, com  excessão de alguns trechos de “Bad Memories”. De acordo com o vocalista e compositor da banda, a língua, além de apresentar uma sonoridade melhor para as canções, representa uma certa codificação em sua música, com a qual só os realmente interessados conseguem interagir. As músicas são em sua maiorias sobre intensos relacionamentos e dolorosos desfeixos, aonde o blues acerta em cheio ao exprimir essas intensas e sombrias emoções. Emoções que ficam bem destacadas na melodiosa e melodramática “It’s Dangerous”, onde o autor confessa sua dependência de seu amor.

A melhor música é sem dúvidas “Bad Memories/Toda Vez”, que possui uma letra maravilhosa e que transita entre o inglês e o português como se fosse brincadeira de criança, regada por um baixo pontual que não abandona a voz do cantor durante toda a música, dando um ar dark e intenso ao som. Mas sem dúvidas a preferida de todos e carro-chefe da banda é a íncrível “Supermam”,  que é uma baladinha muito divertida, com cara de som de musical, e que ainda possui um refrão super contagiante e extremamente dançante. A banda ainda conta com a energética “Fire” aonde pode-se enxergar todo o hype da banda e como eles estão ligados à novas tendências; os riffs e os efeitos eletrônicos são marcas registradas da música.

Indic Blue tem toda essa coisa de hype, pop e que vai muito além da música, que está ligado à ideologia, ao comportamento e à sexualidade que transpira através dos poros de suas músicas. É sobre gritar sentimentos com os quais infelizmente um dia todos temos que lidar na vida. A banda começa a dar seus primeiros passos e fazer seus primeiros shows, tirando de vez o estigma de míticos. Todas as músicas você pode conferir no MySpace da banda ou então fazer o download aqui.

MySpace | Last.FM | Orkut

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P.A.R.T.Y. #14 – Fox n’ Wolf

FOX N’ WOLF

#3wordsafterparty: Aqueles Punks Macabros

Precisa Ouvir: “Youth Alcoholic”, “InYr Underwear”, “Beat me Up”

Aonde: Suécia, Estalcomo

Roupa Transparente Porque: O divertido e macabro som dessa dupla gringa vai te conquistar. Com uns sintets irados, uma mistura de new rave e 8-bit com post punk, a dupla transpira atitude dark, porém muito mais muito moderna. Fox n’ Wolf parece uma mistura de Crystal Castles com Peter Bjorn & Jhon, com umas vozesinhas realmente viciantes. Com máscaras de lobos e uma imagem muito dark fazendo jogo de luz no palco aliados a um som intensamente frenético, Fox n’ Wolf é daquelas experiências que farão você ter pesadelo à noite, um ungry bitch de meter medo em qualquer um.

Tem Uma História: A banda sueca que começou em 2008 não tem muita história disponível nestes dois anos de estrada, apenas que o burburinho gerado por toda a sua atitude tribal trash rendeu-lhes uma grande turnê pela Europa. Fox n’ Wolf começou trabalhando com vários remixes de bandas como Crystal Fighters, Reinascense Man, We have a Band, e depois lançou algumas copilações pelo selo indie francês Kitsuné, que representa a banda até hoje.

YaY: A banda, que lançou recentemente seu EP Youth Alcoholic, contendo as ótimas “Eletric Date”, “Rules Out” e a música título, tem tido também vários de seus sons remixados e agora fez uma turnê americana para divulgação do EP. Fox n’ Wolf sem dúvidas é uma grande promessa para o estilo P.A.R.T.Y. e em breve estará lançando seu primeiro álbum.

Youth Alcoholic

MySpace | Last.FM

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Dicas: Tulipa Ruiz


Continuando a sequência de dicas femininas hoje falo sobre a brasileiríssima Tulipa Ruiz, que tem encantado e cantado todas as manhãs por aqui com sua doce e suave melodia, impossível de se ouvir e não querer repetir a dose.Tulipa é um dos grandes nomes promissores dessa nova geração da música brasileira, ao lado de Tiê, Karina Buhr, Céu, Mariana Aydar e outras delícias sonoras. Tulipa é uma artista no todo. Além de cantar faz lindos e singelos desenhos e inclusive desenhou a capa do próprio debut.

A cantora vem se destacando pela sua incrível capacidade de inovar dentro do inovador. Sua ótima voz aliada a um incrível experimentalismo que vai desde Gal à rock dos anos 60, não permite que suas canções se pareçam com o que já existe por aí, acrescentando mais coisas interessantes ao que já vem rolando. O trabalho da cantora é tipicamente feito entre família e amigos, as músicas da cantora contam com participações nas guitarras de seu pai (Luiz Chagas, músico e jornalista) e de seu irmão Gustavo Ruiz, e de outros amigos.

O maravilhoso debut de Tulipa chama-se Efêmera. O álbum que conta com a produção do irmão da cantora será lançado no final do mês pela YB. Gustavo Ruiz ainda assina tres canções junto com a irmã, a faixa título “Efêmera”, “Do Amor” e a música que pra mim tem o melhor instrumental do álbum “Brocal Dourado”. Efêmera é daqueles albuns que você vai querer escutar todos os dias repetidamente por no mínimo um mês. A sutileza das melodias e as muito bem trabalhadas letras da cantora prendem o ouvinte que descobre um novo significado para as músicas a cada nova audição.

Os temas tratados  pela cantora são aconchegantes e com uma linguagem cheia de vida deixando a sua música realmente pálpável. “Efêmera” abre o álbum com um pequeno resumo de sobre o que ele se trata: pequenos detalhes, coisas efemeras; é sobre tentar prender-se a momentos perfeitos e perecíveis como esse incrível álbum. Em “A Ordem das Árvores” acompanhados por uma simpática percussão visualizamos lindas paisagens ao som da voz de Tulipa, e retratam a infância da cantora vivida no interior de Minas.

O álbum todo passa-se tratando sobre a temática do tempo e como ele carrega consigo todos os momentos. Em “Pontual” a cantora fala sobre o atraso contidiano desta vida urbana e as ótimas coisas que perdemos por causa desta vida corrida. “As Vezes” é a música mais pop do álbum, colaborando para a incrível diversificação do trabalho. O álbum é finalizado com a emocionante “Só sei dançar com você” que parece que é uma melodia sem fim, aonde o ouvinte realmente se sente rodando levemente para dentro deste funil sem fim. Realmente, a melhor experiência do álbum é guardada para o final.

O trabalho de Tulipa Ruiz tem sido almplamente divulgado este ano, a cantora contou com uma matéria especial na Rolling Stone de maio, e teve espaço garantido para o lançamento do seu CD no Estadão. Tulipa deu um show na virada cultural paulistana e fará o lançamento oficial de seu estrelado CD dia 30 de maio no auditório do Ibirapuera.

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P.A.R.T.Y. #13 – Crystal Fighters

Com um nome tão clichê, que lembra “Caverna do Dragão”, vindos da espanha e com este visual mega trash tribal você deve estar imaginando que coisa boa não deve sair da P.A.R.T.Y. de hoje né? Errado! Para quem achava que da espanha as pessoas só dançavam ao ritmo das castanholas, algumas bandas teem provado o contrário, dentre elas está nossa dica desta semana…

O “Ponha A Roupa Transparente YAY!” deste domingo é com:

CRYSTAL FIGHTERS

#3wordsafterparty: Crazy Spanish Party!

Precisa Ouvir: “I Love London” e “Xtatic Truth”

Aonde: Navarra, Espanha

Roupa Transparente Porque: Misturar folk Basco com ritmos de festas londrinas, uma banda que tem esse como seu objetivo principal deve fazer um som no mínimo louco. Sabe aquele ritmo jovem que todos sentem falta na maioria das Partys por aí? Algo que possamos apenas sair pulando sem passos ensaiados, um som frenético mas ao mesmo tempo tão leve dando a impressão de dança ao ar livre. Pois é o som do Crystal Fighters remete a isso tudo, é como se fosse uma combinação de Club 8 com CSS, como se fosse possível.

Tem uma história: Integrada por dois ingleses, um americano e duas espanholas, ambos fascinados por folk basco, essa galera resolveu se reunir e dar uma nova releitura à música local. Acrescentando alguns sintetizadores e um um vocal frenético, o objetivo deles é repaginar essas canções que estão presentes nesses povos por gerações, incoporando nelas um tipo de indie dance muito agradá vel aos ouvidos. Crystal Fighters já possui dois singles gravados pela gravadora francesa Kitsune. “Xtatic Truth” que foi o primeiro trabalho da banda é algo tem predominação de sintetizadores, fazendo um tipo mais comportado, mas que produziu uma ótima divulgação para a banda.

YaY: Protagonista de um forte burburinho na cena londrina, a banda ainda está colhendo os frutos de seu segundo single “I Love London” que é algo do tipo bem freak mesmo. Com vários elementos de percurssão misturados ao ritmo eletrônico a música realmente penetra em nossas mentes e frase “I Wanna go to the Paint Party” não sai mais de lá! Além de estarem organizando o seu primeiro álbum, estã participando de vários festivais indies de peso como The Great Scape ao lado de Delphic e Japandroids, e também estarão em grandes festivais  este ano como o Glastonbury Festival em junhoe o V Festival em agosto. Com este ótimo som, eu garanto que  essa galera não vai passar muito tempo desapercebida.

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